Agosto começa com menos divisas nos bancos angolanos

Agosto começa com menos divisas nos bancos angolanos

A injeção de divisas pelo Banco Nacional de Angola (BNA) na banca comercial caiu mais de 70 por cento no início de agosto, para 68 milhões de euros, cobrindo operações do setor da Saúde e do comité olímpico angolano.

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A informação consta do relatório semanal do BNA sobre a evolução dos mercados monetário e cambial, no período entre 01 e 05 de agosto, contrastando com os 231,1 milhões de euros da última semana de julho e os 106,2 milhões da anterior, mantendo-se as vendas apenas em moeda europeia.

De acordo com o documento, consultado hoje pela agência Lusa, as divisas disponibilizadas na última semana, equivalentes a 75,9 milhões de dólares, destinaram-se a cobrir, nomeadamente, necessidades do Ministério da Saúde (51,9 milhões de euros), do Ministério do Interior (2,7 milhões de euros) e de órgãos auxiliares do Estado (4,6 milhões de euros).

Com milhões de euros retidos em Angola, em moeda nacional, que não conseguem repatriar, as companhias aéreas tiveram acesso na primeira semana de agosto a 7,4 milhões de euros para cobertura de operações diversas, indica a mesma informação.

Na semana que antecedeu o arranque dos Jogos Olímpicos do Rio do Janeiro, foram atribuídos ao Comité Olímpico Angolano 180,7 mil euros em divisas, para garantir as necessidades de moeda estrangeira à comitiva nacional, composta por 25 atletas de sete modalidades.

A taxa de câmbio média de referência de venda do mercado cambial primário, apurada ao final da última semana, permaneceu inalterada, nos 166,714 kwanzas por cada dólar e nos 186,268 kwanzas por cada euro.

Contudo, no mercado de rua, a única alternativa, embora ilegal, face à falta de divisas aos balcões dos bancos, a nota de um dólar continua a ser transacionada à volta dos 580 kwanzas.

Na revisão do Orçamento Geral do Estado de 2016, em curso, o Governo prevê desvalorizar a moeda nacional até aos 215,5 kwanzas por cada dólar norte-americano e aumentar a injeção semanal de divisas nos bancos.

Angola enfrenta uma crise financeira e económica com a forte quebra (50%) das receitas com a exportação de petróleo devido à redução da cotação internacional do barril de crude, tendo em curso várias medidas de austeridade.

A conjuntura nacional levou a uma forte quebra na entrada de divisas no país e a limitações no acesso a moeda estrangeira aos balcões dos bancos, dificultando as importações.

A falta de divisas dificulta ainda a transferência de salários dos trabalhadores expatriados, as necessidades dos cidadãos que precisam de fazer transferências para o pagamento de serviços médicos ou de educação no exterior do país ou que viajam para o estrangeiro.

Só de trabalhadores expatriados portugueses estão retidos, segundo o Governo de Portugal, cerca de 160 milhões de euros de vários meses de salários por transferir para contas nacionais (em divisas).

O BNA informou a 22 de julho que está a trabalhar com os bancos comerciais numa “melhor programação na venda de divisas” para “repor de forma gradual, programada, organizada e prudente” as necessidades de todos os setores da economia.

Em comunicado, o banco central referia ainda que nas últimas semanas tem vindo a realizar reuniões de “auscultação e concertação” com a Associação dos Bancos Comerciais de Angola (ABANC) e com os presidentes ou representantes dos conselhos de administração de 15 bancos angolanos para “partilhar informação sobre os desafios do sistema financeiro”.

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