O Bordel de Lousada

O Bordel de Lousada

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14:30h. Estou junto ao antigo Tico-Tico e tenho um funeral às 15:30h em Barrosas. Quero chegar mais cedo para apresentar as minhas condolências à família. Decido seguir pela variante que liga o centro da vila a Lustosa e de lá tomar o rumo em direção a Barrosas. Como a viagem é rápida, sigo calmamente por entre uma serra ardida coberta de castanho e cinza. Todo o espetáculo é deprimente neste bordel da nossa terra!
No simples trajeto e sem me desviar da rota, conto 12 mulheres (fora as que estarão, quiçá, em serviço) que se dedicam à prostituição junto dos seus carros nas bermas da estrada. Clientela, pelos vistos, também não falta e, até, carrinhas de “caixa aberta” com a publicidade das respetivas empresas ali estacionam para celebrar contratos sinalagmáticos, livres de impostos, com o risco das DST e da reputação (ou não, porque macho que é “macho”, dizem, vai às putas, não é?) mas com a satisfação do prazer momentâneo. É, afinal, a lei do mercado a funcionar, a famosa oferta e procura, num setor económico que movimenta milhares de milhões de euros (os números conhecidos revelam que, uma prostituta que trabalhe “em casa”, tem em média 1300 relações sexuais anuais e um lucro, também anual, de 28 mil euros, qualquer coisa como € 2.300,00 mensais).
A prostituição não é novidade e é um desafio real para a sociedade portuguesa. Por esse motivo, já há muito que esta matéria deveria ter sido objeto de regulamentação singular que impedisse, sob cominação grave, o espetáculo prostituto a que se assiste, neste momento, também em Lousada.
À sua falta (porque temos partidos que não querem reconhecer o que está à frente dos olhos) e até que isso avance, Lousada tem de fazer alguma coisa. É um imperativo para o bom-nome da nossa terra, por questões de saúde pública e dignidade da pessoa humana e, afinal, de tentativa de eliminar um fenómeno local que tem sérias consequências reputacionais para uma área que se pretende de desenvolvimento económico e onde, qualquer um de nós, deve poder passar com os seus filhos sem ter de os expor a um espetáculo daqueles. Talvez colocar uma linhas amarelas nas faixas e pedir a colaboração das autoridades para terem mãos pesadas nas coimas elimine o efeito do mercado. Mas esta é só uma das ideias que se podiam implementar… De certeza que se podia também trabalhar em conjunto com a sociedade civil no sentido de combater o fenómeno, mormente, juntamente com associações e instituições que trabalham na área.
Há, claro, uma outra possibilidade, muito radical e alternativa… Em 2013 em Viseu, as “esposas de Viseu” começaram a divulgar num blogue as matriculas dos veículos dos frequentadores do “Bairro Vermelho”, como lhe chamaram, e o fenómeno deixou de existir. A procura também se elimina assim…
Portanto, a não ser que o objetivo seja atrair aquele “setor produtivo” para aquela área empresarial, urge fazer alguma coisa e não, por medo, manter os olhos fechados.

Por João Correia