Sérgio Bragança deixa presidência do Aparecida

Sérgio Bragança deixa presidência do Aparecida

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Sérgio Bragança, presidente do Aparecida F C, apresentou na passada semana a demissão ao presidente da assembleia geral do clube. A demissão foi aceite, o que fez com que Paulo Fernandes, vice-presidente, assumisse a liderança do clube, continuando desta forma em funções a direção eleita recentemente.
Após quatro anos como líder da Associação, é com “mágoa” que Sérgio Bragança sai da direção: “Nestes três anos foi uma dedicação total ao Aparecida, onde quase sempre trabalhei sozinho. Estava cansado. Avisei uma, duas e três vezes mas ninguém aparecia. Estruturei recentemente a direção, nas últimas eleições, e decerto não escolhi as pessoas certas para andarem comigo. A minha demissão foi individual. Sinto-me injustiçado pelos diretores que tinha, nomeadamente por um que esteve comigo desde o início. Essa pessoa, que eu não quero revelar, mas que todos sabem quem é, foi a que mais abriu o leque, não sabendo eu o motivo”, diz.
Sobre as razões do abandono, esclarece que “se criou ali um burburinho errado; enquanto o campo esteve em terra, aquilo andou, nunca nenhum diretor se preocupou, agora, com o sintético, e depois do que trabalhei lá, toda a gente vê o trabalho que está feito por mim, onde muitas coisas foram pagas por mim, poucas coisas pagas pela câmara e muitas outras pagas pelas Construções Sérgio Bragança, para deixar aquilo bonito. Cansei”, refere, com desgosto, o ex-líder do clube.
Segundo Sérgio Bragança, esta porta que se fecha poderá ser aberta novamente. Vai estar “atento”, pois gosta muito do Aparecida FC e considera que, neste momento, a liderança está em “boas mãos”, referindo-se ao atual presidente Paulo Fernandes, mas não tem a mesma opinião em relação a alguns elementos da direção: “Infelizmente, ele tem uma direção muito fraca, que não tem a noção do que é o futebol. Existe um leque de pessoas fantásticas, mas, infelizmente, outras falsas. Deixei de pagar jantares e almoços e, por isso, passei a ser o Diabo. Mas no futuro, se eu vir que as coisas não estão bem e se os sócios, por quem eu tenho um apreço muito grande, assim o entenderem, certamente voltarei”, diz, com assertividade.
Segundo o que o jornal YES Lousada apurou, algumas críticas de dentro da direção começaram a existir em realação à forma como Sérgio Bragança administrava a coletividade. Para Sérgio, seria difícil continuar com as pessoas que o “apunhalaram pelas costas” e apresentou a demissão no sentido de a direção cair, sendo possível criar uma nova estrutura diretiva da sua inteira confiança, situação que acabou por não acontecer: “Pretenderam continuar, só temos de ver o que fazem, e estou aqui para ver o que vai acontecer”. Visivelmente amargurado, o ex-líder aponta o “excelente” trabalho que fez no clube: “Peguei no Aparecida destruído, com dívidas de 10 anos, fiz tudo e mais alguma coisa, comprei um autocarro, uma carrinha, foram imensas as coisas que ajudei e que coloquei no clube. Este era o quarto mandato. Comecei no amador na AFAL e levei este clube à honra, foi um percurso fantástico, sendo campeão logo no primeiro ano na AF Porto. Tudo passava por mim. Eu geri o Aparecida nestes três anos como administro a minha empresa, e o resultado foi positivo. O Aparecida nunca acabou, mas agora quero ver onde é que eu ganhava dinheiro com o clube, pois é essa é a grande acusação. É com grande mágoa que sinto isto”, desabafa.
Em relação às críticas de passar tudo por ele, Sérgio Bragança refuta essa acusação, referindo que desde o tesoureiro a alguns elementos da direção, todos “tinham conhecimento de tudo”, nomeadamente as contas da coletividade.
Recentemente foi inaugurado o campo sintético do clube, onde o líder demissionário diz que fez muito investimento: “Investi muito dinheiro, estão lá cadeiras colocadas pela minha empresa, e que vão dar retorno ao clube. Gastei lá na ordem dos doze mil euros, e até à data de hoje zero. Por isso, fico admirado pela forma como algumas pessoas da direção me estão a julgar. Todos os sócios irão sentir que o Aparecida não é de brincadeira, tem história, e eu lutei sempre pela história deste clube. É um clube do coração. Irei regressar certamente com outro objetivo. A obra em si que eu tinha preconizado para estes dois anos não a cheguei a acabar, mas foi pena, pois quem iria ganhar era o Aparecida. Deixei o clube bem, com bastantes miúdos, uma equipa sénior para subir de divisão. Os jogadores são fantásticos. Eles sabem que podem contar comigo 24 sobre 24 horas. Desejo-lhes o maior sucesso do mundo. Mas com pessoas falsas na direção, eu não tive mais cabeça para continuar. A equipa técnica também me desagradou. No meu ver, o treinador também não esteve bem. Eu pensava que estavam do meu lado e enganaram-me. Alguns deles são gente que se faz amiga do Aparecida, gente da noite, de copos que querem destruir o clube. Não quero individualizar. Mas infelizmente é assim”, acusa Sérgio Bragança.
Para o futuro, o ex-líder do Aparecida FC poderá entrar num projeto “muito bom” e tem confiança no tempo, que irá mostrar às pessoas que a razão está do seu lado.
Sérgio Bragança aproveita esta entrevista para agradecer a algumas pessoas que ajudaram o seu projeto, referindo-se a Cláudio, do Zé, a Tozé Mesquita, ao presidente da autarquia, Dr. Pedro Machado, à presidente da Junta de freguesia do Torno, Elisa Rosa, e a todos os simpatizantes, sócios e patrocinadores que estiveram sempre do seu lado.
O jornal YES Lousada tentou entrar e contacto com o atual presidente, Paulo Fernandes, que informou que neste momento não é a altura correta para falar sobre este assunto.