Lousada poderá ter uma nova linha e estação de comboios

Lousada poderá ter uma nova linha e estação de comboios

A linha proposta vai ligar Valongo a Felgueiras e passa pelas freguesias de Figueiras, Ordem, Silvares e Nogueira

COMPARTILHE

200 a 300 milhões de euros será o valor necessário para a nova ferrovia, de 36,5 quilómetros, que poderá sair de Valongo e cruzar os concelhos de Paredes, Paços de Ferreira, Lousada e Felgueiras. Esta é uma conclusão do Estudo Preliminar divulgado recentemente.

Já batizada com o nome Linha do Vale do Sousa, o projeto conta com o empenho dos autarcas da região para se tornar realidade. De salientar que, segundo o referido estudo,  Felgueiras e Paços de Ferreira encontram-se entre os três maiores municípios do continente sem serviço ferroviário comercial de passageiros.

O número de habitantes em torno da via férrea é suficiente para justificar o investimento. Esta é a perspetiva de Humberto Brito, presidente da Câmara Municipal de Paços de Ferreira, principal impulsionador da ideia: “Estes concelhos têm dificuldade em aceder ao Porto e este projeto iria resolver esse problema”, disse.

Argumentos mais que suficientes a favor da ferrovia

O autarca pacense, também presidente da Associação de Municípios do Vale do Sousa, salienta ainda que o projeto da ferrovia  vai ao encontro daquelas que são as linhas políticas da União Europeia para a descarbonização e o desenvolvimento sustentável. Este é um argumento suficiente para, segundo ele, recorrer a fundos comunitários para o seu financiamento.

De realçar a industrialização dos  concelhos envolvidos, na área têxtil, do calçado e do mobiliário, cujo tráfego de mercadorias é mais um argumento para o investimento na mobilidade.

Se a isto somarmos o facto de o Vale do Sousa ser uma das mais jovens regiões do país, onde  a taxa de natalidade é superior à de mortalidade, estão asseguradas as condições para o sucesso da futura ferrovia.

Mas Relatório Preliminar apresenta mais algumas: ao contrário das linhas suburbanas do Grande Porto, alimentadas principalmente pelas estações terminais, a nova linha registaria grande procura nas estações intermédias.

Por outro lado, Humberto Brito considera que está na hora de a região beneficiar de apoios comunitários que, até agora, foram desviados para outros locais. “Os sucessivos governos usaram os indicadores económicos desta região para obter financiamentos de Bruxelas que depois não eram alocados aqui”. O autarca lembra que se trata de uma região desfavorecida e que, “em nome até da coesão territorial”, é preciso agir de outra forma.

Este projeto merece a anuência da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa (CITS)e de vários peritos na área, entre eles o professor da Faculdade de Engenharia do Porto, Álvaro Costa, que está a realizar um estudo mais aprofundado sobre o assunto. Em

declarações ao jornal Público, Telmo Pinto, diretor executivo da CITS , revelou que Álvaro Costa está a estudar de que forma esta linha pode ser articulada com o porto de Leixões, o aeroporto Sá Carneiro e o Metro do Porto”.

Quatro estações

Segundo o estudo realizado, os concelhos do Vale do Sousa veriam nascer quatro estações no seu território: uma no centro de Paços de Ferreira, outra em Freamunde e outra a 1,5 quilómetros do centro de Lousada, “ junto ao nó da A42 em Silvares, local que, pese a sua relativa distância do centro, beneficia de excelentes acessos pedonais a partir da vila, bons acessos rodoviários e um amplo espaço para o desenvolvimento de uma estação de caminho de ferro”, pode ler-se no documento. Em Felgueiras, a estação seria junto à Central de Camionagem.

Para além das estações, o traçado conta ainda com vários apeadeiros, dependendo dos traçados propostos. Numa das propostas, a linha conta com estações ou apeadeiros em Sobrado, Gandra, Rebordosa, Lordelo, Frazão, Arregada, Paços de Ferreira, Freamunde, Figueiras, Ordem, Lousada, Idães, Torrados e Felgueiras. Noutra hipótese, são apresentadas estações em Seroa, Agrelo-Outeiro, Lordelo e Gandra.

Os traçados propostos obedecem aos instrumentos de gestão territorial e às especificações técnicas de interoperabilidade ferroviária da União Europeia  para uma via férrea dupla eletrificada.

Autarcas  defendem via férrea

O YES Lousada conheceu a posição de Alexandre Almeida, presidente da Câmara Municipal de Paredes, que considerou o projeto importantíssimo: “ Temos estado empenhados no seu desenvolvimento. Até agora nós somos servidos na parte sul do concelho e, com esta linha, seríamos servidos na parte norte do concelho, iria apanhar nomeadamente as freguesias de Lordelo e Rebordosa, uma vez que sairia de Valongo. No sentido Paços-Lousada e Felgueiras, é uma linha que passa nos principais aglomerados populacionais de Paredes. Duas das principais freguesias também teriam esse serviço do comboio e isso é muito importante”.

Sobre os custos da obra, o autarca considera que não são significativos: “A verba não é o problema. Os próprios municípios já manifestaram a intenção de, no caso de existir comparticipação comunitária, para que o projeto avance, contribuir com a componente nacional dos 15% desse valor. Isso dividido pelos municípios não constituiria problema. Agora, é óbvio que são projetos que estão a ser estudados e que são para implementar a médio-longo prazo. Não tenho dúvidas nenhumas de que poderá ser uma realidade nos próximos 10 anos”.

O autarca acrescenta que não faltam argumentos para a construção da ferrovia, entre os quais “a grande população que serve, pois tem grandes polos, Lordelo, Rebordosa, Sobrado Valongo, o centro de Paços de Ferreira, Lousada e Felgueiras. Acaba por servir a indústria de mobiliário de Paredes, a indústria têxtil de Lousada e a indústria de calçado de Felgueiras”, salienta.

Pedro Machado, Presidente da Câmara de Lousada, também defende a construção desta ferrovia e considera que, mais importante que o traçado, nesta fase,  interessa “sinalizar a sua necessidade e que a mesma venha a constar no PNI, Plano Nacional de Infraestruturas, que está em fase de construção”.

A concretizar-se, “é um projeto de união dos municípios do Sousa, com interferência na área metropolitana, Paredes e Valongo, que, numa primeira fase, não estavam a ver bem o interesse e a dimensão do assunto, mas que agora acham que, em termos de expansão da rede ferroviária, é a linha que faz mais sentido. Servirá um território com muita população e que tem muita vitalidade económica. Se há um polo para expandir a rede é aqui”, defendeu o autarca, que argumenta com “a população e o dinamismo económico”. Assim, Pedro Machado mostrou-se crente na concretização deste projeto.

Sobre o traçado proposto, diz que “a linha em si não passará pelo centro porque não seria possível, mas vai passar muito perto, dando resposta ao centro urbano”.

Manuel Pinho

diretor@yesparedes.pt