Lousada tem feito um caminho absolutamente notável no combate ao insucesso escolar

Lousada tem feito um caminho absolutamente notável no combate ao insucesso escolar

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António Augusto Silva, vereador da Educação na CM de Lousada, está já no seu segundo mandato. Professor, esteve vários anos na liderança do executivo da Escola Secundária de Lousada, antes de aceitar o desfio para integrar o executivo municipal. Aceitou cumprir mais um mandato, com a convicção de que tem ainda “mais alguma coisa para dar”.
Nesta entrevista, conheça o seu balanço do trabalho desenvolvido, os projetos e as dificuldades que é preciso ultrapassar na área da educação.

YES: Que balanço pessoal faz do primeiro mandato?

AA: Em primeiro lugar, eu acho que é importante dizer que o trabalho da educação em Lousada, e mesmo noutros setores, como o desporto e a cultura, tem já um histórico relativamente importante. E não estava tudo por fazer, não. A maior parte das coisas já estavam feitas. Portanto, é sempre mais fácil nós integrarmos uma equipa que já tem rotinas, já com algum trabalho feito. Isso permitiu que se trabalhassem aspetos mais concretos.
Nós investimos muito em termos das escolas, na oferta das atividades para as escolas. Foi uma das principais notas de destaque do mandato anterior, criar um conjunto de oportunidades para as escolas e para os alunos. Um conjunto de experiências para que as escolas pudessem deitar a mão e que pudessem ajudar os alunos a desenvolverem-se. Além disso, tivemos também a possibilidade de construir sete centros escolares, alguns deles completamente de raiz, outros com remodelações que também ficam como marca no mandato.

YES: Esse talvez seja o ponto mais positivo…

AA: Sim, é o ponto mais positivo ligado à educação.

YES: A Carta Educativa já vem de trás. Considera-a a ideal para este concelho?

AA: Considero que foram tomadas as melhores opções dentro daquilo que eram os dados que existiam na altura. A opção de fazer pequenos centros escolares, acho que foi uma opção muito feliz. Outros concelhos fizeram opções diferentes, preferiram concentrar os alunos em meia dúzia de locais, e isso veio a revelar-se, na maior parte das instituições, um problema. Um problema porque os pais e os próprios professores preferem trabalhar em estruturas mais pequenas. Um problema na própria gestão das instalações e também no transporte dos alunos. Se nós concentrássemos todos os nossos alunos em três ou quatro polos, iríamos ter que transportar esses alunos e iríamos ter um encargo adicional extremamente significativo. E era um encargo adicional para sempre. E, portanto, eu acho que esta opção foi uma opção feliz. É uma opção em que eu me revejo completamente.

YES: Mas existe um problema, não só em Lousada, mas de todo o país, que é o decréscimo do número de alunos. Considera que é um problema grave aqui em Lousada?

AA: Os estudos foram feitos por técnicos e, quando foram tomadas algumas decisões, foram validadas pela DGEstE e, provavelmente, a expectativa do crescimento da população poderia ser diferente daquilo que se veio a registar. Nós passamos por um período em que o número dos nascimentos diminuiu consideravelmente. E Lousada – provavelmente, até é um dos melhores exemplos – sofreu também os mesmos problemas que o país sofreu. Aquilo que nos parece, dos estudos que tenho e daquilo que nós vamos avaliando em termos do número de alunos por ano de escolaridade, nomeadamente em termos das crianças do pré-escolar, é que a pior fase já terá passado. Em relação ao pré-escolar, mantemos os mesmos alunos este ano letivo, o mesmo número de crianças que tínhamos no ano anterior. Portanto, parece que há já aqui alguns indícios de alguma estabilidade, e alguma reversão, eventualmente, desta diminuição. A diminuição de Lousada, provavelmente, tem a ver com todo o país. Isto pode não ser uma fatalidade porque, no fundo, muitos países da Europa têm situações muito diferentes da nossa.

YES: Considera que o Município tem feito tudo para que realmente as pessoas…

AA: O Município tem uma política amigável para as famílias. Basta vermos em termos do IMI, nós temos as taxas nos valores mais baixos. Na própria captação de emprego para o concelho, nós temos derrama sobre as empresas. A própria oferta cultural, desportiva, em termos de instalações, em termos de apoios às coletividades desportivas, temos mesmo toda uma oferta ligada ao ambiente. Nós procuramos que o concelho seja atrativo para fixação de casais jovens. E, obviamente, temos conseguido que, de alguma forma, isso seja uma realidade.

