Centro Gis é convidado de honra do Eros Porto

Centro Gis é convidado de honra do Eros Porto

Com a 11ª edição dedicada ao tema da transexualidade

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Desrespeito pela autodeterminação no que concerne à identidade de género, agressividade e negligência familiares e discriminação e bullying em escolas ou serviços públicos são alguns dos problemas por que passam os transexuais em Portugal. Para sensibilizar para estas questões, o Eros Porto tem, este ano, como tema central a transexualidade e o Centro Gis é o convidado de honra.

 

Combater o estigma e a discriminação, assim como sensibilizar e promover um melhor entendimento sobre as questões que afetam a população trans em Portugal é o objetivo do Eros Porto ao eleger a transexualidade como tema central e o Centro Gis como convidado de honra da sua 11ª edição, que se realiza entre 8 e 11 de março, na Exponor.

“O respeito pela identidade de género é essencial para que cada um viva plenamente a sua liberdade. Queremos por isso contribuir para esta discussão e destacar o papel e a intervenção que o Centro Gis da Associação Plano i tem tido em Portugal desde o seu início”, explica Juli Simón, diretor do Salão Erótico do Porto.

O direito à autoidentificação e à autodeterminação no que concerne à identidade de género ainda encontra enormes barreiras na sociedade e, quase sempre, os problemas começam no seio familiar. Tal como explica Paula Allen, coordenadora do Centro Gis e psicóloga, “as pessoas trans vivem frequentemente situações de enorme agressividade e negligência por parte das famílias, que as obrigam, enquanto crianças e adolescentes, a viver como se fossem cissexuais ou seja, não-transexuais”.

Também nas escolas, nos serviços públicos e em outros locais estas pessoas experienciam situações de discriminação e de bullying, o que leva muitas vezes a “quadros de depressão, ansiedade e fobia social”, refere.

Alterar a lei para minorar o sofrimento

A atual Lei nº7/2011 também coloca enormes dificuldades, já que determina a necessidade de uma pessoa trans ser avaliada por profissionais para obtenção de um relatório médico que ateste aquilo que ela sabe perfeitamente que é. E, por outro lado, o início do procedimento médico só pode ser realizado aos 18 anos, o que leva a que a infância e, sobretudo, a adolescência sejam vividas em enorme sofrimento.

“Com a alteração a esta lei, que se pretende que aconteça ainda este ano, as pessoas trans poderão deixar de necessitar do relatório médico e a partir dos 16 anos iniciar o processo medicamentoso por sua única vontade”, explica Paula Allen, acrescentando ser ainda importante “uma resposta mais célere do Serviço Nacional de Saúde e a existência de mais estruturas de apoio”.

Para além destas mudanças, é necessário apostar na educação, formação e sensibilização na luta contra o preconceito, já que, segundo a coordenadora do Centro Gis, “permitem dotar as pessoas de conhecimentos que as farão adotar comportamentos mais adequados e promotores do respeito pelas pessoas trans”.

 

Pais procuram ajuda cada vez mais cedo

Há cada vez mais pais ou mães que procuram o Centro Gis, ainda em tenra idade dos filhos/as, e que referem com naturalidade terem percebido em determinado momento que estes/as são trans. Mesmo quando é a pessoa trans adolescente a procurar este centro, para além da própria, também os familiares referem ter reconhecido a transexualidade.

“Como é comum, os pais e mães esperam que os seus/suas filhos/as sejam felizes e ser uma pessoa trans poderá significar uma maior vulnerabilidade para vivenciar situações de bullying e de discriminação.” Daí que, segundo Paula Allen, “pais e mães nem sempre se sintam preparados/as para esta situação que irá transformar as suas vidas. Importa por isso ajudar estes pais e mães a manterem o foco na felicidade e saúde física e mental dos filhos/as, respeitando a sua identidade de género”.

Para promover o debate sobre estas questões, o espaço de conferências do Eros Porto recebe, na sexta-feira, dia 9 de março, às 22h, a palestra “A Transexualidade em Portugal”, com a participação de Paula Allen, coordenadora do Centro Gis e psicóloga, e de Zélia Figueiredo, psiquiatra e terapeuta sexual pela Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica (SPSC) e Terapeuta Familiar pela Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar (SPTF). Na Exponor, para além da distribuição de material contracetivo e informativo, o Centro Gis vai ter um espaço dedicado às questões LGBTI, com técnicos/as especializados/as para prestar todas as informações e apoio.

A transexualidade

Uma pessoa é transexual quando a sua identidade de género – identificação psicológica como homem ou mulher – não corresponde ao sexo que lhes foi atribuído e registado no assento de nascimento. O sexo atribuído é aquele que é inferido, geralmente, por um exame sumário de genitália, ignorando-se outros carateres secundários ou fatores genéticos, endócrinos ou neurológicos. A identidade de género – que pode ser cissexual (não-transexual) ou transexual – não deve ser confundida como a orientação sexual. Por exemplo, uma pessoa pode ser trans e ser heterossexual, da mesma forma que uma pessoa cissexual pode ser gay.

O Centro Gis

O Centro Gis é um de vários projetos da Associação Plano i que, desde 2015, intervém nas áreas da igualdade e violência de género e da diversidade social. Disponibiliza a pessoas lésbicas, gays, bissexuais, trans e intersexo (LGBTI), a familiares e significant others, serviços gratuitos e especializados, nomeadamente aconselhamento jurídico, formação e consultadoria, bem como atendimento telefónico 24h. O seu âmbito de atuação prioritário é a violência doméstica e de género, integrando a rede nacional de apoio a vítimas de violência doméstica. O nome do Centro Gis surge numa sentida homenagem a Gisberta Salce Júnior, uma mulher imigrante brasileira, transexual, seropositiva, toxicodependente, trabalhadora sexual e sem-abrigo que, em 2006, foi assassinada, depois de brutamente espancada e violada por um grupo de adolescentes no Porto. Só em 2017, o Centro Gis efetuou mais de mil atendimentos, contando atualmente com 155 utentes, dos quais mais de metade são pessoas trans.

Foto: Eros Porto
Foto: Eros Porto

Fonte: Gabinete de Imprensa e Comunicação do Eros Porto

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