União Desportiva de Lagoas, um clube em expansão

União Desportiva de Lagoas, um clube em expansão

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União Desportiva de Lagoas, clube sediado na freguesia de Nevogilde, foi formado em 1978, transição feita do antigo clube, União Desportivo da Tapada, fundado em 1932.

Rogério Morais, presidente do União Desportiva de Lagoas há quatro anos, revelou o principal objetivo da associação: “O objetivo principal é sempre manter a associação em funcionamento, o que nem sempre é fácil. De 1978 até à época 2013/2014, tínhamos apenas as equipas de veteranos e seniores, agora decidimos expandir a dinâmica do União Desportiva de Lagoas apostando na formação, criando outras equipas de diferentes faixas etárias. As expectativas foram ultrapassadas, uma vez que conseguimos criar cinco equipas. Neste momento, temos 113 atletas, dos 5 aos 19 anos, que pertencem ao União Desportiva de Lagoas. Temos também uma equipa sénior e uma equipa de veteranos”, explicou o nevogildense.

O clube de Lagoas já tem uma longa história. Rogério Morais falou de alguns desses momentos, que marcam a existência do clube: “A União Desportiva de Lagoas foi a primeira equipa do concelho de Lousada a entrar na Associação do Porto, na altura intitulada de União Desportiva da Tapada, em vez de União Desportiva de Lagoas. O clube esteve no campeonato do INATEL, no Porto, na década de 90. Durante 10 anos, o clube competiu no Campeonato Amador de Paredes, onde chegamos inclusivamente a ser campeões. A equipa feminina participou no Campeonato da Federação de Futebol Amador do Concelho de Penafiel (FFACP), onde chegou a conquistar o primeiro lugar. O clube tem história e nós queremos dar-lhe continuidade”, disse o Presidente do União Desportiva de Lagoas.

O principal obstáculo que o clube enfrenta são as condições, que nem sempre são as melhores: “As condições não são boas, tentamos adaptar-nos às condições que temos. Tentamos sempre combinar da melhor maneira jogos e treinos, para que todas as equipas tenham tempo para treinarem e terem jogos no nosso campo. O campo está sempre ocupado de segunda a segunda, temos que fazer uma boa gestão do tempo e tentamos ajustar os horários à disponibilidade dos miúdos. Não é fácil esta tarefa, chegamos a ter em certos dias o campo dividido em dois. Numa primeira etapa, a Câmara
de Lousada investiu na construção de campos com relvados sintéticos para cinco clubes, numa segunda etapa de investimentos, esperemos que o nosso clube seja um dos escolhidos, porque realmente é fundamental a colocação de campos com relvado sintético para o crescimento da nossas equipas”, disse o dirigente desportivo.

A direção do clube quer novos campos: “O objetivo é construir mais campos, criar um complexo para o clube. Não é um objetivo que esperamos alcançar em curto prazo, esperemos pôr em prática este projeto dentro de dois, três anos. Temos decisões que têm de ser tomadas a curto prazo. Ainda há poucos dias estive na Câmara Municipal de Lousada e há decisões que têm de ser tomadas num mês”, salientou.

O futebol também é para as mulheres

Jéssica Sousa, a capitã da equipa feminina, falou do ser percurso no clube: “Em pequena já jogava cá. Essa primeira equipa acabou por se extinguir e, em maio deste ano, formamos uma nova equipa. Já ganhamos entretanto um torneio na AFAL. Não foi muito fácil essa conquista, as equipas concorrentes eram fortes mas, felizmente, conseguimos”, contou.

A jovem amante do futebol explicou o sentimento de união vivido na equipa feminina: “A nossa equipa é muito unida, até porque sem uma equipa unida não se vai longe. Apesar de ser o nosso primeiro ano juntas como equipa, vamos fazer o nosso melhor, o importante é fazer boa figura e quem sabe até ganhar”, disse a jovem, natural de Lodares.

Pedro Miguel, capitão da equipa dos juvenis, explicou a sua entrada no clube, de apenas 15 anos, salientou o bom ambiente vivido no clube: “A nossa equipa é como uma família, somos muito unidos, o Presidente do clube e o coordenador ajudam muito neste bom ambiente sentido nas equipas. Na formação, é-nos ensinado que devemos sempre fazer o nosso melhor, seja dentro ou fora de campo, e nunca deixar de ser humildes, mas jogar sempre com muita garra dentro de campo”, concluiu.

