A nossa bitola

A nossa bitola

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João Correia

Não escondo que fui um dos cidadãos bastante animados com os projetos relativos à ferrovia que existiram em Portugal nos primeiros anos deste século. Creio que a ferrovia é um dos pilares da mobilidade nacional e internacional, um franco sinónimo de desenvolvimento e base para o seu incremento, hábil a aproximar o país dos mais evoluídos do Mundo. Percebi os motivos para o projeto não avançar e compreendi a situação económico-financeira que nos afetava, o decréscimo global da economia e o receio de assumir tais compromissos.

No hodierno, no entanto, esta situação deve ser muito bem ponderada e revista. Portugal tem de deixar de vez a bitola ibérica e adaptar-se à bitola europeia, colocando-nos conectados com os principais países europeus que, além de parceiros comunitários, são os principais mercados exportadores de Portugal, uma fonte de receitas económicas e turísticas e os principais aliados em caso de qualquer evento inesperado. Concomitantemente, isso iria permitir dinamizar a atividade portuária, tornando o país um centro para o mercado distribuidor internacional.

Este assunto foi-me recordado com uma recente discussão sobre a possibilidade de uma nova linha de comboio (linha do Vale do Sousa) que, procedente de Valongo, cruzaria os concelhos de Paredes, Paços de Ferreira, Lousada e Felgueiras. Estamos a falar de um serviço para milhares de empresas e apto a servir perto de 200 mil pessoas, algumas das quais com graves constrangimentos em matéria de tempo e distância para poderem usufruir das ligações ferroviárias existentes.

Esta linha ferroviária é uma aposta de futuro, sobretudo se ponderadas todas as possibilidades de adaptação futura à bitola europeia, tornando concelhos dinâmicos e jovens em polos mais conectados com as grandes cidades do país e da europa, mais atrativos ao investimento e clara melhorias nas acessibilidades.

A nossa bitola, nossa de Lousadenses, é que vai ditar o nosso futuro…