Instagram. Diz-me que filtro usas e dir-te-ei se estás deprimido

Instagram. Diz-me que filtro usas e dir-te-ei se estás deprimido

Os filtros escolhidos e a periodicidade das publicações são indícios do estado depressivo do utilizador, diz estudo.

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Os filtros escolhidos e a periodicidade das publicações são indícios do estado depressivo do utilizador, diz estudo.

As redes sociais são o ‘psiquiatra dos tempos modernos’. Estas ferramentas do quotidiano podem ser o espelho mais real da forma de estar e de pensar das pessoas, conseguindo revelar estados emocionais e mentais de uma forma mais precisa e rápida.

Embora seja comum a ciência apontar o dedo ao Facebook – publicando uma série de estudos acerca do impacto que a criação de Mark Zuckerberg tem na qualidade de vida dos utilizadores -, a verdade é que esta rede social está longe de ser a má da fita e a única plataforma capaz de interferir com o equilíbrio emocional e mental das pessoas. O Instagram é também um caso a ter em conta e podemos estar perante uma forma eficaz de diagnóstico precoce de doenças mentais

E foi isso que uma equipa de investigadores das universidades de Harvard e Vermont fez ao traçar um algoritmo capaz de identificar o estado depressivo dos utilizadores do Instagram.

Mas, como é que é possível ver se alguém está deprimido recorrendo apenas a esta rede social? É simples, basta olhar com atenção para o tipo de filtro usado nas imagens e para a periodicidade da publicação das mesmas. E não só.

Diz-me como geres as imagens do teu Instagram e dir-te-ei o quão deprimido podes estar

Conta o The Washington Post que para criar o algoritmo que permite saber se o utilizador do Instagram está ou não deprimido, o estudo contou com uma vertente de análise digital – em que foram analisadas as cores, o brilho e a presença de gostos nas fotografias – e com outra pessoal, em que os voluntários tiveram que preencher um questionário acerca do seu estado mental, da sua localização geográfica e ainda sobre o hábito de partilhar conteúdos através das redes sociais.

Depois de cruzados os dados, surgem os resultados e embora o número de participantes não tenha sido muito grande, é possível abrir portas para novos e mais aprofundados estudos sobre o assunto.

De acordo com a publicação do The Washington Post, existe uma relação clara entre o estado de espírito da pessoa e a escolha da cor da imagem, sendo que a combinação do aumento da matiz e a diminuição do brilho e da saturação (aspetos que dão cor e intensidade à imagem) pode ser o espelho mais fiel de um possível estado de depressão.

Mais concretamente, as pessoas que estão mais deprimidas tendem a publicar imagens em tons mais azulados, cinzentos e escuros. O filtro ‘Inkwell’ – que coloca a imagem a preto e branco – é o mais comummente usado e o que mais dá uma tonalidade mais escura à imagem.

Estes são os três filtros usados pelas pessoas pelas pessoas deprimidas e pelas pessoas saudáveis (do mais usado, ao menos usado): Pessoas deprimidas: Inkwell, Crema e Willow; Pessoas saudáveis: Valencia, X-Pro II e Hefe.

Mas a quantidade de imagens publicadas é também um indicador a ter em conta e, segundo o estudo, quantas mais imagens publicar e quantos mais filtros (mesmo que em tons de escuro) usar, maior é a probabilidade da pessoa estar deprimida.

E as pessoas que não estão deprimidas? Essas são as que escolhem cores mais vibrantes e que mais facilmente optam pelo filtro ‘Valencia’, que dá uma maior claridade e tonalidade à imagem.

Quanto à publicação de imagens com rostos, as pessoas deprimidas são as que têm uma maior tendência em fazê-lo, porém, as imagens que partilham possuem menos rostos em cada, ou seja, aparecem quase sempre sozinhas e não em grupo, algo que para os investigadores é um sinal claro de depressão pois espelha a fuga a eventos sociais.

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