YES: Estamos no princípio do ano letivo. Quais são as principais novidades que o Município tem para este ano?

AA: Nós temos fundamentalmente quatro novidades em setores diferentes. Por exemplo, nos transportes escolares, nós generalizamos ao secundário as mesmas condições do ensino básico. Portanto, todos os alunos do ensino secundário que morem a mais de 3 km da sua escola têm também gratuitidade no transporte.

YES: Antigamente não era assim…

AA: Antigamente não era assim. Os alunos pagavam a parte desse transporte. Por outro lado, também conseguimos contratar mais pessoal para os centros escolares, que era o grande anseio das escolas. Também aí estamos um pouco mais confortáveis do que estávamos no passado.
Temos também o início de um plano inovador integrado no combate ao insucesso escolar, que é constituído por um conjunto muito diversificado de atividades que vão chegar às escolas e vão ser uma mais-valia para os professores e para a aprendizagem e desenvolvimento dos alunos. Portanto, falei do plano, dos transportes…

YES: E também dos funcionários…

AA: E falta-me falar do prolongamento dos horários, que é também uma mais-valia. Nós vamos ter a possibilidade, de forma gratuita, de abrir as escolas bastante mais cedo, a maior parte delas a partir das 7h30. Teremos um caso ou outro em que as escolas até terão que abrir mais cedo, para que os pais possam, de uma forma segura, entregar as suas crianças do pré-escolar e do primeiro ciclo. Genericamente, são estas as quatro novidades principais, sendo que uma delas, o plano inovador integrado no combate ao insucesso escolar, tem uma multiplicidade…

YES: E é comparticipado, felizmente.

AA: É comparticipado por recursos europeus.

YES: Quantos anos vai durar esse plano?

AA: Três anos e é um investimento que diretamente, no Município, ultrapassa os 700 mil euros.

YES: Para combater o insucesso escolar que diminuiu, felizmente, aqui no concelho…

AA: Sim, tem-se feito grandes progressos e aí as escolas estão de parabéns, os professores estão de parabéns. Tem-se feito grandes progressos, quer a nível do insucesso escolar, quer a nível do abandono escolar. Portanto, isso está bem resolvido. Os próprios resultados, em termos das provas nacionais, exames nacionais, antigas provas de aferição, tudo isso tem mostrado que Lousada tem feito um caminho absolutamente notável. Eu digo notável, porque, se olharmos para os anos 90, quando tínhamos aqui uma indústria têxtil fortíssima de mão de obra intensiva em Lousada, ocupava os primeiros lugares nos rankings em termos de abandono escolar. Mais de 70 por cento dos jovens não fazia o ensino secundário, e estamos a falar de há poucas décadas atrás. Portanto, tem sido feito um trabalho absolutamente notável, quer por professores, quer pelas escolas. Obviamente com alguns programas que o Município tem lançado… Estou a lembrar-me, por exemplo, do programa DICAS, que muito tem contribuído também para que este panorama se vá alterando.

YES: Mas em relação à média europeia, em que ponto está o insucesso escolar aqui em Lousada?

AA: Em termos de insucesso escolar, nós estamos acima daquilo que são as médias nacionais. Em relação àquilo que são as médias europeias, Portugal está abaixo, todos nós estamos abaixo das médias europeias.

YES: Qual o número total de alunos no concelho?

AA: Em termos de alunos e crianças do pré-escolar, nós temos cerca de 6500 mil alunos no concelho.

YES: Como caracteriza o atual parque escolar? Quais as dificuldades? Se existem alguns problemas, quais são?

