A tal Paixão de Gerações

A tal Paixão de Gerações

RALLY DE PORTUGAL 2018

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Grupo de amigos faz transmissões em direto de provas motorizadas

A pista da Costilha é um ex-libiris do concelho de Lousada e a influência que tem tido na paixão que várias gerações de lousadenses tem despertado pelos desportos motorizados é por demais evidente. Entre os muitos aficionados, para quem o mais peuqneo evento que ali se realize é motivo de romaria, muitos foram os que optaram pela prática da modalidade, nomeadamente ralicrosse e autocrosse, gerando vários campeões nacionais, como o caso de José Dias, ainda hoje o mais titulado dos pilotos lusos.
Entretanto, as novas tecnologias vieram produzir outro tipo de apaixonados, direcionados para os media e divulgação. É o caso de João Henrique, de 28 anos, que juntamente com um grupo de amigos (Nelson Pereira, João Afonso, Pedro Teixeira, Vítor Moura, Daniel Couto, Vítor Martins e Joao Pedro Pinto) tem transmitido em direto (via internet) todas as corridas que ocorrem no “santuário” da Costilha.
Aproveitando a realização do maior evento desportivo em Portugal, fomos conhecer um pouco mais o canal JP Rally Lousada.
Depois do grande sucesso que foi a transmissão do Rally de Portugal 2018, o próximo evento com direito a transmissão em direto será do Track Day no dia 27 de maio.

YES: Como surge a paixão pelo desporto automóvel?
JOÃO HENRIQUE: A minha paixão por desporto automóvel teve início quando comecei a dar os meus primeiros passos. Nasci em 1989 e desde muito cedo comecei a acompanhar com meus pais e amigos provas do nacional de ralicrosse e autocrosse. A verdadeira paixão aumentava de dia para dia, como é normal há muita coisa que não me lembro, mas desde muito novo tenho memórias das provas dos Europeus e a paixão crescia. Lembro-me dos Irmãos Ribeiro dominarem o Europeu de Autocrosse, do meu ídolo de sempre de ralicrosse, conhecido como o Mister Rallycross, o noruegues Martin Schanche. Já em 1993 fui assistir à minha primeira prova de Fórmula 1 ao Estoril e apesar de ser muito novo, hoje é o dia que tenho memórias dessa prova por incrível que pareça. No que diz respeito a WRC também desde miúdo que ia assistir aos troços da Serra de Barrosas (bons tempos), tempos de Carlos Sainz, Colin Macrae, Didier Auriol, entre outros. Já com 9/10 anos, tive a minha primeira mota, a famosa Yamaha PW 80 e então ai cada prova que havia la estava eu na mota, a assistir a chegada dos camiões, a montarem suas tendas e começarem a preparar seus carros. Eram fins de semana loucos, quando chegava ao domingo começava a ficar triste, pois era mais uma prova que terminava e todo o ambiente que rodeava a Costilha estava prestes a ir embora. Hoje a paixão é ainda maior e sempre que posso lá estou eu nas provas do nacional. Tinha tanto para dizer, pois esta paixão cresce cada vez que falo em desporto automóvel.

YES: E como surgiu a ideia de criar o projeto JP Rally Lousada?
JH: Bem a JPRALLY, tem uma história engraçada. No primeiro ano que vieram cá os testes de equipas para o Mundial de Rallycross que se realizava em Montalegre, estive todos os dias a acompanhar os testes e tudo o que aquilo envolvia. Fazia-me lembrar os tempos de miúdo, que chegava à pista as 08h30 e só ia embora às 00h00 ou até mais tarde. Contudo no segundo ano de testes com a equipa MarklundMotorsport, chegavam os camiões e eu queria assistir aos testes e não podia pois estava a trabalhar e aí surgiu a ideia de colocar a filmar e assistir no PC no trabalho e com ajuda de um amigo, o Nelson que integra a equipa, colocávamos os testes em direto no Youtube. Espanto nosso quando chegava a pista 2/3 dias depois e ouvia as pessoas a dizer que estavam a assistir pelo Youtube de um canal que fazia diretos. Isso gerou imensa alegria, pois não eramos só nos que estávamos a ver.
YES: Quais são os seus principais objetivos?
JH: Os principais objetivos em relação a este projeto são continuar a fazer as nossas transmissões desde o Eurocircuito de Lousada. Manter a evolução que temos tido, de chegar a mais público e assistir a mais provas. Atualmente temos ido a mais rallys e isso tem ajudado bastante a crescer, pois as visualizações e os seguidores do projeto crescem de semana para semana. Mantermo-nos ativos em relação a notícias e responder a todos aqueles que se encontram no estrangeiro, nomeadamente lousadenses, que gostam disto como nós e acompanham os eventos através das nossas Livestream.

