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A rainha Isabel II celebra hoje 90 anos sem sinais de pretender de abdicar ou aposentar-se das funções, nas quais a larga maioria dos súbditos britânicos deseja que se mantenha o mais tempo possível.
Uma sondagem divulgada recentemente pela universidade King’s College London indicava que 70% dos inquiridos são favoráveis a que a monarca nonagenária mantenha a coroa até conseguir, um número recorde desde 1981 e prova da popularidade de Isabel II.

Além de de se ter tornado no ano passado a soberana com o reinado mais longo da história britânica, ultrapassando a bisavó, a rainha Vitória, que permaneceu no trono até à morte, em 1901, é também aquela que viveu mais tempo.

Todavia, este destino não estava traçado: quando nasceu a 21 de abril de 1926, Elizabeth Alexandra Mary Windsor – “Lilibeth”, como era chamada na infância -, não estava na linha direta de sucessão.
Foi só depois de o tio Eduardo VIII abdicar da coroa em 1936 para casar com Wallis Simpson, uma americana divorciada, que o pai se tornou rei Jorge VI, colocando no topo da linha de sucessores a primogénita, Isabel, então ainda uma criança.
A morte prematura do pai, aos 56 anos, fê-la ascender ao trono mais cedo do que esperava, em 1952, com apenas 26 anos, menos de metade da idade de Carlos, o príncipe herdeiro, que já conta 67 anos.
Mas a monarquia nem sempre foi popular como é agora e a estima que a rainha hoje merece aos britânicos foi reconquistada nos últimos anos graças à personalidade discreta, austera e de permanente serviço público.
O divórcio dos filhos Carlos e André e da princesa Ana no mesmo ano levando a monarca a apelidar 1992 de “annus horribilis”, mas provavelmente o período mais difícil do reinado terá sido cinco anos mais tarde, em 1997, quando a princesa Diana morreu em circunstâncias trágicas num desastre de automóvel em Paris.
Aos escândalos familiares, às adversidades políticas e às mudanças históricas a que assistiu – conviveu com 12 primeiros-ministros britânicos e 11 presidentes dos EUA -, Isabel II respondeu sempre com sentido de Estado e de dever, razão pela qual merece respeito dos súbditos.
A neutralidade política é um valor que tem procurado preservar, sendo exemplo a firmeza com que o Palácio de Buckingham desmentiu recentemente a notícia de um tablóide de que Isabel II seria favorável à saída da União Europeia, a propósito do referendo de 23 de junho.
Durante todos estes anos, fez sempre questão de participar em numerosas cerimónias oficiais, visitas de Estado, tomadas de posse, atribuições de condecorações, viagens pelo país, eventos de solidariedade ou audiências políticas.
Mesmo se nos últimos anos se tem feito representar cada vez mais em viagens ao estrangeiro ou noutros deveres por diferentes membros da família real, mantém-se ativa: no ano passado ainda cumpriu 393 compromissos, incluindo visitas de Estado a Malta e à Alemanha.
À margem, mantém uma vida privada recatada, de proximidade com o marido, o príncipe consorte Filipe, com quem teve ao todo quatro filhos (Carlos, Ana, André e Eduardo) num casamento que já dura há 69 anos.
No início deste mês, o príncipe William, que representou a avó numa visita à Índia no início deste mês, saudou a rainha, que, mesmo aos 90 anos continua a ser “uma força condutora dedicada e admiravelmente energética para a família”.
E acrescentou: “Ela pode ser a minha avó, mas ela ainda é a chefe”.

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