Papéis do Panamá: Ministro da Indústria de Espanha demite-se

Papéis do Panamá: Ministro da Indústria de Espanha demite-se

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O ministro da Indústria de Espanha, José Manuel Soria, demitiu-se do cargo, renunciando igualmente ao assento de deputado pelo PP, na sequência do seu envolvimento nos “Papéis do Panamá”.

Madrid, 15 abr (Lusa) – O ministro da Indústria de Espanha, José Manuel Soria, demitiu-se hoje do cargo, renunciando igualmente ao assento de deputado pelo PP, na sequência do seu envolvimento nos “Papéis do Panamá”.

O nome de José Manuel Soria – e de membros da sua família – apareceu associado a empresas ‘offshore’ listadas nos “Papéis do Panamá” no início da semana.

O ministro deu explicações contraditórias nos últimos dias, primeiro desmentindo a informação e depois afirmando que não se lembrava de ter assinado os documentos que a imprensa sucessivamente ia divulgando.

Na quinta-feira surgiu um último documento que mostrava que José Manuel Soria foi responsável por uma outra ‘offshore’ nas Ilhas Jersey, algo que este também tinha negado inicialmente.

Também na quinta-feira soube-se que o ministro não estaria na reunião de Conselho de Ministros de hoje, mas sem que a Moncloa tivesse adiantado a razão para a sua ausência.

Num comunicado divulgado hoje, Soria explica que a sua renúncia à atividade política acontece “à luz da sucessão de erros cometidos ao longo dos últimos dias na explicação das [suas] atividades empresariais anteriores à [sua] entrada na política em 1995”.

Soria considera que esses erros se deveram à “falta de informação precisa sobre factos que ocorreram há mais de 20 anos” e “sem prejuízo de que tais atividades empresariais tenham tido vínculo algum com o exercício das responsabilidades políticas”.

Para o ex-ministro, a presença no Governo e no PP estaria a causar “um dano evidente” ao executivo, ao seu partido, aos seus camaradas de militância e aos votantes “populares”.

As contradições de José Manuel Soria – antigo presidente da Câmara de Las Palmas (Ilhas Canárias) – neste processo começaram na segunda-feira, 11 de abril, quando o jornal El Confidencial e a televisão La Sexta (que integram o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação) noticiaram que este tinha sido diretor de uma empresa ‘offshore’ criada pelo escritório de advogados Mossack Fonseca.

Segundo o El Confidencial, Soria tinha sido administrador, durante alguns meses em 1992, da empresa UK Lines Limited, inscrita nas Bahamas pelo escritório de advogados panamenho. A Mossack Fonseca pediu na altura que o nome de José Manuel Soria fosse mudado para o do seu irmão Luís, alegando que tinha havido um erro na nomeação dos administradores.

A empresa foi dissolvida em março de 1995, poucas semanas antes de começar a campanha eleitoral para a Câmara de Las Palmas, que Soria ganhou.

Logo na segunda-feira, em Lanzarote, o ministro negou “rotundamente” ter alguma ligação com sociedades radicadas no Panamá ou em qualquer outro paraíso fiscal. Reconheceu, no entanto, que conhecia a empresa UK Lines Limited, por ser uma das empresas com as quais as sociedades da sua família tinham relações comerciais.

Também afirmou que não sabia a razão de o seu nome aparecer nos documentos mostrados pela imprensa. No mesmo dia, no Congresso dos Deputados em Madrid, Soria disse que o seu nome nos documentos era “um erro” e que se tinha apercebido no próprio dia de que “era secretário da empresa UK Lines”.

Na terça-feira a imprensa espanhola noticiou que a UK Lines, sediada no Reino Unido, foi propriedade do pai de Soria e que o ministro tinha sido administrador.

Soria insistiu que não sabia: “Apercebi-me esta manhã de que consto no Registo Mercantil de Londres como secretário da UK Lines” entre 1991 e 1997. Sublinhou ainda que tudo era “um erro”.

Na quarta-feira a imprensa mostra que os documentos que Soria dizia desconhecer tinham sido assinados pelo próprio. O tema provoca desconforto no Governo e no PP espanhol, ainda que ninguém tenha defendido abertamente a sua demissão.

No dia seguinte, o jornal El Mundo noticiou que Soria ocultou o facto de ter sido administrador (até 2002) da empresa Mechanical Trading Limited, uma sociedade na ilha britânica de Jersey Jersey, considerada o paraíso fiscal com maior volume de fundos em todo o mundo.

A Mechanical Trading Limited foi constituída em 1993 e era detida em 80% pela empresa familiar Soria Oceanic Lines.

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