YES: Qual foi a evolução deste projeto desde o seu início?
JH: A JPRALLY surgiu há uns 3 anos sensivelmente, primeiro como referi com os pequenos lives no youtube. Posteriormente passamos à criação da página do facebook e a ter os nossos primeiros seguidores e visualizações. Nesta fase entrou o Pedro para o projeto. Com os testes do ano seguinte e a chegada do ex campeão do Mundo de Ralis, Peter Solberg, as coisas começaram a tornar-se mais sérias. Chegámos numa Live às 8000 visualizações o que nos deixou completamente «Loucos». Continuamos a fazer Lives das resistências e íamos recebendo mensagens de agradecimento pelas transmissões. No ano seguinte vieram a Lousada Solberg, Doran, Ken Block entre outros e lá estava a JPRALLY a fazer Lives e as visualizações eram muitas. Já com pagina de Facebook criada os seguidores iam aumentando e chegámos aos 500. Terminavam os testes e lá iam eles rumo a Montalegre. Com isso precisávamos de mais alguém que ajudasse e aí surgiu o Vítor Moura, que nos ajuda sempre nos diretos de Montalegre e em ralis que acompanha. Até aí as nossas transmissões eram feitas com Webcam, o que tornava complicado em relação à qualidade, mas com a ajuda de um amigo nosso, o António Magalhães a quem agradeço, começamos a transmitir com a sua câmera, o que levou a uma melhoria significativa. Também entra o João Afonso o nosso fotógrafo que capta as melhores fotos. Aqui também começamos a dar relevância a nossa paixão pelo Mundial de Rallycross e o meu amigo João Pedro Pinto, atualmente também membro JPRALLY, faz um excelente trabalho ao passar informação na hora dos resultados das provas do Mundial. E eis que chega a prova do nacional de 2018 e entra em ação o grande Daniel Couto, a quem demos o cargo de diretor de reggie. Com a ajuda dele conseguimos uma evolução tremenda, com o programa novo, transmitimos com várias câmeras em simultâneo, o que levou a uma reação do público excelente e aumento de seguidores, passamos dos 700 para 1400. Com esta transmissão, que chamo de “transmissão chave”, surgiram os primeiros apoios e com isso conseguimos comprar material nosso. A prova do WRC 2018 foi o grande “boom” não acreditávamos no que víamos. Passamos de 1500 seguidores a 3000. As visualizações nesse dia alcançamos números únicos mais 320000, e se formos a falar no fim de semana todo, chegámos às 492000 visualizações, entre as lives de Lousada e diretos dos troços. Chegámos a ter pessoas a ver de França, Espanha, Suiça, Luxemburgo, Alemanha, Bélgica, Canárias, Madeira, Argentina entre outros.

YES: E para o futuro, o que reserva o JP Rally?
JH: Só peço que corra como tem corrido até hoje. As pessoas elogiam nosso trabalho, acompanham e partilham nosso projeto, o que nos motiva a trabalhar mais. Gostaríamos de evoluir as nossas transmissões e crescer. Esse é o principal objetivo. Para já transmitimos de Lousada, posteriormente tentar que o nosso trabalho chegue longe e com isso podem surgir convites para transmitir eventos de outros locais e outras provas.

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