Franco-atiradores

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Filipe Barbosa

Tenho acompanhado com interesse e até alguma piada o “trabalho de sapa” ou de franco-atirador que alguns iluminados e/ou avençados desenvolvem ao nível da política local. Nada de novo se considerarmos que, a nível nacional, se criou em determinado momento político, uma “escola” deste ofício. Pessoas que viviam alimentando blogs e caixas de comentários de redes sociais e sites noticiosos, muitas vezes, “plantando” notícias falsas e/ou denegrindo com meias verdades a imagem dos adversários.
Em Lousada, o ofício de franco-atirador (soldado de infantaria ou de uma força de segurança especializado em armas e tiro de precisão que persegue e elimina inimigos selecionados com um único tiro de arma de precisão) parece estar em alta. Pena que a precisão não seja nem certa nem fundamentada.
É curioso que, volvidos poucos meses das eleições autárquicas, a maior preocupação de muitos elementos do Partido Socialista local seja o Partido Social Democrata que, na verdade, segundo aquilo que afirmaram durante a campanha eleitoral e que repetem agora, mais não é que um grupelho de incapazes e incompetentes. Isto não deixa de ser curioso se considerarmos que há mais de duas décadas que o PSD está afastado da vida política executiva camarária local e, como tal, os seus quadros são constituídos por pessoas com provas dadas em diferentes áreas económicas e de intervenção cívica e social. Aliás, creio que esta será, talvez, a maior preocupação daqueles que começam, desde já, a tentar eliminar alvos no campo adversário. E, no seguimento daquilo que já aqui tenho escrito, esta atitude é altamente lesiva dos interesses do concelho e da construção de uma dinâmica positiva para a população. A incapacidade de reconhecer, em primeiro lugar, que mais de 40% da população se revê em pessoas e projetos diferentes é, desde logo, sintoma de ausência de cultura democrática. Em segundo lugar, revela um enclausuramento ideológico que estorva o diálogo e a possibilidade de ir além daquilo que são as nossas convicções e ideias que, sendo, algumas vezes, certas, não o são sempre nem são a única verdade e a única possibilidade. Em terceiro lugar, revelam uma parvidade pessoal que é alimentada pelo medo de perderem os lugares.
Em suma, há, e é preocupante que já seja visível, a preocupação tática de manter o poder a todo o custo. É pena porque quem perde são as pessoas (mesmo aquelas que os elegeram).

 

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