A urgência das Urgências

A urgência das Urgências

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João Correia

É um tema que é recorrente nos últimos anos: a situação do serviço de Urgências no Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, EPE, mais concretamente, no Hospital Padre Américo. Este tema voltou novamente à liça numa reunião da Assembleia Municipal e é algo que tem vindo a ser objeto de debate e crítica por parte de muito cidadãos que são abrangidos por este Hospital.

De facto, nos momentos em que se sentem maiores surtos epidémicos ou há picos em termos de doenças, verifica-se que a urgência desta unidade hospital é insuficiente para dar resposta ao mais de meio milhão de pessoas que se encontram na sua área de abrangência e de atuação.

Mesmo que esta unidade hospitalar possa ser (e deva eventualmente) ser reconhecida noutras valências médicas (e com todo o respeito pelos seus profissionais), a verdade é que, é nos momentos em que há fragilidade em termos de saúde em que as pessoas se sentem mais desamparadas. Ter de aguardar sete, oito, nove horas por um atendimento que supostamente é de urgência e que, normalmente, até já procede de um reencaminhamento feito pela Linha Saúde 24 é motivo suficiente para levar as pessoas à insatisfação e ao desespero.

Bem sei que as Urgências do Hospital Padre Américo atingiram picos de 750 atendimentos num só dia quando o normal ronda os 400 atendimentos… Mas um hospital que não está preparado para estes picos na necessidade de prestação de serviços médicos urgentes, tem de ser motivo de preocupação de todas uma comunidade e dos nossos governantes. Sinceramente, esta questão preocupa-me de sobremaneira, já que me parece que estamos perante uma situação proveniente de motivos estruturais. Quero com isto dizer que, as infraestruturas que o Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa são insuficientes e deveriam ser complementadas com uma outra unidade ou com a diversificação de unidades em detrimento da quase total concentração de serviços no Hospital Padre Américo. Muito provavelmente, os custos dessa operação poderiam perfeitamente ser suportados pelas poupanças que se poderiam realizar com o combate a muitas ineficiências que provavelmente ainda se verificam… É um caso que deve ser objeto de debate… urgente!