LADEC: Oito anos a fazer festas…

LADEC: Oito anos a fazer festas…

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Há oito anos à frente da LADEC (Lousada Associação de Eventos Culturais), Joaquim Gonçalves, de 57 anos, natural de Silvares, fala-nos nesta entrevista, do percurso da Associação, do atual momento, bem como dos projetos para o futuro.

YES: Sendo esta a primeira entrevista ao YES, diga-nos como surgiu a LADEC?

Joaquim Gonçalves (JG): A LADEC surgiu em 2010, fruto da necessidade então existente de dar um carácter mais organizado e sustentado à organização das Grandiosas. Penso que não cometo nenhuma inconfidência se disser que foi uma ideia partilhada até pelo Dr. Jorge Magalhães, face à necessidade de os apoios do Município serem conferidos a uma entidade com contabilidade organizada e respeitando as obrigações legais existentes na altura. A LADEC desempenhava, assim, além de outras funções, uma missão de apoio às Comissões de Festas responsáveis pela organização das Grandiosas, dando-lhes ferramentas de orçamentação, controlo e organização que uma comissão de festas, normalmente, não tem.

YES: Caracterize o atual momento da associação após estes oito anos.

Joaquim Gonçalves (JG): Neste momento, a LADEC tem cerca de 70 sócios e tem vindo a realizar um trabalho bastante positivo, que está à vista de todos os Lousadenses. Continuamos a trabalhar de forma altruísta e empenhada em prol de um concelho que amamos. Ao mesmo tempo, temos vindo a aumentar as atividades realizadas e a sua qualidade. O objetivo para os próximos anos é continuar a aumentar a qualidade dos eventos e poder contar com o apoio de outras associações e entidades interessadas nas atividades e no desenvolvimento do concelho.

YES: A organização das Festas do Senhor dos Aflitos foi uma das atividades desta associação durante alguns anos. Que balanço faz desse trabalho?

Joaquim Gonçalves (JG): Sim, as Festas foram o primeiro grande foco da associação. Entre 2010 e 2013, a LADEC cumpriu a sua missão de apoio às Comissões de Festas desses anos e, em 2014 e 2015, como não havia ninguém disponível para integrar e presidir a essas Comissões, a LADEC assumiu a organização das Festas. Foi um passo natural, já que a LADEC possuía o conhecimento e a organização necessários para um evento desta dimensão e conta, entre os seus associados e pessoas que colaboram com ela, de um capital humano que foi capaz de gerir as Festas numa altura de crise e de dificuldade para o país, como certamente todos se lembram. O balanço ao longo desses anos foi, claramente, positivo, mas cabe aos Lousadenses ajuizar também.

YES: Qual a sua opinião em relação às últimas festas sem a participação da LADEC?

Joaquim Gonçalves (JG): Em termos institucionais, a LADEC não tem qualquer opinião sobre o tema. Quando surgiu uma Comissão de Festas, a LADEC manifestou-se disponível para apoiar e, como esse apoio foi preterido, a LADEC focou-se nas demais atividades que já vinha organizando por sua conta, sendo que os associados têm vindo a sufragar os planos de atividades que são anualmente apresentados e as atividades da LADEC têm tido bastante sucesso, com a ajuda de todos. No mais, a LADEC não tem conhecimento de contas, documentos ou outros quaisquer elementos que lhe permitam fazer qualquer tipo de juízo sobre as Festas. É aos Lousadenses e aos demais interessados que cabe fazer esse juízo e não à LADEC.

YES: A LADEC pondera no futuro voltar a organizar esta grande iniciativa do concelho?

Joaquim Gonçalves (JG): Só haveria lugar a ponderação se a questão se colocasse e nunca se colocou. Aliás, esse foi um dos pontos quase unânimes nas discussões que existiram nas assembleias gerais, que era o de que a LADEC se deveria focar na organização dos seus eventos para os Lousadenses. É preciso não esquecer o motivo pelo qual a LADEC foi criada e, se nestes últimos anos, se considera que a LADEC já não é necessária enquanto elemento para apoiar, o que temos de fazer é seguir o nosso caminho como associação e como Lousadenses empenhados em continuar a dar o melhor à nossa terra. O resto que se diga é conversa de café…

YES: Existem alguns processos em tribunal envolvendo a  LADEC. Esclareça os lousadenses do que se passa a esse nível.

