Niceastro e Sérgio F. Dias, casos de sucesso na internacionalização

Niceastro e Sérgio F. Dias, casos de sucesso na internacionalização

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Foi desde muito cedo, com  apenas 11 anos de idade, que Sérgio Dias começou a trabalhar como trolha: “Infelizmente, eu fiquei sem pai e as condições da família não eram muito boas. Então, acabei o sexto ano e comecei logo a trabalhar, numa grande empresa em Lousada, a Artur Bessa Coelho, e da categoria de servente passei para oficial de segunda, depois para oficial de primeira. Entretanto, saí dessa empresa e comecei a trabalhar na SMTR, uma empresa lousadense onde evolui, desde oficial de primeira, passando por comercial, até criar a minha empresa, que foram dois anos e meio, três anos..

Criada em 2010, a Niceastro, de nome “esquisito”, dado que foi uma empresa na hora, é hoje uma marca de referência a nível nacional na área da construção.

Agora com 37 anos, Sérgio Dias explica a dificuldade que teve no início da empresa: “Comecei com oito homens a trabalhar, mas eu sempre fui uma pessoa um pouco ambiciosa, e a minha ambição era realmente crescer. Apostei no crescimento, mesmo a nível do pessoal. Comecei a crescer, comprei uma carrinha. Entretanto, apostei na internacionalização, nomeadamente Espanha”, refere, apontando este com um momento importante para a empresa, que se vira para a aposta na colocação de fibra ótica: “Graças a Deus, também funcionou muito bem, fiz técnicos, formei algumas pessoas. No início foi um pouco difícil, mas, com a ajuda de alguns amigos espanhóis que já estavam dentro da telefónica, conseguimos ultrapassar os vários obstáculos que foram surgindo, chegamos a ter lá 160 homens a instalar fibra, em Barcelona, Girona, nas ilhas Canárias e Saragoça”, destaca o jovem empresário.

Com esta experiência de internacionalização e com a redução de trabalho na colocação de fibra ótica, e dadas as condições excelentes da empresa, Sérgio decidiu abrir uma nova área de negócio, apostando nos transportes internacionais em 2015, a Sérgio F. Dias, Transportes Internacionais, Lda :  “Sempre achei que nunca devemos ter os ovos no mesmo cesto. Por isso, fiz um estudo de mercado, até perceber bem outras áreas. No fundo, os transportes internacionais parece não terem nada a ver com a construção civil e na verdade não têm, mas a forma como direccionei a minha empresa de construção civil, que é a cedência de mão de obra, é semelhante a situações que ocorrem nos transportes”, conta.

Foi um ano a fazer um estudo, desde combustível, os consumos dos camiões, o custo de um funcionário, quilómetros, portagens, até perceber se o investimento seria ou não rentável. Quando percebeu que era, meteu mãos à obra: “Tinha de comprar um camião ou dois,  ter um motorista ou dois de confiança, pegar nesses camiões e trabalhar para empresas transitárias… Foi o que fizemos. Compramos dois camiões em dezembro de 2015, arrancamos em janeiro de 2016. No primeiro ano, terminamos com seis camiões, no segundo ano completamos os dez e agora temos 16. É uma aposta ganha”, considera o jovem empresário, referindo também que são muitos os obstáculos neste tipo de negócio, pois exige outro tipo de infraestruturas,  outro tipo de investimento: “Para termos um só camião e uma galera são  precisos cerca de 150 mil euros. Traduzindo isso em 10 camiões, anda na ordem de 1 milhão e meio de euros de investimento”, explica.

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Entretanto, Sérgio Dias está a criar a sua própria logística, tendo já uma transitária a funcionar, trabalhando diretamente para os clientes da empresa. “Por isso, estamos a fazer um pavilhão com 3 mil metros quadrados de área coberta e 7 mil metros no total”.  A   área de intervenção da empresa de transportes é a Europa, sendo um “mercado muito competitivo e muito agressivo”. A empresa fatura à volta de duzentos e cinquenta a setenta mil euros por mês e cerca de vinte funcionários.