AA: Nós, em termos dos jardins de infância, temos três situações a precisar de uma atenção especial. Temos o EB1 de Covas, a EB1 de Lagoas e também a EB1 da Ordem. São escolas que não foram fruto de uma grande intervenção, porque não tivemos a possibilidade de fazer uma candidatura a fundos europeus para a sua recuperação, uma vez que não tivemos os projetos aprovados pela DGEstE, que considerou que aquelas escolas não teriam viabilidade. As comunidades não acham isso, continuam a colocar os seus alunos nessas escolas. E nós, Município, estamos obviamente disponíveis para ter essas escolas abertas e fazer correções para que tenham o mínimo de condições. Essas escolas estão dentro da Carta Educativa, mas não foram intervencionadas com o apoio dos fundos comunitários, porque essas candidaturas não foram validadas pela DGEstE. Agora, existe a determinação de fazer obras de melhoramento dessas escolas e de aproveitar outras candidaturas não ligadas à educação mas ligadas, por exemplo, à eficiência energética, no sentido de introduzir aqui mais-valias que permitam um conforto adicional a quem lá trabalha e a quem lá estuda.
Em relação às outras escolas e centros escolares, a nível dos JI e do primeiro ciclo, a situação é mais estável, algumas são muito recentes. Obviamente que existem sempre correções a fazer, manutenções a fazer, mas, em termos genéricos, o parque é completamente satisfatório. Em relação às escolas do segundo e terceiro ciclo e secundário, nós temos situações também desiguais. Temos a Escola Secundária de Lousada que, pela intervenção da Parque Escolar, tem excelentes instalações. Temos um conjunto de escolas, a escola de Nogueira, sede do Agrupamento Mário Fonseca, que, fruto também de ser uma escola relativamente recente, tem também muito boas condições. E depois temos as outras EB23, Nevogilde, Lustosa e Caíde Rei, que precisam de intervenções de fundo. Foi possível, durante as férias, em algumas delas fazermos intervenções que rondaram os 100 mil euros, durante o último ano letivo e início deste período de interrupção, que foi o caso de Nevogilde e de Lustosa. E estamos com um processo que esperamos que se resolva, que foi o processo que esteve em tribunal, não diretamente com a Câmara, para que brevemente possamos iniciar obras de recuperação, também neste montante, na escola de Caíde Rei. Falta-nos falar de uma escola central aqui no Concelho, que é a escola EB23 de Lousada, que está inserida no Agrupamento de Escolas de Lousada. Dentro de, provavelmente, poucos meses, nós teremos obras na EB23 de Lousada. Obras que rondarão 1 milhão e 100 mil euros, que não resolvem tudo mas que resolverão a esmagadora maioria dos problemas.

YES: Há um ano, lembro-me que o Ministro esteve cá com essa novidade. Isto demora muito tempo…

AA: Os concursos públicos demoram muito tempo. E depois muitos deles têm uma conflitualidade e uma litigância extremamente significativa, que não permite que avancem com a celeridade que todos nós queríamos. Há prazos que têm de ser cumpridos, há um conjunto de direitos e de garantias para os concorrentes, que muitas vezes são incompatíveis com a absoluta necessidade de obras e com os timings dessas obras por parte do Município, por parte dos Agrupamentos de Escolas.

YES: Há um bocadinho falava dos jardins de infância. Verifica-se uma carência muito grande de creches até aos 3 anos aqui no Município. Preocupa-o essa situação?

AA: Obviamente que sim. As creches não estão propriamente no pelouro da educação, são mais ligadas à área social. Mas obviamente é um problema, e há um conjunto de IPSS que estavam completamente disponíveis para o resolver e estão disponíveis para avançar com novas salas. O problema tem a ver com o facto de a utilização dessas salas carecer do necessário apoio financeiro, para que depois possam ser apropriadas pelas famílias de uma forma confortável, pagando…

YES: Sem o apoio financeiro é complicado para as famílias…

AA: Sim, muito complicado.

YES: O que realmente o preocupa mais neste momento?

AA: Obviamente que há problemas que nos preocupam. Por exemplo, a oferta que as escolas têm. Eu preocupo-me com a oferta formativa, nomeadamente a nível de saídas profissionais da oferta formativa do ensino profissional. Gostava que o concelho tivesse mais cursos profissionais, que tivesse uma diversidade de cursos profissionais superior à que tem. E nós estamos empenhados em criar condições para que o concelho possa ter mais cursos profissionais, possa ter mais instalações e possa a esse nível também fazer com que os nossos jovens saiam com uma formação que seja uma mais-valia e que seja uma formação valorizada pelas empresas e que possa ser também uma mais-valia para eles.

Yes: Considera, então, as ofertas insuficientes. Existem outras mais adequadas às necessidades dos jovens, tendo em conta o mercado de trabalho?

