Conversas sobre veganismo: O vegan estereotipado

Conversas sobre veganismo: O vegan estereotipado

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Sou vegan há alguns anos e muitas vezes sinto-me incluída num estereótipo como se pertencesse a outro grupo de seres humanos. Para mim ser vegan é uma opção de vida da qual decidi que nenhum animal deve morrer/sofrer para que eu possa me alimentar ou satisfazer as minhas necessidades ou luxúrias. Eu não preciso de proteína animal para ser saudável, e nem preciso ter uma horta com verduras e leguminosas em casa por ser vegan. O problema da maior parte das pessoas é a falta de informação sobre o veganismo e pensam que ao retirar a carne do prato fica um vazio absoluto, é como se não sobrasse nada para comer. Ora, retire a carne e inclua grãos de qualquer tipo, se optar pelos industrializados temos o tofú, seitan, tempeh que em nada deixam à desejar em relação a proteína animal. Também não preciso de sapatos e malas em pele para andar na moda. Se tenho ou uso sapatos e malas em pele? A resposta é sim! Ainda tenho os vestígios de quando não tinha optado por ser vegan e os dou uso! Considero que o mal já está feito e aos poucos todas essas peças vão desaparecendo do meu armário e as novas aquisições são livres de crueldade animal.

O veganismo não entrou na minha vida de um dia para o outro e confesso que admiro as pessoas que o fazem num ápice. Na minha vida foi gradual e aconteceu como nas melhores famílias quando uma criança não quer comer carne e os pais obrigam por acharem que vão ficar desnutridas comprometendo o desenvolvimento físico e até intelectual.

Mas não são só os pais que acham que o consumo da carne é fundamental para a sobrevivência do ser humano. Há pessoas que para justificar o consumo da carne se comparam com o Homem de Neandertal (palavra que muitos nem conhecem), vulgo homens das cavernas. O que não sabem é que apesar de serem caçadores carnívoros, os vegetais, tais como: grãos, ervas, raízes e tubérculos faziam parte da sua alimentação segundo descobertas feitas através de dentes fossilizados, estudos que foram realizados por cientistas do Departamento de Antropologia do Museu de História Natural Americano Smithsonian. Deixemos os Flintstones de lado e passamos para uma história que vivi durante um almoço num workshop em Trás os Montes. Uma senhora ao reparar que no meu prato não havia carne e nem estava consumindo vinho questionou o porquê, respondi que era vegan, a senhora quis saber se eu fumava, respondi que não. Ironicamente ela perguntou-me: “Pelo menos você faz sexo?”. Nessa hora o sangue ferve nas veias, mil e uma respostas passam pela cabeça mas ignorar ainda continua a ser a melhor das respostas. Ora, ser vegan é uma opção de vida que devia ser respeitada e não vista de forma pejorativa por quem sente prazer em consumir carne ignorando toda a história de sofrimento animal criado unicamente para ser abatido para satisfazer os paladares dos “melhores” chefs de cozinha.

Andréa Medeiros

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