Apenas um ponto de vista … PSD!

Apenas um ponto de vista … PSD!

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José Diogo Fernandes

O PSD nacional tem novo líder e como eu já vaticinara, é de facto, neste momento, a personagem mais indicada para conduzir o partido a nova vitória eleitoral, pois não deverá ser necessário relembrar, que foi o PSD, que venceu as últimas eleições legislativas.

Há, no entanto, algumas considerações, que eu gostaria de partilhar. Uma delas é que os militantes têm de ajudar o líder, pois apesar de ser um líder forte, nunca conseguirá lutar contra “ventos e marés” e ao mesmo tempo ser “bombeiro” dentro da sua própria “casa”. É curioso, que os deputados “amuaram” quando Rui Rio demonstrou que gostaria que houvesse mudança de líder da bancada, no entanto, o candidato que se disponibilizou e que até foi apoiante de Santana Lopes, foi humilhado na votação parlamentar, apenas para os deputados mostrarem a sua “azia” contra a opção que Rui Rio apoiou. Há dúvidas (ou talvez não) que me assolam! Como se compreendem votos nulos oriundos de deputados? Enganaram-se? Não sabiam colocar uma cruz ou apenas dobrar o boletim em branco? Como é que os militantes de base entendem esta atitude pouco honesta? Eu não! Se não gostaram da opção Fernando Negrão, apoiavam alguém como alternativa. Ainda mais estranho, quando todos esses votaram em Negrão para presidente do parlamento no início da legislatura. Pretendo com isto, constatar, que há forças de bloqueio organizadas dentro do partido que não gostam de Rio ou têm receio, que ele prejudique interesses instalados. Como não tiveram os votos dos militantes necessários para o derrotar nas eleições diretas, tentarão diminui-lo nestas e noutras situações, que infelizmente o tempo irá comprovar. Lembro, que há umas putativas elites dentro do PSD, que não tendo votos dos militantes, tendem a desejar transformar o partido à sua imagem e ao serviço dos seus interesses. Já todos percebemos que Rio não pactuará com estas conveniências palacianas. Como alguém já disse “há uma sabotagem muda, anónima e cobarde” contra esta liderança.

Com isto, não desejo apagar qualquer tiro no pé ou falta de sensibilidade, que Rui Rio poderá ter ao longo do percurso sinuoso e difícil que terá que trilhar. Como sabemos, as primeiras impressões, que um líder transmite são essenciais para quem desconfia das suas capacidades de liderança ou para quem pretende “peguilhar” com essa. Neste sentido, considero, que Rio não devia ter escolhido, pelo menos neste início de mandato, a antiga bastonária da ordem dos advogados Elina Fraga. Não, porque seja uma mulher incompetente e inepta, poderá mesmo realizar um trabalho notável, mas no passado recente foi uma acérrima opositora com bastante acrimónia à atuação do governo de Passos Coelho no âmbito da justiça. Ou seja, Rui Rio não pode deixar de analisar todas as suas opções neste princípio de mandato, pois aumentará as oportunidades de se fragilizar, permitindo que o “ataquem”, não por uma má ideia, mas por opções teimosas de forma e não de conteúdo.

Aproveito a oportunidade de me referir telegraficamente ao PSD local. Primeiro, referir que o Simão Ribeiro, novo presidente do PSD de Lousada irá encetar provavelmente uma nova dinâmica à política concelhia, que promoverá ainda mais o debate político e contribuirá, como acredito, para melhores soluções nas opções da ação autárquica. Sim, porque ação política também se faz com boa e construtiva oposição. Segundo, as pessoas que escolheu para o coadjuvar parecem-me capazes de o poderem apoiar convenientemente, realçando os seus vice-presidentes (Fausto Oliveira e Carlos Nunes), que estarão positivamente na sua retaguarda. Terceiro, recordo que Simão Ribeiro é o atual presidente da JSD Nacional e já leva muitos anos de deputado na assembleia da república com intervenções e contributos muito assertivos e oportunos (está disponível na página da parlamento/assembleia da república), não se deixando estar comodamente sentado nas últimas filas do parlamento sem qualquer empenho. É uma pessoa, que sente e vive a política com intensidade, tem ideias concretas e refrescadas, disponibilizando-as para esta missão de melhorar Lousada.

Todos nós lousadenses, não podemos julgar que as nossas ideias são sempre as melhores e as únicas, considerando a oposição política prejudicial aos interesses locais, julgando que o nosso “umbigo” é o único bem formado. Isso provoca turvação na nossa análise sobre a causa pública. Infelizmente, quando é assim, a nossa opinião é maniqueísta, fica distorcida, recorre-se à malcriadez e os argumentos não passam de “pedradas no charco”, que salpicam apenas quem as atira.