“Governar a pensar a 20 a 30 anos e não governar no...

“Governar a pensar a 20 a 30 anos e não governar no dia a dia.” António Mendes

COMPARTILHE

António José Pacheco Mendes, de 51 anos, é o líder do CDS-PP em Lousada. Eleito há poucos meses, tem pela frente o desafio das autárquicas. Depois de firmada a coligação com o PSD local, é hora de afinar a estratégia para tentar derrubar o Partido Socialista, à frente dos destinos do Concelho há quase três décadas.

YES: Com surgiu o seu interesse pela política?

António Mendes (AM): O interesse surge na infância. Era um rapazito que gostava de conviver com os mais velhos. Passava muito tempo com pessoas de referência na minha freguesia. Pertenci também ao Grupo de Jovens de Caíde de Rei, onde era provavelmente o mais novo ou um dos mais novos. A esse grupo pertenciam jovens com muito valor. Jovens que gostavam de falar de política, entre outros assuntos. Ouvi-los para mim era apaixonante. Ficávamos horas no café Convívio em Caíde e, depois de ele fechar, no seu exterior a conversar.

YES: Qual a razão da escolha do CDS- PP? 

António Mendes (AM): A razão é muito simples:  os seus pilares ideológicos, os valores defendidos pelo CDS, tais como a família, o perdão, o respeito pela vida, pela dignidade da pessoa humana, solidariedade sem exibicionismos, darmo-nos, não dar apenas; o dar é fácil e, se for com o dinheiro dos outros, mais fácil ainda, mas a pessoa dar-se ao próximo é muito mais difícil. A defesa da meritocracia não dependência das amizades, falar verdade, a não presença do Estado em tudo; a boa gestão daquilo que não nos pertence, seja do Estado seja da Empresa privada onde trabalhamos. Tive a sorte de poder fazer as minhas escolhas livremente depois de ver e viver diferentes meios. A minha extraordinária família assim o permitiu. Sou filho de um ferroviário. Após o 25 de Abril de 1974 fizeram-se muitas manifestações, tanto no Porto como em Lisboa, às quais o meu pai não faltava e eu acompanhava-o, tinha 10 anos. Faziam-se comboios especiais grátis para levar as pessoas. Vivi por dentro todo esse ativismo. Mas por outro lado também tive a sorte de ser neto de um homem admirável, um dos meus ídolos: o Sr. Abílio Pacheco de Sr.ª Aparecida, um empreendedor que começou do nada e veio a ser um grande empresário, um homem muito inteligente. O meu avô era um homem da política autárquica. Passei muito tempo com ele, era um apaixonado pela família, amigo do amigo, solidário no seu verdadeiro sentido. Para enquadrar melhor, devo dizer que a minha segunda casa era a casa do meu querido professor Trigo, também ele político e autarca do CDS. Quero dizer que escolhi o CDS pelo seus valores, vi que era com os seus ideais que me identificava. Conheci os dois lados, duas posturas, dois projetos distintos. E escolhi de acordo com a minha consciência. Sou sem dúvida um Democrata Cristão. O CDS não tem o exclusivo de alguns destes ideais, eu sei, mas há valores que só o CDS defende.

YES: Caracterize o atual momento do CDS a nível de militantes entre outros aspetos? 

António Mendes (AM): O CDS tem um problema que se prende com facto dos seus militantes e sobretudo simpatizantes serem demasiado discretos e até ausentes. Discretos porque estão na sociedade agindo, trabalhando em prol da comunidade sem quererem mostrar-se, sem usarem essa participação cívica para fazerem política. Por outro lado, pela ignorância e má fé de muitos, incluindo de alguns jornalistas que apelidam o CDS de partido dos ricos, de extrema direita. Isso inibe alguns de se assumirem. Mas repare apenas num pequeno exemplo:  o Dr. Bagão Félix, enquanto Ministro pelo CDS, foi quem fez alterações importantes ao nível dos direitos dos trabalhadores na Lei Laboral.

YES: Que importância poderá ter o seu partido num concelho como Lousada? 

António Mendes (AM): Pode ter muita importância. Veja bem a que ponto chegou o país e o mundo em termos de respeito pelo próximo, tolerância, insegurança no emprego, insegurança nas ruas. Impera o medo, vive-se em pânico. É necessário promover a confiança. As pessoas sentirem que as suas vidas e dos seus filhos  não dependem da sua cor política, da sua cor de pele ou da sua religião. Quando digo vida, refiro-me a ter trabalho ou acesso a apoios. Nós falaremos sempre verdade e lutaremos por ela. Temos uma forma de estar que nos distingue em alguns aspetos e é por aí que queremos ir e deixar a nossa marca. Também pelo lado da juventude. Devemos pensar nos jovens e a melhor forma de o fazer é tê-los connosco. A JP Lousada tem jovens brilhantes reconhecidos, tanto a nível local, inclusive pelas outras forças políticas,como nas estruturas distritais e nacionais. Os que mais recentemente aderiram, que estão agora a chegar à política, também têm um potencial enorme.