AA: Nós temos de voltar um pouco atrás para perceber como é que o ensino profissional chegou às escolas. As escolas, no início deste século, não tinham qualquer vocação, qualquer tradição, não tinham instalações, não tinham professores vocacionados para o ensino profissional. Esse desafio foi feito e as escolas responderam a esse desafio. E fizeram-no muito bem, com muito entusiasmo e até com algum sucesso. Mas elas não deixam de estar limitadas a edifícios que já estavam construidos e têm que concentrar a sua oferta formativa em áreas compatíveis com a tipologia de edifícios e dos laboratórios que têm. E, portanto, nós temos aqui uma carência de outras áreas, das mais técnicas, mais pesadas, que exigem mais maquinaria, que obviamente são incompatíveis com aquilo que eram as salas de aula tradicionais que foram sendo adaptadas ao ensino profissional. O que nós precisamos, provavelmente, é introduzir aqui outros cursos que tenham essa valia técnica. Estou a lembrar-me, por exemplo, de cursos ligados à eletricidade, à pichelaria, aos ares condicionados, cursos ligados às novas energias, energias renováveis, cursos ligados à mecatrónica, aos automóveis… Cursos que não são fáceis de montar nas escolas, mas que são extremamente importantes. Temos também outra vertente, que tem a ver com tecido industrial, ligado à confeção. Tivemos possibilidade, no mandato passado, de conseguir que se instalasse cá um polo do modatex, que tem feito um trabalho interessante. Não para um público escolar, mas para um público um pouco mais velho. E também para essa área, muito provavelmente, nós precisamos de trabalhar em cursos como modelista, etc. Portanto, também aí há…

YES: Um percurso a fazer.

AA: Exatamente, há ainda um caminho a fazer. E com parceiros como a Modatex, e também parceiros como o ESTEG, que tem em Lousada um conjunto de cursos superiores profissionais. São cursos de 2 anos letivos, que procuram corresponder às necessidades de um mercado de trabalho.

YES: Muitas vezes, os jovens chegam ao 9º ou ao 12º ano, têm de fazer escolhas e precisam da ajuda de psicólogos. Considera que neste momento os psicólogos nas escolas são suficientes para a realidade do concelho?

AA: Nós temos psicólogos nas escolas de duas origens: psicólogos colocados pelo Ministério da Educação e psicólogos que são dos quadros municipais. Durante muitos anos, o concelho não teve um psicólogo colocado pelo Ministério da Educação e, portanto, foram os psicólogos do Município que foram resolvendo os problemas. A situação é razoável, mas obviamente que, se nós tivéssemos a possibilidade de termos mais profissionais dessa área, certamente que o trabalho da psicologia nas escolas seria mais aprofundado, não só nos aspetos ligados à orientação vocacional, mas também noutros aspetos ligados à aprendizagem, ao comportamento, etc.

YES: Este é o Ano Municipal da Criança. Lousada, a nível de atividades extracurriculares, tem várias ofertas. Fale-nos um pouco do que temos… Até chinês os alunos podem aprender…

AA: Nós acreditamos muito nas atividades extracurriculares. As AEC’s que em Lousada têm uma tradição bastante longa. E investimos muito. Aquilo que o Ministério paga por cada aluno nas AEC’s é claramente insuficiente para o investimento que o Município faz. Nós acreditamos muito que os miúdos devem ter acesso à atividade física e, portanto, têm a atividade física da qual não devem prescindir. Devem ter contacto com a água. Se não conseguirem aprender a nadar, que pelo menos tenham a capacidade de se moverem no meio aquático e estarem mais à vontade na água. Isso é extremamente importante também, porque a segunda causa de morte na infância são os afogamentos. Certamente que uma criança que sabe nadar está mais à vontade na água, se calhar está mais protegida desse tipo de problema.
Temos também a expressão dramática, para nós também extremamente importante, para os miúdos também aprenderem a falar, aprenderem a exprimir-se, e a expressão plástica também. E temos também a música, com a colaboração do Conservatório Vale do Sousa, que é uma das nossas joias da Terra, que faz um trabalho extremamente importante e interessante nas escolas.
Para além destas atividades, temos um conjunto muito diversificado. Temos também uma oferta extremamente diversificada. Falou do mandarim, é verdade. Já vamos para o segundo ano, vamos ter este ano uma turma de iniciação, mas também já vamos ter uma turma de continuação de mandarim. Tem sido um sucesso. O número de candidatos tem sido muito interessante. Mas também vamos ter a possibilidade de ter programação e filosofia para crianças do primeiro ciclo. Vamos ter ciência no parque, que vai percorrer, uma vez por mês, nos parques do concelho, ao sábado de manhã. Temos os nossos mega encontros da atividade física, em que os nossos alunos dos jardins de infância e do primeiro ciclo vão poder experimentar, também uma vez por mês, duas modalidades em cada mês. Vão poder experimentar todas as modalidades que o concelho oferece e poder perceber qual será a modalidade de que gostam mais e que se adequa à sua forma de viver.

 

YES: Estamos em 2018. O Município, como qualquer outro, poderá optar, se pretender, pela descentralização de algumas competências por parte do poder central, nomeadamente na educação e saúde. Para já, qual é a sua opinião sobre esta possibilidade? Qual a opção que o Município vai tomar a este nível?