Cristina Couto, treinadora dos Traquinas desde da época passada, falou da sua primeira experiência no clube como jogadora da equipa feminina: “Fomos das primeiras equipas femininas a serem criadas em Lousada. Numa fase inicial, éramos mesmo a única equipa lousadense a participar no campeonato da FFACP de Penafiel. O União Desportiva de Lagoas deu-me a minha melhor experiência. Foi uma equipa que nasceu do nada, éramos
uma boa equipa, e fiz aqui grandes amizades. Na altura foi um desafio a criação de uma equipa feminina mas também tivemos a ajuda do Nelo Ribeiro, um dos principais pilares da equipa”, disse a antiga jogadora.

A treinadora dos Traquinas falou ao Yes Lousada desta sua nova fase no União Desportiva de Lagoas: “Agora, como treinadora, a experiência é completamente diferente, é estar do outro lado. Trabalhar com crianças também é uma faceta nova na minha vida, sou eu que aprendo com eles todos os dias. Estou a gostar da experiência, é um lugar que gosto de ocupar, foi um desafio pessoal, e a experiência está a ser ótima, é bom trabalhar com os pequeninos. Ser treinadora dos Traquinas é muito mais que ensinar a jogar futebol, quero contribuir para uma boa formação cívica dos miúdos e contribuir para o crescimento
saudável deles”, explicou a jovem treinadora.

Cristina Couto salientou que os títulos não são a prioridade da equipa: “ O principal objetivo não são os títulos, apesar que eles têm tido um bom desempenho a nível competitivo, ficando na época passada bem classificados, mas o mais importante é haver espaço para crescerem como jogadores e como pessoas. E eu vou sempre dar o meu melhor para poder desempenhar da melhor maneira o meu papel de treinadora”, concluiu
a antiga jogadora do União Desportiva de Lagoas.

Patrícia, Coordenadora do União Desportiva de Lagoas, falou na responsabilidade adquirida com este cargo: “É uma responsabilidade enorme este cargo. A coordenação não é feita só por mim, há uma equipa completa a ajudar nessa tarefa. Temos sorte em ter uma equipa
que trabalha sem esperar nada em troca. Tentamos, dentro daquilo que nos é possível, alcançar sempre as condições mínimas exigíveis”, disse a lousadense.

Patrícia Cunha referiu, emocionada, as dificuldades que o clube enfrenta: “Falta muita coisa ao clube, apoios principalmente, podia haver mais apoios por parte da Câmara Municipal. No ano passado, trabalhamos muito para conseguir um campo sintético e foi-nos negado. E a nossa vez há de chegar. Mas conseguimos outras coisas, conseguimos alargar o campo, as obras cá são feitas através da contribuição dos pais dos atletas do clube”, disse a Coordenadora.

Nelo Ribeiro, treinador atual da equipa sénior, ocupa este cargo desde dezembro do ano passado: “Sou treinador da equipa sénior desde a época passada e este ano vou continuar
com a equipa. Já fui treinador de outras equipas, como dos seniores e dos juniores do Valmesio, da equipa feminina do União Desportiva de Lagoas. Já tenho alguma experiência
na área do futebol”, referiu o técnico do clube.

Nelo Ribeiro falou sobre a nova época: “A equipa foi esta época reforçada, entraram novos jogadores, jogadores que já tinham passado pelo nosso clube, outros que não, e no meu entender a equipa tem qualidade para uma boa classificação no campeonato da segunda divisão distrital. A maior dificuldade passa por fazer entender aos jogadores que há diferenças entre o campeonato da época passada na AFAL e o campeonato deste ano na segunda divisão distrital. Um campeonato amador joga-se com uma maior intensidade de força, com muita confusão. Neste campeonato,vamos encontrar equipas que já jogam juntas há anos e com um ótimo jogo tático, temos que ser uma equipa equilibrada e com bom jogo tático”, referiu.

O treinador acabou a conversa referindo a importância do apoio dos adeptos: “O apoio dos adeptos é fundamental. Aliás, foi muito graças aos adeptos que chegamos a ganhar campeonatos, nomeadamente o Campeonato de Futebol Amador de Paredes”, concluiu Nelo Ribeiro.

Por Telma Moreira