Santa Águeda: a tradição mantém-se.

Santa Águeda: a tradição mantém-se.

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Centenas de romeiros dirigem-se à freguesia de Sousela para venerar a Santa

A Romaria de Santa Águeda celebra-se no dia 5 de fevereiro de cada ano, estando as suas origens perdidas no tempo.

Este festim é relatado no Jornal de Lousada desde a sua primeira edição, a 7 de agosto de 1907, até aos dias de hoje. O Jornal de Lousada testemunhou a Romaria e a forma como ela se desenvolvia, quer em termos religiosos, quer em termos profanos. Desde a primeira edição, há mais de 106 anos, a Romaria de Santa Águeda destaca-se  não só pela celebração da missa, como também pela normal procissão com andores e representações bíblicas de santos por parte das crianças. Seguia-se o bazar, depois da missa, e a atuação das Bandas de Música de Freamunde, Lousada e Vizela. Hoje em dia, já não se faz a procissão, nem o bazar, nem as bandas de música tocam neste recinto.

Atualmente, a festa já não tem a rebaldaria de outros tempos. No dia da Romaria de Santa Águeda, as pessoas cumprem suas promessas, trazem as merendas e distribuem-se pelo monte, confraternizando com o próximo, comendo o salpicão e bebendo o vinho. Canta-se e muitas vezes se dança ao som de uma concertina ou de uma viola.


Em termos religiosos, diz-se missa no dia da Romaria e as capelas estão abertas e bem adornadas para as pessoas poderem cumprir suas promessas em comunhão com os seus divinos sagrados.

(DPPL-Sousela, da Junta de Freguesia de Sousela – 2013/14)

Neste ano, foi com frio e sem chuva que se celebrou esta romaria do concelho de Lousada. Como sempre, durante o dia foram chegando os foliões com os seus farnéis, que, em pouco tempo, decoraram com toalhas estendidas o monte. São vários grupos organizados que há já muitos anos marcam presença nesta romaria. Num deles, estava Daniel Brito, que nos confessou que há vinte anos vem a esta festa: “Até com chuva vinha.

É um convívio, uma festa bonita, come-se um chouricinho e bebe-se umas canequinhas de vinho, é o suficiente”, refere o romeiro, que nos recorda a dificuldade que teve ao ir embora  quando vinha a pé: “No final, a subir este monte, era cada topada! Ia bem bebido”.

Outro grupo, de cerca de dez pessoas, estava mesmo ao lado com uma cesta cheia de iguarias  e com um pequeno pipo com a inscrição “Os amigos do pipo”. Estes “amigos” trabalham todos numa empresa de construção civil de Sousela. Para o responsável pela empresa, Marco Cunha, é um “investimento”: “Amanhã eles vão trabalhar muito melhor”. Há quinze anos que existe esta folga no período da tarde para estes trabalhadores: “Vale a pena, é uma tradição importante e é bom ter este convívio”, conclui o empresário.


António Ferreira Gomes, residente em França, refere que desde que se reformou não falta a nenhuma festa de Santa Águeda, com a sua irmã, Maria Odete Ferreira Gomes, e mais duas pessoas, Mercedes da Conceição, Ana do Rosário Seixal, que são de Freamunde, que nos foram contando algumas histórias.

“Antigamente havia muita porrada aqui. Vinha com os meus pais antigamente e a minha mãe trazia um chouriço, e estávamos aqui desde manhã. Agora não se vê brilhantes, mas antes vinham para aqui namorados e bastava vir alguém deitar brilhantes às namoradas dos outros que era o suficiente para haver problemas”, conta Maria Odete.

Mercedes da Conceição também tem as suas histórias: “Quando era solteira, não faltava. Os rapazes faziam uma roda, a gente não conseguia fugir e lá mandavam os brilhantes”.

Entre as muitas histórias engraçadas que ouvimos, temos a de um casal de Freamunde. A mulher, grávida, queria comer presunto mas não tinha. O marido pediu a um e a outro, dizendo: “Olhe como está a minha mulher. Apetece-lhe presunto…” Conclusão: acabou por se abastecer bem e ainda levar fartura para casa.

Há trinta anos representada nesta festa, a freguesia de Boim trouxe um grupo organizado pelo Albino Mota e pelo António. Joaquim Teixeira garante que sempre correu tudo bem e valoriza o convívio salutar.

José Ferreira (redação@yeslousada.pt)

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