Conversas sobre veganismo: Animais de corte

Conversas sobre veganismo: Animais de corte

598
0
COMPARTILHE

Nunca levo a mal quando uma pessoa me questiona o porquê de ter deixado de consumir carne, a resposta é sempre a mesma: “Foi pelos animais”. A verdade é que nunca fui fã de carne mas gostava de alguns cozidos que a minha mãe fazia. Na minha completa ignorância nunca tinha me questionado sobre o sofrimento animal até começar a conviver com pessoas vegetarianas e pseudo vegans. Saliento o “pseudo” uma vez que se intitulavam como vegans mas volta e meia consumiam peixes. A parte disso, num belo domingo chuvoso onde só nos apetece ficar no sofá assistindo um bom filme, andei a fazer zapping até parar no canal National Geographic no programa “A incrível história do Dr. Pol”, para quem nunca assistiu é um reality show onde esse conceituado veterinário e sua equipa fazem cirurgias e tratamentos em diversos animais domésticos, exóticos e de quintas.

Nesse programa específico ele foi fazer a castração de dois bezerros de corte, ao pegar num instrumento semelhante a uma turquesa (torquês) mudei de canal mas depois voltei para ver como era realizada a castração já que sempre pensei que fosse como nos gatos onde fazem uma pequena incisão na bolsa escrotal e retiram os testículos. Naquele caso consistia em imobilizar o bezerro e “sem anestesia” esmagar os testículos. No dia seguinte fiz uma pesquisa sobre esse método e soube que é muito comum em bezerros e por não haver cortes não há riscos de infecções. Infelizmente podem também esmagar as veias, artérias, canais e ligamentos do órgão reprodutor uma vez que é feito as cegas. A idade ideal para castrar um bezerro é enquanto ainda estão mamando. A questão é: Ainda acham que um animal que nasce destinado a parar no prato do consumidor não sofre desde a nascença?

Eu não quero entrar no assunto dos matadouros, apenas estou focando sucintamente na vida dos animais que ao nascerem machos acabam por ter o seu destino traçado pelo homem. E por isso não posso deixar de falar das denominadas vitelas, segundo a definição do Dicionário da Língua Portuguesa [1], “vitela é a cria da vaca, com menos de um ano”. E para quem não sabe esses bezerros bebés são abatidos entre os 5 aos 8 meses de vida mas até chegar a essa idade são privados da luz solar, vivem em baías minúsculas de madeira para não se moverem muito, não podemos esquecer que a carne das vitelas ou novilhos devem ser macias por isso não podem ganhar músculos, daí serem privados de se moverem. Quanto a coloração da carne mais brancas ou mais rosada depende do tipo de alimentação, de qualquer das formas são privados de mamar e são alimentados por um substituto artificial do leite materno deficiente em ferro (enquanto isso o ser humano consome o leite da vaca que seria destinado ao filhote, mas isso é assunto para outra crónica). De qualquer das formas as vitelas de carne branca são alimentados a base de uma dieta líquida enquanto as vitelas de carne rosada depois se serem desmamadas recebem ração em pequenas quantidades.

Há ou não há motivos para se recusar a contribuir para esse tipo de sofrimento animal? Eu optei por não contribuir.

Termino essa crónica com uma frase muito bem dita pelo Philip Ochoa

“Olhe no fundo dos olhos de um animal e, por um momento, troque de lugar com ele. A vida dele se tornará tão preciosa quanto a sua e você se tornará tão vulnerável quanto ele. Agora sorria, se você acredita que todos os animais merecem nosso respeito e nossa proteção, pois em determinado ponto eles são nós e nós somos eles.”

[1] Dicionário da língua portuguesa (2008). Porto, Porto editora.

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA