Regresso II

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Regresso ao tema da educação e da abertura do ano letivo.
Poucos dias depois do início das aulas (porque a maioria das escolas Estatais optou por iniciar as aulas no último dia previsto no calendário publicado pelo Ministério da Educação), parece que nada falhou neste arranque letivo 2016/2017. Não há manifestações nem perturbação num ano em que vários ministros se desdobraram para estarem presentes em diferentes escolas. Tudo corre lindamente. Todas as escolas possuem as condições físicas mínimas para o arranque do ano letivo; todas as escolas estão com os professores devidamente colocados; não há erros nem enganos nos processos de colocação de professores; o pessoal não docente foi colocado devidamente e em número suficiente em todas as escolas; os técnicos de apoio ao ensino especial estão todos colocados (terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais, psicólogos…) e já a trabalhar com estas crianças e jovens. Pelo acompanhamento mediático (mais pela ausência dele) estamos perante o mais pacífico e melhor arranque letivo desde que há memória.
A questão é: corresponde esta ausência de ruído a uma real melhoria ou a um silêncio programado e previsto pelo verdadeiro ministro da educação: Mário Nogueira? Há dias, li algures um texto (não me lembro do local nem do autor) que afirmava que o arranque do ano letivo decorre sem problemas quando o Mário Nogueira quer. Este ano foi isso que sucedeu. Se atendermos aos autores de blogs de referência sobre educação, frequentemente utilizados como fonte jornalística pelo rigor dos factos apresentados (agora convenientemente esquecidos como fonte de realidade da educação), confirmamos que aquilo que sucedeu foi uma mudança de atitude de Mário Nogueira e da cobertura jornalística de problemas relacionados com educação e não uma mudança ou melhoria das práticas do Ministério.
Vejamos aquilo que constatei junto com outros Encarregados de Educação numa Unidade de Ensino Especial para Crianças e Jovens com Síndrome do Espectro do Autismo na primeira reunião do ano letivo. Nessa reunião, foi-nos comunicado que, este ano, a unidade abriria mais tarde, sem possibilidade alguma dos pais deixarem os filhos antes do horário de abertura (9.00h), e encerraria mais cedo (16.30h) também sem qualquer possibilidade de os pais irem buscar os filhos uns minutos mais tarde. Questionada pelos pais da razão desta alteração, a coordenadora respondeu, não sem algum constrangimento, que isto se devia à alteração das 40 para as 35 horas. Como não houve aumento de profissionais e como passavam a ter horários mais curtos, não era possível arranjar um horário diferente. Mas nada de grave na educação e no arranque do ano letivo. Aliás, sobre esta medida laboral aprovada pelo governo, nunca ninguém quis saber como funcionariam determinados serviços com o mesmo pessoal mas a trabalhar menos 5 horas semanais.
Além disso, a mesma coordenadora disse que as crianças da unidade (todas com grau bastante superior a 60%) haveriam de ter as terapias da fala, as terapias ocupacionais e o serviço de psicologia, possivelmente uma hora semanal de cada, assim que fossem colocados os técnicos. Quando, foi a pergunta? Nunca antes de meados de outubro.
Este é um exemplo real e não é um caso isolado.
Realmente, tudo está bem quando o Mário Nogueira quer.

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