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Acordo entre Isabel dos Santos e os espanhóis do Caixabank fecha uma das páginas mais difíceis da história do BPI. Avanços e recuos foram constantes, mas na última hora do prazo o banco português conseguiu evitar a mão pesada do BCE.
Está enterrado o machado de guerra no BPI. Mais de um ano após o início das tensões entre o acionista maioritário Caixabank e a filha do presidente de Angola, a bomba relógio da participação do BPI no Banco Fomento Angola foi desarmada graças a um acordo de última hora com detalhes ainda desconhecidos.
Um comunicado enviado pelo banco português à CMVM deu conta da aproximação final, mas não esclareceu os termos acordados pela Santoro de Isabel dos Santos e o banco espanhol queb controla mais de 40% do capital do BPI. ” Esta solução foi já comunicada ao Banco Central Europeu e ao Banco de Portugal e encontra-se vertida num conjunto de documentos contratuais que serão apresentados aos órgãos sociais competentes nos próximos dias e que, tão logo sejam aprovados, serão comunicados ao mercado”, adiantou o banco português.
Em Espanha, o Caixabank revelou hoje ao regulador do mercado a conclusão do acordo, mas também não avançou detalhes. “As referidas negociações foram concluídas satisfatoriamente na data de ontem”, pode ler-se na comunicação do banco espanhol.
A solução ainda desconhecida implicará obrigatoriamente a venda parcial da participação do BPI no Banco Fomento Angola, em troca de contrapartidas não reveladas, cumprindo os desejos do BCE. O regulador da zona euro tinha estabelecido em abril do ano passado o prazo máximo de um ano para a redução da exposição do BPI ao mercado angolano, que deixou de ter a equivalência regulatória europeia.
Ao longo de doze meses, o Caixabank tentou várias soluções, sempre bloqueadas por Isabel dos Santos. Mesmo com participação minoritária, a empresária angolana aproveitou o limite de votos inscrito nos estatutos do banco português para evitar o avanço no processo de forma a manter um papel crucial na solução.
O Caixabank pretendia uma cisão de ativos, dividindo a participação do BPI no BFA e outros bancos no continente africano com a ajuda dos acionistas; no entanto, Isabel dos Santos sempre rejeitou a hipótese por estar interessada em adquirir uma fatia maioritária do Banco Fomento Angola.
Para o BPI, a saída de Angola é um rude golpe financeiro, tendo em conta que esse mercado representou no ano passado mais de metade dos lucros do banco.
Os pormenores do negócio entre Santoro e Caixabank deverão ser conhecidos a conta-gotas nos próximos dias, conforme as várias partes envolvidas forem aprovando a solução encontrada e os reguladores derem luz verde ao acordo. Até lá, a CMVM suspendeu as ações do banco nacional, à espera de esclarecimentos adicionais que impeçam uma subida meteórica das ações e uma queda posterior provocada pela especulação.

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