Inês Sousa: diretora da ADLousada – “Melhor projeto para o futuro …...

Inês Sousa: diretora da ADLousada – “Melhor projeto para o futuro … é manter o que temos construído até ao presente”

Inês Sousa, diretor da AD Lousada (Futebol Feminino)

178
0
COMPARTILHE

A diretor da AD Lousada, Inês Sousa, responsável pelo departamento de Futebol Feminino foi a principal impulsionadora da constituição da equipa de sub-15 que participa na Festa do Futebol Feminino que tem o seu epílogo no próximo domingo no Estádio do Jamor, juntamente com a final da Taça de Portugal entre Benfica e Valadares.
Numa curta entrevista a diretora explica-nos o ojetivo desta participação e de todo o projeto do clube na vertente do futebol feminino.

 

YES NOTÍCIAS: O que significa para estas jovens atletas a participação na Festa do Futebol no Jamor, sendo que para algumas esta foi a primeira experiência competitiva?
INÊS SOUSA: Esta equipa é muito especial. Foi constituída em muito pouco tempo, quer com atletas da casa quer com ex-atletas, as amigas de amigas, criou-se rapidamente uma empatia muito boa, pelos gostos comum, o de jogar futebol e o de vestir a nossa camisola.
O espírito de competição neste torneio é distinto do de um campeonato, mas temos todo o gosto que se divirtam, que disfrutem da festa aliada à prática desportiva e que esta experiência contribua para o desenvolvimento das capacidades de socialização e de espírito de equipa.

YN: O Futebol Feminino está em expansão. Acha que as recentes conquistas da seleção e da projeção mediática que se tem dado ao nacional de seniores e Taça de Portugal tem contribuído para isso?
IS: Sim, tem-se feito um óptimo trabalho no sentido de atrair atletas para a modalidade. Claramente que os resultados obtidos só vêm justificar que deve ser incondicional o apoio dado pela FPF, e pelas associações distritais à modalidade, na versão feminina.

YN: Em termos institucionais que mais deveria ser feito para projetar o futebol feminino?
IS: Creio que a legislação tem de se adaptar à realidade, por exemplo, identificamos gralhas no processo de certificação do clube, pela fraca ou mesmo ausente contemplação da modalidade nas pontuações.
Considero que as escolas poderão ter um papel preponderante na articulação atletas/clube de forma a identificarem o interesse de meninas pela modalidade e até promovermos parcerias como torneios, participação em treinos, promoção de captações nas escolas, mas temos estado a trabalhar nesse sentido.
Mas em relação ao concelho de Lousada, temos assistido a uma crescente adesão de atletas à modalidade de Futebol, e também de Futsal, e consideramos crucial  o apoio que a CML atribui ao Desporto também através dos espaços desportivos que estão ao dispor das mais variadas associações, e dos quais também podemos usufruir.

YN: Considera que deveria haver todos os escalões de formação, tal como nos masculinos?
IS: Se o número de atletas a integrar justificar que se estenda a todos os escalões, considero que sim. Seria um óptimo sinal de crescimento na modalidade e na mentalidade futebolística.

YN: Como avalias a base de recrutamento para o futebol feminino no concelho de Lousada?
IS:
Consciente de  que a massa de atletas é menor, a exemplo das nossas equipas, temos meninas dos concelhos vizinhos, mas o mesmo se deve também à falta de equipas perto das suas áreas de residência, as portas estão abertas a todas.  A prática de desporto traz enormes benefícios ao desenvolvimento dos jovens, independentemente do género. Considero que o recrutamento deve ser feito na mesma base do futebol masculino, por gosto e dedicação à modalidade, procuram o clube e crescem connosco, em bom exemplo das nossas equipas séniores, maioritariamente constituídas com ouro da casa.

YN: Acha que existe ainda o estigma de serem apelidadas de “Maria Rapaz” e que isso de alguma forma complica esse recrutamento?
IS: Mantemos vivos estes estigmas se continuarmos a debatê-los. Se as meninas gostam de jogar futebol ou futsal, só têm de praticar a modalidade independentemente das opiniões que possam surgir nos seus meios. O desporto não escolhe género, somo nós que escolhemos o que pretendemos praticar.

YN: Quando o projeto do futebol feminino da ADL parecia cimentado, teve de começar do zero esta temporada. Quais são as maiores dificuldades com que o clube se depara para sustentabilidade do projeto?
IS: A ADL começou este projeto, pioneiro face à realidade do futebol português, em 2015. Fomos crescendo em número de atletas e na tabela das competividades, e muito nos orgulhamos disso. O futebol tem um forte mercado de transferências, e isso também chegou ao feminino, no caso, talvez se deva à escassez de atletas.
Esta época ajudou-nos a reforçar a nossa visão para o projeto, que assenta naturalmente no gosto pela prática da modalidade, no indiscutível amor à camisola, na diversão e respeito em competição, e no espírito de equipa que nos fez entrar em campo com 7 (futebol de 9) e 8 atletas (futebol de 11) e ainda assim honrar o tempo de jogo, em desigualdade, mas com a mesma garra de principio ao fim, e sair com sentimento de objectivo cumprido.
Com estes quatro características, estão reunidas as condições para levar duas equipas, a ferros, que renasceram no início da época, até ao final das competições.

YN: Quais os projetos para o futuro?
IS:
O melhor projeto para o futuro que podemos ter, é manter o que temos construído até ao presente. Iniciaremos em breve a futura época, gostávamos de associar estas novas atletas que estão a participar na FFF, teremos todo o gosto em que façam parte da equipa. Temos as portas abertas para todas as atletas que queiram praticar a modalidade, quer as mesmas tragam técnica ou venham à experiência, mas queiram aprender e crescer com a Associação Desportiva de Lousada.

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA