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Diretor artístico Luiz Oliveira apresenta programa da 16.ª edição

A vila de Lousada recebe entre os dias 22 de abril e 1 de maio, a 16.ª edição do “Folia”, Festival Internacional de Artes do Espetáculo, com um cartaz que reunirá no Auditório Municipal um variado conjunto de eventos culturais. Esta é uma iniciativa organizada pela Companhia de Teatro Jangada e pela Câmara Municipal de Lousada, dando assim continuidade a um projeto que tem dinamizado a cultura no concelho nos últimos anos. O tema de destaque deste ano vai para os 400 anos da morte de William Shakespeare e, para assinalar a data, as três peças que sobem ao palco farão alusão ao dramaturgo e ator inglês.

Luiz Oliveira, diretor artístico, ator e encenador da Companhia de Teatro Jangada, acredita que esta “vai ser das melhores edições que tivemos até agora” e explicou que a inovação da programação tem sido um fator obrigatório para manter a fidelização do público “cada vez mais exigente” e atrair novos visitantes.

A peça inaugural desta edição do “Folia” estará a cargo da companhia de teatro organizadora, com a peça “A Fera Amansada”, uma comédia “divertidíssima e hilariante”, com encenação de John Mowat. “Somos três atores a fazer quase vinte personagens com música ao vivo, cantamos, fazemos trinta por uma linha”, acrescentou o ator, abordando depois as companhias de teatro internacionais que também marcarão presença. “Este ano temos duas companhias vindas de fora, uma da Grécia [28 de abril], com um espetáculo divertidíssimo, em que dois atores fazem de Romeu e Julieta. O espetáculo vem em grego, mas não nos vamos ver gregos para entender, até porque eles vão legendá-lo. Mas,mesmo assim, toda a gente conhece a história de Romeu e Julieta e vão ficar realmente surpreendidos com o trabalho excelente desta companhia. Teremos também o Teatro Corsário [30 de abril], com marionetas para adultos, num espetáculo chamado ‘AULLIDOS’, em português, uivos”, sublinhou.

A terceira peça será da responsabilidade da Companhia do Chapitô, com a interpretação de “Macbeth”, um trabalho bastante físico e com três atores que farão as várias personagens da peça, por muitos considerada a “peça maldita”.

O espetáculo continuará no dia 27 de abril com a presença dos portuenses “Palmilha Dentada”,que apresentarão “O guardião do rio”. Um ator estará sozinho em palco com marionetas e representará um trabalho de corpo e de voz. “Eles nunca tinham estado cá e fazem um trabalho à volta do humor, com textos muito bem escritos e com imensa piada. Teremos também “Memórias Partilhadas”, do Teatro de Montemuro [29 de abril], que é um espetáculo que aconselho a não perderem, e ainda uma exposição de caricaturas em que depois o espetador poderá pedir à caricaturista Inês Barros para lhe fazer a sua própria caricatura”.

Destaque ainda para a interpretação de “Cinderela”, por Ricardo Peres, que fará sozinho várias personagens, inclusive a própria Cinderela, numa apresentação do “Plot Teatro”.

Música

À semelhança dos outros anos, a música é um tema obrigatório e nesta edição estarão presentes o Maestro António Vitorino D´Almeida e Paulo de Carvalho, que vão atuar nos dias 24 e 25 de abril, respetivamente. “O Maestro António Vitorino D´Almeida é um comunicador nato, que compôs ao longo da vida e continuará a compor música para cinema, enquanto Paulo de Carvalho, espero que cante a música tocada na véspera da revolução do 25 de abril.Cresci a ouvir Paulo de Carvalho, estou ansioso por recebê-lo cá e sei que a sala já está cheia.Quem não comprou bilhete terá de esperar para a próxima”, referiu Luiz Oliveira.

Percurso do Festival

O trajeto do “Folia”, que este ano cumpre a 16.ª edição, já passou por vários formatos desde o início da sua existência. O conceito inicial era maior com a integração de espetáculos alternativos numa tenda adjacente, mas a organização foi percebendo que era preferível concentrar os espetáculos num só local para não dispersar o público. A exigência do espetador para a qualidade dos espetáculos fez reduzir o cartaz de duas para uma semana. “Percebemos que era preferível ter uma semana de grande qualidade, do que ter duas semanas com um programa um bocadinho manco”, recordou o responsável da Companhia de Teatro Jangada, justificando depois o motivo de os ingressos passarem a ser cobrados. “Fomos percebendo que, com as entradas gratuitas, começou a ser incomportável, não só em termos de organização, como da própria programação. Dou um exemplo, havia espetáculos, principalmente os de música, que nós tínhamos bilhetes gratuitos e as pessoas levantavam-no. Entretanto chegavam mais 100 pessoas que queriam entrar, mas não era possível porque estavam esgotados e isso gerava imensa confusão”, explicou Luiz Oliveira.

Luiz Oliveira apresenta sinopse da “Fera Amansada”

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“A Fera Amansada fala de duas filhas, a Catarina e a Bianca. A Bianca é muito dócil, toda a gente gosta dela, como tal, tem vários pretendentes.Já a Catarina é mais arisca, daí que afugenta um potencial pretendente. Mas o pai, o Baptista, diz: – não senhor, se querem casar com a minha filha mais nova, primeiro tenho que casar a mais velha, senão não há solução. E claro, os pretendentes tentam organizar-se para casar com a mais velha e conseguem efetivamente encontrar um pretendente, que vai conseguir casar com ela e amansá-la.

Este texto está escrito há 400 anos e o final escolhido por Shakespeare é um bocadinho moralista e machista. Nós atualizámos a peça, simplesmente porque algumas coisas que eram verdades, ou aceitáveis há 400 anos, hoje já não fazem sentido. Não se trata de aceitar ou não aceitar, não fazem mesmo sentido. As várias tramas, as várias trocas no próprio texto, este disfarça-se de não sei quê, um disfarça-se de professor, o criado de patrão, o patrão de criado… A dada altura é uma confusão, que torna o próprio texto muito divertido pelas várias trocas e baldrocas.Imaginem o que é três atores fazerem cerca de vinte personagens. Teremos ao longo do espetáculo momentos musicais divertidíssimos, o momento operático, por exemplo, com o texto original, um inglês arcaico. É a mesma coisa que fazer Gil Vicente e vamos fazê-lo. Vamos cantar nesse original”.

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