Tema da inclusão juntou professores e diretores em debate em Lousada

Tema da inclusão juntou professores e diretores em debate em Lousada

Especialistas debateram alterações propostas pela nova legislação da inclusão.

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Professores, diretores, psicólogos de vários restabelecimentos de ensino e agrupamentos escolares do concelho de Lousada participaram, esta quinta-feira, num debate  que teve como tema central a questão da inclusão e o novo regime legal aprovado pelo XXI Governo Constitucional.

O fórum “Educação para a Inclusão”, promovido pela Câmara Municipal de Lousada, a Câmara Municipal de Felgueiras e CFAE Sousa Nascente, contou com a presença de vários especialistas da área da inclusão.

O novo regime legal convoca todos os intervenientes e actores da comunidade escolar a envolverem-se ativamente no processo de inclusão que deixa de estar veiculado apenas aos alunos com algum tipo de deficiência ou dificuldades na aprendizagem e passa a ser alargado a todos os discentes.

A sessão de abertura contou com o vereador da Educação da Câmara de Lousada, António Augusto Silva, a diretora do Agrupamento de Escolas Dr. Mário Fonseca, Ernestina Sousa, e o Diretor do CFAE Sousa Nascente, António Campos.

Conceição Menino, da Unidade de Inclusão e Sucesso Educativo da DGEstE, realçou que todos temos a responsabilidade de fazer com que a inclusão seja uma realidade nas escolas, salientando que as escolas continuam a ser dos espaços, dentro da organização social, mais inclusivo.

“Neste momento, o que está aqui em causa, é um compromisso de todos, é uma exigência da sociedade. Não há condições, na forma como estamos a avançar, para que não seja este o caminho. Temos de arregaçar as mangas e fazê-lo cumprir. É um imperativo da nossa democracia ”, disse, sustentando que nada se fará de um dia para o outro e que a nova legislação representa um desafio.

“Esta legislação é completamente diferente do decreto de lei 3 de 2008. Podemos falar aqui numa mudança de paradigma”, expressou, sublinhando que o objetivo passa promover uma escola de qualidade para todos, em que o sucesso escolar se constrói com a inclusão plena de todos os alunos, através da adoção de medidas que lhes promovam o acesso ao currículo e a aprendizagens significativas e efetivas.

Na sua intervenção, Conceição Menino referiu que a escola pública não escolhe os seus alunos, não tem o direito de ter um determinado tipo de alunos.

“Os alunos têm o direito à escola, a uma escola que lhes dê garantias de sucesso. Este é um princípio basilar”, disse, manifestando que a escola tem de estar preparada para responder a todos e a cada um, cabendo a cada professor adequar as formas de ensinar ou avaliar a cada um destes alunos.

Conceição Menino reconheceu que a nova legislação coloca a questão central na atividade do professor.

“O professor tem de estar permanentemente a refletir sobre as suas práticas e é a partir dessa reflexão que ele vai mudar, alterar, ajustar as suas práticas. necessitamos de estar permanentemente a refletir sobre o que estamos a fazer e se o que estamos a fazer está efetivamente a ser útil para aquele aluno para que ele possa ter sucesso”, declarou, sublinhando não ser justo que, hoje, tenhamos gerações que passaram pela escola e levarem pouco do que aprenderam, existindo muitos recursos envolvidos cujos alunos não tiram resultado disso.

“É preocupante que tenhamos taxas de insucesso escolar assustadoras no segundo ano de escolaridade, alguma coisa, também, não esta a correr bem… mas temos de olhar para isso”, assegurou.

Falando do novo regime legal, Conceição Menino manifestou que a nova legislação implica remover todas as barreiras sejam arquitetónicas, sociais, cognitivas, de aprendizagem, socialização, da comunicação, entre outras.

“A variedade da origem das crianças que temos nas nossas escolas, a verdade é que cada uma traz coisas diferentes para a escola e é essa diversidade que é o grande desafio para a escola”, atestou, reconhecendo que desde a publicação do decreto-lei 54 que há poucas escolas que tenham incluído no projeto educativo esta nova visão do que se quer para a educação das crianças.

O vereador da Educação da Câmara de Lousada ressalvou que este encontro teve subjacente as alterações que foram produzidas no último ano relativamente à educação inclusiva, servindo este fórum para dar a conhecer aos profissionais e atores de cada um dos estabelecimentos de ensino as alterações que a nova legislação preconiza em matéria de inclusão.

“É fundamental perceber os caminhos, as experiências para que se consiga prestar  um melhor serviço aos alunos com necessidades educativas especiais e à comunidade em geral”,   atalhou.

O primeiro painel teve contou, também, com o contributo de Vitor Tété Gonçalves, responsável pelo CFAE Guilhermina Suggia.

O fórum integrou, ainda, a intervenção de Manuela Sanches Ferreira e da Sílvia Alves, ambas da ESE – Politécnico do Porto, que apresentou o tema “Modelo Multinível de prevenção e intervenção na escola: o Suporte aos comportamentos positivos e o Decreto-Lei 54/2018”.

Refira-se que o novo regime legal da inclusão defende que o sucesso escolar constrói-se com a inclusão plena de todos os alunos.

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