GRECOgest(o) solidário ajuda 260 famílias carenciadas de Lousada

GRECOgest(o) solidário ajuda 260 famílias carenciadas de Lousada

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A Campanha 1000 teve o seu início em 2010. Trata-se de uma ação solidária da empresa Grecogeste, que teve origem na ideia do seu administrador, Manuel Fernandes. “Um dia, vinha de Luanda, depois de uma feira patrocinada pelos nossos fornecedores, e li no Jornal de Notícias o seguinte título: ‘Fome à vista no distrito do Porto’. Naquela altura, sentia-se o efeito da derrapagem do subprime dos estados, e comecei a ver que as indústrias do calçado e da confecção iriam sofrer fortemente, por causa da sua dependência, pois os mercados estavam a emigrar para o sudoeste asiático. E logo pensei: ‘se fizermos uma campanha a escrever que estamos numa região com desemprego, com fome, se pedirmos para nos oferecerem mil quilos de produto, nós convertê-lo-íamos em dinheiro, e assim foi”, conta.

Manuel Fernandes - Grecogest
O administrador, um lousadense de gema, de 74 anos, mostra-se orgulhoso na união solidária que todos demonstraram nesta causa: “Esta ideia teve muito impacto, pois conseguimos com os fornecedores cerca de cinco mil euros. Mas fizemos mais: todas as ofertas que a empresa fazia no Natal acrescentamo-las a esta iniciativa. Até os colaboradores da empresa ajudaram, cedendo a oferta àqueles que mais precisam”, diz, com orgulho.
A partir de 2010, a Grecogeste começou então esta campanha, que consiste na ideia simbólica de transformar 1000 Kg de um produto em 1000 kg de alimentos, que por sua vez foram dispostos em cabazes natalícios, garantindo a muitos daqueles que pouco ou nada têm um digno e merecedor Natal.
Destacando a cidadania ativa em prol dos outros, Manuel Fernandes considera um erro tanto desperdício em “festas e mais festas”, que noutros tempos eram mais bairristas, e agora são “sumidouros de dinheiro”. Para o responsável da Grecogeste, existe falta de solidariedade na nossa sociedade e conclui com este desabafo: “Fazer solidariedade não é difícil, é fácil. É um valor: dar de si antes de pensar em si.
Na edição deste ano, foram distribuídos 260 cabazes de Natal às famílias carenciadas. Desde 2010 até esta edição a Grecogeste conseguiu angariar para esta iniciativa mais de quarenta mil euros. Para distribuir os cabazes, a Grecogeste contou com a colaboração da Obra S. Vicente Paulo, através das suas várias conferências existentes no concelho de Lousada.
O YES Lousada foi conhecer mais de perto esta instituição, que está atenta às dificuldades e carências de muitas famílias do concelho de Lousada.

Conheça melhor a Obra S. Vicente Paulo em Lousada
A Obra S. Vicente Paulo, em Lousada, abrange 14 conferências, distribuídas por freguesias do concelho, tendo atualmente cerca de 150 voluntários.
A nossa função é visitar os pobres, ir ao encontro deles, não só monetariamente como espiritualmente”, explica Sílvia Ferraz, de 65 anos, presidente do Concelho de Zona das 14 conferências. Esta instituição ajuda cerca de quatrocentas famílias carenciadas, o que, para Sílvia, é preocupante: “Ainda há muita pobreza no concelho, tanto material, como espiritual. Muitas pessoas vivem sozinhas e isoladas, há muita pobreza envergonhada. As famílias confiam em nós, vamos ao encontro dessas pessoas, procuramos ajudar. E são muitas as famílias que ajudamos”.

Sílvia Ferraz
Sílvia Ferraz

Com alguns benfeitores e iniciativas de angariação de fundos, as conferências conseguem ter algum dinheiro para resolver os problemas de muitas famílias. Todo o trabalho desenvolvido é voluntário: “Não temos horário, vamos quando podemos, mas com gosto. Gosto muito de ser vincentina, é uma mais-valia para mim. Ao levar o evangelho aos pobres, também estamos a evangelizar-nos a nós”, afirma, com orgulho.

Uma grande prenda de Natal
Para a vincentina, o exemplo de caridade da empresa Grecogeste não é simbólico, é relevante: “Este trabalho da Grecogeste é muito importante, pois dão um cabaz a cada família. Nós só o completamos com mais uma pequena graça. As pessoas ficam muito contentes. Quando foi a primeira vez, ficamos muito admirados. Felizmente, tem continuado, ano após ano. É um grande exemplo para que outras empresas façam o mesmo. O nosso fundador diz que devemos abraçar o mundo numa rede de caridade, e o gesto da Grecogeste simboliza muito bem esta mensagem”.
Os cabazes entregues são em número suficiente para as famílias que precisam e são compostos por bens essenciais, tais como arroz, açúcar, massa, farinha, leite, feijão, atum, azeite, salsichas, pão de ló, um bolo, entre outros bens alimentares. “Ficam todos contentes, todos querem o cabaz da Grecogeste, é uma grande ajuda”, refere Sílvia Ferraz, deixando um apelo: “Não deitem roupa no lixo, não queimem a roupa, não faltará gente que aproveite”.

Conceição Morais é responsável pela Conferência Vincentina de Cristelos e também refere as carências que encontra no concelho. “Estamos atentos aos problemas do irmão, às suas necessidades. Há muita pobreza, muita gente com poucos recursos, reformas muito baixas, idosos com poucos recursos. Nós cantamos umas Janeiras e assim sobrevivemos. Esse dinheiro é encaminhado para camas articuladas, cadeiras de rodas, colchões, andarilhos, canadianas… Todos os apoios que as pessoas precisam.”, explica.
Sobre as características do voluntário, Conceição Morais diz que “é preciso aparecer, ter boas qualidades para ajudar, ter perfil para ser voluntário. Não olhar a religiões e ter vocação”. No seu caso pessoal, tudo começou com um apelo que surgiu em circunstâncias muito especiais: “Foi um chamamento que tive através de um problema de saúde e a forma como fui tratada pelas auxiliares fez com que me envolvesse. O importante é estar ao serviço do próximo”.
O envolvimento de toda a sociedade é importante, seja qual for a forma de ajudar: “Ficamos agradecidos quando nos oferecem uma cama, um móvel… Há muita pobreza no concelho de Lousada. Encontramos nesta época de Natal um sem-abrigo e uma idosa com muito pouca roupa na cama. Tinham frio e nós ajudamo-los”, conta. Os jovens têm um papel muito importante nestas ações, que os acompanharam. Conceição recorda “a alegria daquele abraço tão feliz, tão feliz! Faz com que nos sintamos realizados”.

Conceição Morais
Conceição Morais

A ajuda da Grecogeste é por ela caracterizada como “impressionante”. Enaltece esta mão amiga, por quem “somos muito bem tratados, com uma simplicidade…Preocupam-se mesmo com os pobres deste concelho. Admiro-os e a toda a sua equipa. Proporcionaram um Natal muito mais quente a toda a gente”, diz, satisfeita.
Esta voluntária mostra-se muito atenta à realidade e, quando tem meios, procura forma de os rentabilizar: “Estou muita atenta. Se tenho roupa de bebé, já sei para onde ela vai.
Não fico contente nem feliz com a pobreza, fico muito contente quando chego e ajudo a minimizar os problemas de pobreza. As épocas do Natal e da Páscoa são sempre alturas muito difíceis”.

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