A decadência do projeto europeu?

A decadência do projeto europeu?

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José Henriques Soares PS Paredes

A propósito das eleições para o Parlamento Europeu, próximas…

Quem se lembrará ainda de nomes como Robert Schuman, Konrad Adenauer ou Jean Monet, sobretudo este? Certamente poucos de nós. Contudo, são símbolos do projeto europeu que se iniciou com a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço e encerra hoje em dia a União Europeia, tal como a conhecemos.
O cenário europeu atual, não é de todo o mais simpático. A europa defronta-se hoje, com a tentativa (porque ainda não consumada) de saída de um dos seus membros, no caso, do Reino Unido. A confirmar-se esta saída, ela poderá corresponder a um exemplo para outros países e iniciar-se assim o declínio ou, melhor dizendo, o fim de um projeto e uma ideia que podia ter levado a Europa à liderança mundial, essencialmente ao nível tecnológico e do conhecimento.
Sempre tive a ideia de que era um europeu convicto. Um acérrimo defensor do projeto europeu. Aquele projeto idealizado pelas personalidades que referi inicialmente e outras de igual modo importantes. Infelizmente, hoje não transporto a mesma ideia e a mesma vontade, para a continuidade do Europeísmo.
A União Europeia defronta-se hoje com duas dificuldades relevantes: por um lado os extremismos que vão chegando ao poder, quer à esquerda, quer à direita, mas e acima de tudo o problema da demografia europeia. Lembro que há um século atrás, a população do continente europeu correspondia a 25% da população mundial. Em 2005, a Europa tinha cerca de 730 milhões de pessoas, o que correspondiam a já só 11% da população mundial. O grave da situação, é que a estimativa de população europeia em 2050, andará próxima dos 700 milhões de pessoas e corresponderão a apenas 7% da população global.
Devemos salientar, que nem a crise migratória consegue disfarçar este problema demográfico que é, de facto, grave. Apesar das muitas pessoas que chegam à Europa provenientes das mais diversas áreas do globo, o cenário futuro é o que é, e sabemos que atualmente o grosso dos países europeus tendem a fechar fronteiras a estes migrantes.
Não é por acaso que o epicentro de decisão mundial está a deslocar-se rapidamente para a zona da Ásia-Pacífico, em detrimento da Europa. Nas próximas décadas é ali que se vai decidir o futuro do planeta e a Europa estará afastada destas decisões. Julgam que será por mero acaso que os EUA deixaram de ter o interesse militar que tinham na base das Lajes?

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