Joaquim Gonçalves (JG): É simples… A LADEC, como é óbvio, teve de lidar com situações sobretudo relacionadas com as “vacas de fogo”. Um desses processos foi ganho. O outro que ainda existe sobre esse termo está no Tribunal Administrativo de Penafiel e não diz diretamente respeito à LADEC mas, antes, a um período em que a LADEC apoiou a realização das festas, como já disse. Depois há um processo, de índole criminal, que foi entretanto arquivado. Repare que, quando a LADEC garantia que havia uma organização fiscal, contabilística, orçamentada e programada das Festas, eram-nos apontadas as maiores barbaridades, até circulando pela internet dizeres sobre corrupção, branqueamento de capitais, etc… Quando a LADEC deixou de organizar as Festas, essas vozes calaram-se e, no entretanto, essas questões parecem já não se colocar. Às vezes, a vontade que dá é a de não fazer nada e ficar quieto mas, como a própria LADEC já discutiu isto, não podemos confundir meia dúzia de vozes anónimas com as centenas ou milhares de pessoas que usufruem da carolice de Lousadenses que, através da LADEC, dão outra atividade e cor a Lousada. Sempre surgirão perfis falsos e vozes dissonantes e a LADEC o que fará, pelo menos enquanto eu for Presidente da Direção, é separar o trigo do joio e ouvir apenas as críticas construtivas que nos são feitas.

YES: Quais são as principais ambições desta associação para o futuro?

Joaquim Gonçalves (JG): Para o futuro, a ambição da LADEC é melhorar qualitativamente os eventos que já organiza e procurar novos eventos que possam ser uma referência para o concelho. Ao mesmo tempo, queremos crescer e incorporar pessoas que são apaixonadas pela sua terra e deixar que elas venham a continuar com o trabalho que foi iniciado e que, creio, deve ser mantido. Ao mesmo tempo, a LADEC está a estudar pertencer a organizações supra municipais, tendo em vista permitir que as iniciativas organizadas ganhem escala e se possam tornar uma referência no e para o concelho, como aliás já sucede com o Festival das Francesinhas.

YES: Estamos próximos de uma das iniciativas da associação, o Carnaval. O que é que podemos esperar de diferente para a edição deste ano?

Joaquim Gonçalves (JG): O Carnaval não será muito diferente daquilo que tem vindo a ser ao longo dos últimos anos e desde que a LADEC assumiu a organização. É objetivo criar uma marca, tornando o Carnaval em Lousada como algo de único. Repare… Nós não somos uma terra de samba e onde esteja calor nesta altura… É por isso que queremos que este seja um momento de festa e comemoração para todos os cidadãos mas que a atividade siga uma matriz o mais tradicional possível. Este ano, teremos o maior Carnaval de sempre em Lousada, com um concurso de máscaras com prémios monetários e queremos envolver toda a comunidade nessa atividade. A LADEC quer que o Carnaval em Lousada seja, pelo menos, uma referência no Vale do Sousa e, para o próximo ano, queremos contar com a participação de representantes de todas as associações do concelho. É uma forma de atrair todos para este evento. Aproveito para agradecer à Rainha do Carnaval deste ano, Sílvia Moura, que foi eleita segunda dama de honor no concurso Miss Universit Portugal em 2017 e que muito abrilhantará este evento.

YES: Existem algumas críticas pelo facto de participarem no desfile de Carnaval algumas entidades que não correspondem àqiuele que é o espírito da época. Qual a razão de isso acontecer?

