Voleibol: uma modalidade em expansão na ADL

Voleibol: uma modalidade em expansão na ADL

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O Voleibol é a mais recente modalidade introduzida nos quadros competitivos da Associação Desportiva de Lousada, num clube que cada vez mais está a tornar-se eclético. Além desta modalidade, o clube instituiu nos últimos três anos a secção de Futsal e equipas de futebol feminino.

Este projeto começou a ser desenvolvido em 2016 e na temporada passada, o clube teve mesmo uma equipa de juniores femininos a competir nas provas da Associação de Voleibol do Porto. Cumprido esse ano de “gestação” o clube tem atualmente cerca de meia centena de atletas divididos pelos escalões Iniciados e Minis A e B (a competir nas provas da AVP) e Seniores (campeonato nacional da 3.ª divisão).

De acordo com Raúl Ferreira, diretor responsável pela seção, a modalidade esta a ter “muito boa aceitação, principalmente no feminino”. O futebol continua a ser o «desporto rei», sendo este em conjunto com a aposta da autarquia na renovação das infraestruturas o responsável pela fraca adesão do setor masculino: “Está a ser feito um investimento muito grande no concelho e a oferta para jogar futebol é muito elevada. Por isso, os miúdos só vão para outras modalidades se não houver futebol”.

Mas, como é de «pequenino que se torce o pepino» é também nos escalões de Minis que o clube procura inverter essa tendência e irá realizar uma campanha de captação de para crianças nascidas em 2005 (para os quadros do Minis B) e nascidos até 2006 (Minis A). De referir que os treinos decorrem às terças-feiras e quintas-feiras (Polidesportivo do Complexo), das 18h30 às 20h00 e às sextas-feiras (Pavilhão da EB 2,3 de Cristelos), no mesmo horário.

Numa breve entrevista a Ricardo Bessa, treinador responsável pelos Minis, procuramos perceber melhor a realidade deste escalão e quais os projetos para o futuro.

YES: O Voleibol é uma modalidade praticada a nível escolar mas ainda com pouca expressão fora desse meio. Considera esse um entrave à recrutação de atletas?
RICARDO BESSA: Considero que o maior entrave à captação de atletas é a diversidade de atividades ao dispor, havendo mesmo crianças a praticarem duas modalidades desportivas e tenho exemplos na minha equipa. Em Lousada, o Voleibol está nessa fase de pouca expressão porque ainda é uma novidade, mas com o passar do tempo, a população em geral e os pais em particular, vão perceber a importância do Voleibol no crescimento das crianças e na formação dos jovens. O Voleibol praticado nas escolas é sem dúvida uma mais-valia na divulgação da modalidade, mas temos que querer mais e construir atletas para competir noutros níveis.

YES: Em Lousada, tal como em vários concelhos do país, o Gira-Vólei tem tido um papel importante na massificação da modalidade. Seria interessante o clube organizar ações de promoção nos estabelecimentos de ensino à semelhança do que acontece por exemplo no basquetebol do LAC?
RB: Todas as ações de divulgação da modalidade são importantes, mas esta é fundamental, porque através das escolas conseguimos chegar às crianças, incutindo-lhes o gosto pelo Voleibol. Mas não basta divulgar. Se repararmos, nas escolas do concelho, quais são as que têm em permanência nas zonas de recreio um campo de Voleibol com rede montada? É evidente que se não houver campo, não há jogo e tal como se joga futebol e basquetebol nas escolas, também se pode começar a jogar Voleibol se os campos existirem.
O clube tem a obrigação de colocar o Voleibol num nível mais competitivo, mas se nas escolas houver este trabalho de base, tudo será mais fácil para termos sucesso.

YES: Qual a maior dificuldade de se trabalhar com atletas em fase de iniciação à modalidade?
RB: As dificuldades podem surgir se no mesmo grupo de trabalho incluirmos crianças com idades muito distintas, pois nestas idades um ano ou dois fazem muita diferença nos comportamentos das crianças. Temos de compreender que, por exemplo, uma criança de 6 anos tem uma perspetiva do treino completamente diferente de uma criança com 8 anos. Enquanto a primeira ainda quer brincar, a segunda leva o treino muito mais a sério, podendo o treinador exigir muito mais dela. Mas se estiverem em grupos distintos de trabalho, tudo se torna mais fácil e podemos dizer que a fase inicial é apenas mais uma.

YES – Que balanço faz deste pouco tempo de atividade da modalidade e deste escalão em particular?
RB: Considero o balanço positivo. Já participamos em dois Torneios para Minis A e os resultados começam a aparecer. Ainda na última competição, a dupla constituída pela Ana e pelo Gonçalo, ganharam todos os jogos no nível inicial e as restantes atletas jogaram no nível intermédio e em dez equipas, conseguiram o 5.º lugar. Temos de colocar os “pés na terra” e compreender que estamos a competir com clubes que conseguem apresentar em competição quatro equipas no mesmo escalão.

YES – Quais os objetivos deste escalão para o futuro do clube?
RB: O objetivo só pode ser um: “Treinar hoje para vencer amanhã”. Quero com isto dizer, que é necessário todo um processo de aprendizagem que leva o seu tempo, mas se conseguirmos atrair atletas e se os treinarmos três vezes por semana, certamente que vamos conseguir competir de igual para igual com os grandes clubes do Voleibol.
Agora, é evidente que o trabalho tem de ser feito na base que são as camadas jovens, neste caso nas Minis A.

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