Conflitos de interesse entre Portugal e Angola são “normais”

Conflitos de interesse entre Portugal e Angola são “normais”

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O deputado socialista português Sérgio Sousa Pinto afirmou hoje que as “recentes dificuldades” no relacionamento entre os interesses angolanos na economia portuguesa são “perfeitamente normais”, sendo parte de um “processo positivo” de integração económica bilateral.

Sousa Pinto falava à agência Lusa no final de uma reunião da Comissão dos Negócios Estrangeiros do Parlamento português, a que preside, com uma delegação da União Nacional para a Independência Total de Angla (UNITA, maior partido da oposição), liderada pelo presidente desta formação, Isaías Samakuva.

“Sobre as dificuldades que têm vindo recentemente a público no relacionamento entre interesses angolanos na economia portuguesa e a forma como Portugal e Angola, países amigos que mantêm uma relação pautada por critérios de amizade, interesse mútuo e maturidade, entendemos que o processo de integração das duas economias é crescente”, referiu.

“É um processo que tende a desenvolver-se e que vai desenvolver-se no interesse de ambas as partes e é perfeitamente normal que existam perspetivas e pontos de vista diferentes, de conflitos de interesse desta natureza, fazendo parte de um processo natural de maturidade e de aprofundamento da integração económica entre Portugal e Angola, que é positiva para os dois países”, acrescentou Sousa Pinto.

Para o também dirigente socialista, como político, é do interesse de Portugal “diversificar economicamente o país”.

“Acho que Portugal não deve estar exclusivamente virado para a Europa, onde tem um espaço privilegiado de integração económica e política, e que deve desenvolver, com uma estratégia nacional de autonomia, relações económicas com Angola”, defendeu.

Já sobre a questão dos Direitos Humanos em Angola, Sousa Pinto reiterou a preocupação com a situação que estão a viver, por exemplo, os 17 ativistas, entre eles Luaty Beirão, que se encontram a cumprir penas que, disse, “são difíceis de compreender em Portugal”.

“Portugal é um país que observa como regra o respeito pelas decisões judiciais de terceiros, em particular de Angola. Mas, para os portugueses, é muito difícil compreender que, por atos e ações que em Portugal não são criminalizadas, possa alguém estar na prisão a cumprir penas tão pesadas”, sustentou.

Recusando comentar as críticas frequentes contra Portugal feitas em editoriais no estatal Jornal de Angola – “sobre o que diz um jornal, não vou fazer considerações de espécie nenhuma” -, Sousa Pinto insistiu na preocupação com a situação dos Direitos Humanos em Angola.

“Do ponto de vista dos direitos humanos, a prisão e a aplicação de sentenças tão pesadas a um conjunto de ativistas políticos que se dedicavam a atividades de livre associação, que estão inteiramente protegidas pela Constituição angolana e que são reconhecidas e lícitas em qualquer Estado de Direito, são motivo de preocupação para os deputados da Assembleia da República, para os da Comissão dos Negócios Estrangeiros e para os nossos visitantes, delegação da UNITA”, concluiu.

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