Niceastro, um caso de sucesso na internacionalização

A Niceastro começou em Portugal, saltou para Espanha, tendo surgido a oportunidade de entrar no mercado Belga, começando com apenas cinco homens, tendo agora cerca de 80: “O mercado externo é sempre uma oportunidade, pela faturação, é sempre um mercado atrativo. Há sempre muitos gastos, mas a faturação é expressiva e a margem é melhor, embora o mercado externo esteja a ficar demasiado saturado. Eu noto que, por exemplo, na Bélgica neste momento já há demasiada concorrência. Já notamos que vão para lá pessoas dar preços que não têm cabimento e que estragam o mercado”, lamenta Sérgio Dias.

Desapontado com a forma como muitas empresas aproveitam as falhas na lei, permitindo a mudança de nome e criando concorrência desleal, Sérgio aponta estas duas empresas como um exemplo diferente de responsabilidade e de longevidade: “Eu vou lutar até à exaustão para que daqui a 40 anos a Niceastro seja a Niceastro e a Sérgio F Dias seja a Sergio F Dias. É isso que pretendo para a minha vida, sou muito novo, e este é o meu projeto de vida. Faço o que gosto, sou incansável, não tenho horas para nada. Quando se faz o que se gosta, as coisas vem por si só”, assegura.

Atualmente, segundo o empresário, o mercado interno está a melhorar, com uma média de 130 colaboradores em Portugal e 80 colaboradores no mercado externo, divididos entre a Bélgica, Alemanha e Noruega, com projetos específicos : “A Niceastro gosta de cumprir os seus objetivos, e um deles é só pegar em obras quando temos capacidades. Neste momento, temos a capacidade que temos, não podemos esticar muito mais, graças a Deus obras não nos falta”, regozija-se, referindo de seguida uma das maiores apostas da empresa, o mercado norueguês: “Fizemos duas grandes obras, casas para a assistência social, para pessoas que saíam da cadeia e iam para ali ter apoio. Fizemos um hotel na capital. Foram obras que nos deram coragem para continuar. Na Bélgica, apesar de todas as tribulações, tem sido uma aposta ganha, porque nós na Bélgica direcionamo-nos para a construção térmica, fugimos da concorrência em que todos estão metidos, gostamos da parte do isolamento térmico, é uma aposta da Niceastro”, garante.

 A crise versus oportunidade

Sérgio Dias enfrentou, como todos os empresários, um período de conjuntura económica muito dificil. Contudo, foram alturas importantes no crescimento dos seus projetos: “Quando conseguimos gerir uma empresa na crise, ganhamos capacidades que para a frente vão ser necessárias, e o facto de a empresa Niceastro ter sido empresa líder em anos críticos, acabou por nos nos tornar mais fortes”, admite Sérgio Dias.

PME Líder , um prémio de todos11

A empresa Niceastro foi PME Líder no ano 2014, tendo sido um galardão “importante” para a empresa: “Um prémio do grupo de trabalho, de quem acreditou em mim, da minha excelente equipa. Nas obras, no exterior, no escritório, tenho tido muita sorte nas contratações que tenho feito”, refere com satisfação o empresário.

Para o  futuro, revela novos horizontes para a empresa de transportes Sérgio F. Dias e para a empresa de construção, a Niceastro:  “Vamos apostar nos transportes, não só na Itália, mas na Alemanha, Inglaterra.. Na Niceastro  queremos continuar a crescer. Temos cerca de 200 funcionários, mas se amanhã puder ter 500, vou ter 500! Não será fácil, porque cada vez mais a mão de obra qualificada está a ser mais escassa, mas ainda há mão de obra e o futuro passa por internacionalizar a empresa, para  trabalhar fora e cá”.

Quando olha para o passado, o empresário lembra-se das dificuldades de então, acreditando que hoje em dia é mais fácil, pois “há muito mais trabalho e as empresas pagam melhor” do que antigamente.

Natural de Silvares, Lousada, Sérgio Filipe Ribeiro Dias demonstra o amor pela sua terra, que não trocaria por nenhuma outra, pois “para mim Lousada é tudo”, realçando uma outra paixão: o desporto automóvel : “Hoje sou participante, é um outro sonho realizado. Acho que podemos fazer muito mais em Lousada a nível de desporto de automóvel. Lousada recebe, neste momento, apenas duas provas do campeonato nacional, é muito pouco, quase zero, para as condições que temos! Acho que devíamos ter provas europeias ! Mas penso que se podia fazer muito mais do que aquilo que se tem feito! Não quero criticar ninguém, mas acho que adormeceram”, conclui Sérgio Dias.

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