AA: Em princípio, se nós conseguirmos aproximar as decisões das pessoas, podemos ter aqui algumas mais-valias. Mas isto é um princípio genérico. Concretamente, na educação, nós já assumimos a maior parte das competências que estão previstas ser transferidas para as autarquias e, portanto, para nós não será uma grande novidade. Agora, o importante (e isto tem sido repetido pelos autarcas de norte a sul do país) é que essas competências venham também acompanhadas dos recursos financeiros adequados. Porque o que nós temos assistido e a nossa experiência a esse nível da educação não é uma experiência muito interessante. Nós temos percebido que o Ministério da Educação não tem transferido, da forma que nós entendemos que devia ter transferido (tendo em consideração aquilo que foi assinado com o Município) os valores que nós consideramos de direito. É que essas transferências têm que ser acompanhadas dos respetivos recursos financeiros, porque, se não forem, não temos aqui a possibilidade de uma mais-valia.

YES: Em 2021 será obrigatória descentralização, mas o Município vai ser um dos primeiros a entrar já neste processo?

AA: Não estamos com pressa, até porque, na parte das competências, nós já as temos. Queremos é ver resolvidos estes problemas antes de assumirmos mais competências.

YES: Um dos problemas que eu verifico é que há escolas com equipamentos, mas onde, no inverno, as crianças passam frio, no verão, calor extremo… Não se ligam os equipamentos. As condições para a comunidade escolar acabam por ser débeis em relação às condições que supostamente uma escola (às vezes até nova) devia garantir.

AA: Efetivamente, estávamos a falar dos orçamentos das escolas, nomeadamente das escolas secundárias, das EB23. Os orçamentos que as escolas têm, fruto das transferências do Ministério Público da Educação, não são muitas vezes suficientes para fazer face a esses consumos energéticos absolutamente brutais, para manter uma escola sempre quente e uma escola sempre arrefecida. Eu acho que, no futuro e nas novas construções, nós temos cada vez mais que investir em aspetos de arquitetura, quer na forma do edifício, quer nos revestimentos. Há já aqui uma menor necessidade de consumos elétricos, no sentido de manter as escolas mais quentes ou mais frias. Este terá que ser o futuro, e esta terá que ser a forma mais sustentável de nós abordarmos este tipo de situação.

YES: Tendo sido professor e conhecendo a escola secundária de Lousada, por exemplo, em muitas daquelas salas é difícil trabalhar?

AA: Sim, as salas são mais expostas ao sol, acabam por atingir temperaturas obviamente elevadas, o que condiciona o trabalho dos professores e a aprendizagem dos alunos. Naquele caso concreto de que me está a falar, havia a perceção de que iria existir ali, nos meses de verão, uma cortina natural, feita com algumas trepadeiras que foram entretanto plantadas e que essa cortina faria ali algum sombreamento, que iria refrescar o edifício e as salas mais expostas. Acabou por não funcionar da forma que estava prevista uma vez que a espécie que foi escolhida para as trepadeiras não se mostrou suficientemente rústica para crescer e fazer o assombreamento que estava previsto.

YES: Tem havido alguma instabilidade na educação com constantes mudanças. Considera que é possível uma estabilidade maior para a educação, de uma vez por todas?

AA: Claramente. Provavelmente em todos os setores mas, pelo menos na educação, que é o setor que eu conheço melhor, essa estabilidade, essa paz, essa tranquilidade, essa serenidade é extremamente importante. Para que as escolas funcionem melhor, para que as famílias estejam mais tranquilas e para que os miúdos aprendam mais. “Serenidade” e “tranquilidade” são palavras extremamente importantes para as escolas. E, portanto, toda esta conflitualidade que tem havido não é favorável à escola. E eu tenho a certeza absoluta de que esta conflitualidade que os professores têm tido com o Ministério da Educação não é transportada diretamente para as salas. Obviamente, os professores conseguem fazer esse filtro muito bem, mas não favorece, efetivamente, o trabalho sereno, que é extremamente importante para as escolas.

YES: Por último, quer deixar uma mensagem para a abertura do ano letivo?

AA: Uma mensagem de apelo à confiança nas escolas. Eu acho que a comunidade deve confiar plenamente nas escolas e no trabalho que as escolas fazem. Nós temos professores empenhados, temos direções empenhadas, temos assistentes operacionais também muito empenhados e, portanto, acho que temos as condições reunidas para termos um ano tranquilo e para que os miúdos aprendam, para que se desenvolvam e para que os miúdos sejam felizes, que é o mais importante.

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