Joaquim Gonçalves (JG): À LADEC essas críticas nunca chegaram… Desde que sejam críticas construtivas nós aceitamos e ouvimos todas mas, como lhe disse, o objetivo é que o nosso Carnaval seja diferente e acolha todas as forças vivas do concelho, num movimento que faça com que, nesta altura, grande parte das forças vivas do concelho estejam juntas num ambiente de brincadeira e comemoração. É claro que, como é óbvio, haverá quem goste de samba… mas quem gosta não vem ao Carnaval a Lousada.

YES: Qual a razão de não haver escolas de Samba ou outro tipo de investimento mais característico à época festiva?

Joaquim Gonçalves (JG): Porque é que o samba é característico? É no Brasil e em algumas cidades portuguesas que, de há uns anos a esta parte, começaram a adotar essa forma de animação. Mas como já tive ocasião de lhe dizer, nós pretendemos seguir uma matriz tradicional, que sirva para congregar as forças vivas do concelho num momento de alegria e brincadeira. É a eles que “queremos dar o palco” e não a escolas de samba que, além de terem uma componente orçamental pouco razoável para a festa, nada têm de tradicional. É por isso que preferimos que o investimento seja o mais possível ligado a Lousada. Ao mesmo tempo, esse esforço passa também por dinamizar outras atividades no Carnaval, como irá suceder este ano com o concurso de máscaras de Carnaval. É bom que se note que Lousada não consegue competir com outras cidades onde esta cultura de sambódromo já se encontra implantada e tem uma projeção nacional. Nós queremos voltar aos aspetos mais tradicionais, à festa pela festa e tornar este momento como uma reunião com as demais forças vivas do concelho e as pessoas que lhes dão essa vida.

YES: Qual é o orçamento de uma atividade como esta?

Joaquim Gonçalves (JG): Neste momento, ainda estamos a fazer algumas contratações de última hora. Nós na LADEC levamos muito a sério a questão orçamental, que foi algo que a organização das Grandiosas nos ensinaram ao longo do tempo e algo com que tivemos de lidar nos anos recentes de crise. Nessa matéria, procuramos ser escrupulosos. Mas respondendo à sua pergunta, o orçamento para o Carnaval tem um teto orçamental que ronda os cinco mil euros e estamos crentes que se situará nesse valor considerando o que já temos.

YES: Já há novidades para a edição deste ano da Festa da Francesinha?

Joaquim Gonçalves (JG): Quanto a isto, a grande novidade que existe é que já há uma data marcada. A Festa das Francesinhas será nos dias 17, 18 e 19 de agosto. De resto, queremos que continue a ser um dos maiores e melhores eventos que a LADEC organiza em Lousada e que já se tornou uma referência para no concelho. Este ano será a 15.ª Edição e tudo o que nós queremos é que continue a ter um grande programa com os melhores participantes e os melhores apreciadores deste prato tão nosso. O trabalho de programação e organização vai começar logo a seguir ao Carnaval. Provavelmente faremos algo no sentido de dar um cunho especial nesta 15.ª Edição mas isso ainda está a ser ponderado pela Direção.

YES: Qual a razão de não ter sido a LADEC a realizar a festa do Fim de Ano de 2017?

Joaquim Gonçalves (JG): Este ano, o Município de Lousada entendeu que deveria assumir a organização do evento, por entender que é uma atividade simples, que não carece do esforço organizativo da LADEC. Como foi a LADEC que iniciou este evento é evidente que gostaria de o continuar e nele participar. Talvez este ano, pese embora não se encontre no plano de atividades. A LADEC não se revê nesta atividade com um cunho mais simplista. Em Lousada, há uma atividade de “fim de ano” quando a LADEC quer organizar a “passagem de ano”, o que são coisas diferentes.

YES: Qual o balanço das atividades com características mais desportivas, nomeadamente o ténis e atletismo?