YES: Já está definido o acordo de coligação com o PSD Lousada. Foi fácil chegar ao consenso? 

António Mendes (AM): As negociações pressupõem sempre algumas dificuldades, mas quando temos objetivos comuns e temos muito que nos une, como costumo dizer, estamos lado a lado a olhar na mesma direção. Convém não esquecer que nas eleições autárquicas as pessoas contam muito para facilitar as negociações. Conhecemos o seu caráter, temos relações de amizade ou de vizinhança, etc. E o CDS Lousada historicamente tem essa capacidade, a de gerar consensos.

YES: Afinal, o que consegue o CDS com esta coligação, tendo em conta que muito dificilmente elegerá um vereador? 

António Mendes (AM): O nosso Concelho é que conseguirá ter mais CDS na Autarquia, se os eleitores assim o entenderem, obviamente.

YES: O CDS Lousada intervirá na campanha em que moldes? 

António Mendes (AM): Estando sempre presente! É uma coligação, não uma geringonça.

YES: Foi uma decisão concelhia ou foi uma imposição distrital a cedência na posição do vereador para o seu partido? 

António Mendes (AM): O CDS não fala no singular, o CDS usa na sua linguagem o “nós”!

YES: Caracterize a governação socialista ao longo destes anos? 

António Mendes (AM): Como já o disse noutras ocasiões, fez coisas boas, em que nos revemos, outras faríamos de forma diferente, mas fez outras nas quais não nos revemos de forma alguma. De facto, há obras de fundo que não foram feitas e que, na nossa opinião, deveriam ter sido feitas, a pensar, não no imediato, mas sim no futuro. Governar a pensar a 20 a 30 anos e não governar no dia a dia. Exagerou-se nas festinhas, acho que se despendeu demasiado dinheiro nas festinhas, em que não nos revemos. Noutra matéria, acho que se poderia ter ido mais longe a nível da redução do IMI nas famílias carenciadas, ou numerosas. Peca por tardia a aposta na formação e na captação de investimento, muitos projetos deixamo-los fugir devido a esse atraso. A nível de marcas, o concelho poderia ser uma referência na área do têxtil. Uma aposta nessa área seria positiva para o concelho. Poderíamos ser a capital do país nessa área, aproveitando melhor toda uma história que temos.

YES: Como analisa a pessoa de Pedro Machado enquanto presidente da Câmara? 

António Mendes (AM): Tenho dito, quer em público quer em privado, que tenho muita estima e amizade pelo Dr. Pedro Machado. Aqui está um dos valores que defendemos: falar verdade. Considero-o uma pessoa honesta e muito educada, sabe estar. Conheço-o desde muito jovem e mantenho esta opinião sobre ele.

YES: O momento político nacional e a atual conjuntura poderá beneficiar o PS Lousada nas eleições? 

António Mendes (AM): Penso que sim. Repare que a execução orçamental do ano passado foi má, muitas obras públicas não foram lançadas. Com que objetivo? Não foi certamente para ficar com o défice abaixo do exigível pela instâncias europeias, pois, se se recorda, o Governo PSD/CDS-PP foi muito acusado pelos partidos da Geringonça de estar a ir mais longe do que era exigido pela Troika, logo não iriam cometer esse erro. Claramente foi para lançarem este ano imensas obras, porque é ano de eleições.

YES: O CDS Lousada irá apoiar pela terceira vez a candidatura de Leonel Vieira. Quais as principais razões para este apoio?

António Mendes (AM): O Homem é o mesmo… Na pior das hipóteses, melhorou, cresceu culturalmente, amadureceu. (sorriso)

YES: Para si, quais serão as principais prioridades nesta campanha por parte da Coligação? 

António Mendes (AM): Falar verdade, ética, respeito.

YES: Neste momento, a Coligação tem a maior parte das juntas de freguesia. Sente que esse poderá ser o maior trunfo para estas eleições? 

António Mendes (AM): É muito boa essa realidade, sobretudo pela obra feita. Se tivessem feito um mau trabalho jogaria contra nós. Mas volto a dizer o CDS pensa sempre no “nós”. Sozinho e sem humildade ninguém consegue nada.

YES: Que mensagem gostaria de deixar para que os eleitores apoiem a candidatura da Coligação no próximo ato eleitoral? 

António Mendes (AM): O que disse o Papa João Paulo II: “Não tenhais medo”.