Gandra, cidade de grandes lutas

Gandra, cidade de grandes lutas

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Decorria o ano de 1998 quando o governo português publicou o Decreto-Lei 43/98 de 3 de março que implementava uma contribuição especial de 30 por cento sobre “o aumento de valor dos prédios rústicos, resultante da possibilidade da sua utilização como terrenos para construção urbana” 1 nas freguesias que beneficiassem de obras públicas de elevados custos, como por exemplo a CREP- Circular Regional Exterior do Porto. Uma das freguesias visadas foi Gandra.
Passado cerca de um ano (mais concretamente no inicio do ano de 1999), a população gandarense tomou conhecimento da imposição deste decreto-lei quando começou a ser notificada pelas Finanças a pedir a atualização da avaliação dos terrenos, apesar do edil camarário de então, Granja da Fonseca, ter conhecimento do mesmo aquando da sua publicação, fazendo pouco para inverter o rumo que estava a ser tomado.
Reunidos num Movimento Contra a Inclusão de Gandra no Imposto Especial, liderado por José Mota, ex presidente da Junta de Freguesia de Gandra, os populares reuniram-se em assembleia de freguesia extraordinária no exterior da junta de freguesia no dia 9 de maio de 1999 e aprovaram na mesma um boicote às eleições europeias de 13 de junho. De seguida realizaram uma marcha lenta até aos Paços do concelho como protesto. Contam-me alguns gandarenses que, chegado o primeiro carro à extinta freguesia de Castelões de Cepeda, o último carro ainda não tinha partido de Gandra.
Certo é que no dia 13 de junho de 1999, dia de eleições europeias, as urnas foram violadas, tendo estas ficado marcadas para a semana seguinte, onde realmente se efetivou o boicote.
Passados quase quatro meses, novas eleições, desta vez legislativas, e novo boicote ao ato eleitoral.
Os gandarenses estavam unidos em torno de uma causa e não abdicaram de lutar até que fosse feita a justiça. Através dos despachos de 8 de Outubro de 1999 e de 31 de maio de 2000 foram arquivados os processos e alterada a incidência da contribuição na Lei do Orçamento de 2001.
Esta força mostrada pelos gandarenses é um motivo de orgulho, mostrando de forma exemplar a capacidade de mobilização da nossa população em torno de uma causa que lhes é sensível.
O feito ficou imortalizado no nome do largo onde se situa a junta de freguesia com a data de ocorrência da Assembleia extraordinária, Largo 9 de maio. Entretanto, este feito é merecedor de uma maior promoção. Não haverá momento mais oportuno do que o próximo dia 9 de maio, onde serão registados 20 anos do momento que merece ser relembrado.

1 – Decreto-Lei nº.43/98 de 3 de março

Armando Leal – JS Paredes

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