Joaquim Gonçalves (JG): É algo extremamente positivo. No ténis, no ano passado, aumentamos o número de participantes, o que denota bem o quão positiva é a parceria que temos com a Lousada Ténis Atlântico. Nessa medida, não posso deixar de endereçar um agradecimento público e especial ao Professor Rui Silva, a todos os professores que nos apoiam nesta atividade, bem como ao senhor presidente da federação. É uma atividade muito importante e que mostra uma atividade desportiva que se tem vindo a desenvolver muito em Lousada. No que toca ao atletismo, depois de termos sido convidados em 2016 para organizar a S. Silvestre de Lousada, fomos novamente convidados e é indubitável que tem vindo a haver um aumento paulatino na prova. Este ano, no entanto, diria que vamos dar um salto em frente e apostar muito nesta prova que queremos que seja, à semelhança do Carnaval, uma das melhores do Vale do Sousa. Aproveito para lhe dizer que já temos uma data para este ano: 22 de dezembro.

YES: A LADEC sente-se apoiada e acarinhada pela comunidade lousadense?

Joaquim Gonçalves (JG): Obviamente, se a LADEC e os seus associados não se sentissem acarinhados, já há muito que a associação tinha deixado de existir. Graças ao nosso trabalho, o feedback que obtemos é muito positivo e isso é o que dá força para continuarmos com o trabalho e compensa, largamente, tudo aquilo que temos de ouvir por parte de pessoas mal intencionadas e que nunca foram capazes de apoiar a sua terra. A experiência, ao longo destes anos, já nos ensinou que são vozes que não chegam ao céu e, portanto, estamos a seguir o caminho que consideramos que uma larga maioria dos Lousadenses apoia e aprova.

YES: E em relação às entidades públicas?

Joaquim Gonçalves (JG): Cinco estrelas. A nossa relação com o Município, as autarquias e as demais entidades públicas não podia ser melhor e estamos certos que isso é porque também reconhecem algum valor à atividade da Associação. São entidades que, claramente, confiam em nós, no nosso trabalho e os seus convites são também reveladores a importância que, para essas entidades, assume o dinamismo cívico e associativo que queremos impulsionar em Lousada.

YES: Existiram algumas críticas, nomeadamente nas redes sociais, e muitas de carácter pessoal, em relação à sua pessoa, ou em relação à Associação. Como reage a essas críticas?

Joaquim Gonçalves (JG): É como lhe digo, são vozes que não chegam ao céu. Nós, e eu em particular, estamos recetivos e abertos a todo o tipo de críticas positivas que, longe de colocarem em causa o trabalho abnegado e altruísta que procuramos fazer em prol de Lousada, apenas o beneficiam e melhoram. O resto, infelizmente, vê-se muito… Há cobardes a criar perfis falsos no Facebook, com todo o tipo de críticas e insinuações e, depois, acaba-se por saber quem são – mais cedo ou mais tarde sabe-se sempre – e pensa-se “este tipo que nunca fez nada pelo concelho é que nos critica? Este que prega calotes em todo o lado é que nos acusa de má gestão?”. E, como é obvio, segue-se em frente. Há uma coisa que lhe quero dizer. Isto sempre existiu e sempre existirá. Quem faz é criticado pelos que não fazem, pelos que não querem saber e que se estão, literalmente, nas tintas para discutir qualquer tipo de argumentos de razão. Ainda para mais, hoje, com as redes sociais, é uma conversa que é impossível e que apenas redunda em ajudar no objetivo dessas pessoas que é terem palco. A LADEC, eu e muitas pessoas da LADEC já há muito que usamos uma excelente arma contra essas pessoas: desprezo!

YES: Após estes oito anos da LADEC, qual a principal mensagem que deixa aqui aos lousadenses?Joaquim Gonçalves (JG): A minha mensagem é de agradecimento sincero. Confiam em nós, participam nas nossas atividades e estou certo que, construtivamente, o continuarão a fazer. Não queria terminar sem endereçar um especial agradecimento a todos os nossos amigos, associados, parceiros, empresas e empresários, associações privadas e às entidades públicas que nos apoiam e confiam em nós e no nosso trabalho em prol de Lousada. Uma boa forma de também contribuírem é fazerem-se sócios da LADEC e apoiarem e participarem de forma altruísta no trabalho que vimos desenvolvendo em prol do concelho. As quotas são de apenas sei

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