Trabalhadores da Unicer em greve querem “endurecer formas de luta”

Trabalhadores da Unicer em greve querem “endurecer formas de luta”

LUSA

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A greve dos trabalhadores da Unicer está a ter uma adesão “próxima dos 100%” e na segunda-feira vai realizar-se um novo plenário para debater o “endurecimento das formas de luta”, disse hoje o dirigente sindical Francisco Figueiredo.

“A greve está com muita adesão. Não há nenhum trabalhador a trabalhar”, afirmou à Lusa Francisco Figueiredo, dirigente sindical da Federação dos Sindicatos da Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (Fesaht).

Segundo o responsável pela contratação coletiva na Fesaht, que hoje esteve presente na concentração dos trabalhadores frente à unidade de Leça do Balio, no concelho de Matosinhos, “a greve vai continuar, segunda-feira há um novo plenário e tudo indica que vão endurecer mais as formas de luta [porque] a empresa mantém a sua posição de recusa de aumentos de salários”.

No início de agosto, foi apresentado o pré-aviso de greve pelo Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (Sintab), afeto à CGTP, em defesa de “aumentos salariais dignos” e a “dignificação do trabalho” na Unicer, uma empresa produtora de cervejas e águas engarrafadas.

A paralisação dos trabalhadores começou na sexta-feira, entre as 06:00 e os 08:00 (últimas duas horas do último turno) e entre as 08:00 e as 10:00 (primeiras duas horas do primeiro turno), tendo a empresa feito “algumas tentativas de substituição dos trabalhadores”, disse Francisco Figueiredo.

Contactada pela Lusa, fonte oficial da Unicer negou “categoricamente” que a empresa esteja a substituir trabalhadores em greve, “até porque rege a sua atuação pelo cumprimento integral da lei”.

Informou ainda que a empresa está a recorrer a “enchimento externo” para conseguir responder às necessidades do mercado.

Segundo o dirigente sindical, “a greve tem perturbado a distribuição”, havendo “reclamações da falta de produto” e os prejuízos causados nestes dias são “superiores” ao que a empresa gastaria com um aumento salarial.

Para o sindicalista, “não há nenhuma razão para que a empresa não apresente uma proposta concreta de aumentos de salários”, até porque “deu 33 milhões de euros de lucros em 2014 e 27 milhões em 2015”.

Perante o que dizem ser a “inflexibilidade” da Unicer, os trabalhadores pretendem reunir-se em plenário na próxima segunda-feira, pelas 14:30, para analisar a situação “na perspetiva de continuar a empresa”, estando já em cima da mesa o “endurecimento” das formas de luta e o “aumento de horas” de paralisação.

A greve foi marcada para os dias 15, 16, 17, 19 e 21 de agosto, mas no passado sábado, o Sintab anunciou a suspensão da greve nos três primeiros dias.

Contudo, e segundo a Unicer, a greve foi realizada na mesma nos dias 15, 16 e 17 de agosto.

O dirigente sindical Francisco Figueiredo confirmou à Lusa que, “depois de consulta aos trabalhadores”, ficou decidido manter a greve, mas que “houve uma falha por parte do Sintab que não informou” a alteração da situação.

A Lusa tentou ouvir o coordenador da comissão de trabalhadores mas tal não foi possível até ao momento.

Esta ação de luta foi decidida, em plenário, pelos trabalhadores das empresas UNICER GPS, UNICER BEBIDAS e UNICER AT, a laborar nos estabelecimentos das empresas em Leça do Balio (Matosinhos, Porto), Santarém, Santo Antão do Tojal (Loures, Lisboa) e Miraflores (Oeiras, Lisboa).

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