Grantex: Mais de três décadas a contribuir para o sucesso do têxtil...

Grantex: Mais de três décadas a contribuir para o sucesso do têxtil em Lousada

COMPARTILHE

Faz hoje precisamente 33 anos que o empresário Lino Ribeiro lançou a 1.ª pedra da Grantex.


Há 33 anos que surgiu a pedra embrionária do grande projeto que viria a ser a Grantex, uma empresa têxtil que emprega atualmente 175 colaboradores altamente qualificados e está sediada em Covas, em instalações próprias, com 1800 m2, equipadas com um vasto parque de máquinas modernas. Este ano a data do aniversário, dia 22 de Dezembro, vai ser assinalada com uma festa convívio.

As origens

Para Lino Ribeiro, o proprietário de 72 anos, a aventura enquanto empresário começou com dois sócios. A experiência na Kispo, no armazém e como chefe de corte, foi crucial para iniciar a atividade. Mas a sociedade teve os seus espinhos e Lino Ribeiro acabou por fazer o percurso enquanto empresário sozinho. Tudo começou em 1987, na altura com 40 anos, quando deu mais um passo empreendedor, ao iniciar o seu negócio com apenas 6 pessoas. Sempre motivado pela vontade de comandar, fundou a sua empresa, o gérmen da Grantex.
Para o sucesso da vida empresarial contribuíram as experiências na Kispo, onde admite ter trabalhado com “boas cabeças”. “Foi aí que aprendi a arte. Procurava ouvir, entender e decidir da melhor forma. Os clientes que me acompanhavam ainda me acompanham”, afirma.
Lino Ribeiro relembra os primeiros tempos, “o passar a palavra”. Mas tudo cresceu rapidamente e, em pouco tempo, tinha já 50 máquinas novas. O espaço mostrou-se exíguo e teve de crescer. “Já aumentei três vezes a fábrica”, diz.
Os conhecimentos que tinha do mercado levaram-no a procurar novas marcas, com as quais estabeleceu parcerias, que se viriam a revelar um sucesso. “Decidi procurar a marca que trabalhava para empresas identicas à Kispo, que era a Gant. Fiz 300 mil peças”, conta. O trabalho começou a chegar em grande quantidade, de tal forma que chegou a trabalhar com 220 pessoas só para a Gant.

Vencer a crise

O percurso de mais de três décadas nem sempre se pautou pelo sucesso. O empresário lembra que, entre 1995 e 1997, as coisas correram muito mal: “Fui obrigado a mandar pessoal embora porque não tinha nada para eles fazerem. Mandei cerca de 70 pessoas embora e fiquei a trabalhar com 150.”
Não sendo homem de baixar os braços, Lino Ribeiro viajou para Espanha à procura de clientes, “mas eram notinhas pequenas. Só Deus sabe o que eu passei para aguentar aquilo”, recorda. Mas a bonança voltou: “Hoje, estamos mais ou menos bem”.


Neste momento, emprega 175 pessoas, estrutura necessária para responder às necessidades da empresa. Entre as características do bom trabalhador, está a capacidade de “ouvir, compreender e trabalhar; não chega ser bom”, diz, acrescentando que tem boas costureiras. De salientar que a Grantex emprega pessoas de Lousada, Cristelo, Paredes e Sousela, sendo o transporte assegurado pela empresa, que tem 7 carrinhas a isso destinadas.
Lino Ribeiro pensa que as pessoas gostam de trabalhar na sua empresa. Diz não ter dificuldade em recrutar trabalhadores, mas, por causa do transporte, rejeita pessoas de mais longe, pois sabe que “é só um mês ou dois, porque, quando derem fé do que gastam, não podem vir trabalhar”, explica.


A família de Lino Ribeiro também abraçou o projeto. Hoje tem dois filhos a trabalhar com ele: o filho no departamento de entregas e a filha como chefe de produção. Para o pai, é importante assegurar a continuidade da família na empresa. “Por isso é que muito cedo lhes dei funções. Está na altura de eles terem capacidade de fazer tudo e mais alguma coisa”, explica.

Investimento na modernização

Adepto da modernização, tenta sempre acompanhar as novidades: “Quando preciso, raramente peço, compro. Só se não puder, se não, eu compro”. Garante que esta é a atitude mais acertada, até porque quando as máquinas começam com problemas, é só prejuízo: “Hoje aparece-nos um problema, amanhã aparece-nos outro e gasta-se dinheiro em transportes, em andar para a frente e para trás. O tempo que se perde, claro, causa prejuízo. Além disso, as máquinas novas produzem muito mais e não sujam o trabalho, com óleos”, explica.
Sediada em Covas, Lousada, a fábrica beneficia dos bons acessos. No entanto, essa não é a maior motivação para os clientes, como refere Lino Ribeiro: “O melhor acesso é a garantia que as empresas dão aos clientes. Os clientes vão a uma empresa ainda que esteja num buraco, se for boa”.
Durante estes mais de três décadas, Lino recorda muitos episódios. Num deles, prometeu ajudar as obras da igreja. “Quando eu estava a fazer um negócio com uma empresa sueca, eu disse: ‘Se isto se realizar, eu dou um terço para a obra do altar da igreja’”. Ajudou na realização das obras da igreja e outras na freguesia, embora se mostre crítico em relação às questões políticas, que, por vezes, impedem a concretização de boas ideias.

Segredo do sucesso

Num mercado competitivo, aguentar 30 anos e empregar quase duas centenas de trabalhadores é uma obra notável. O segredo para este sucesso “é trabalhar honestamente e não falhar com nada. Os clientes procuram quem trabalha honestamente”, diz.
Tendo em conta esta linha de atuação, o empresário considera que “valeu a pena”. Aos 72 anos, considera-se um homem realizado: “Todo o sonho concluído é uma maravilha. Concluí o projeto, está realizado, estou satisfeito da minha vida”.


Tendo-se tornado uma referência, não só a nível nacional, a Grantex trabalha para grandes marcas. O Yes Lousada teve a oportunidade de conhecer algumas peças originais, cujo valor ascende a mais de 1000 euros. “Nós, quando queremos ter bons clientes, temos de dar garantias. E é isso que eu procuro, dar garantias e qualidade”, diz, satisfeito.

Aniversário especial

Este ano, o aniversário da Grantex é ainda mais uma data especial, como explica o empresário: “Há 10 anos que não tinha tanto trabalho como tenho este ano. E, por outro lado, é bom ver o conjunto de pessoas todas satisfeitas”. A faturação da empresa anda na casa dos 3 milhões de euros por ano. “É o necessário. Tenho de pagar 100 mil euros de salários por mês. Tenho de faturar, no mínimo, os 200 mil”.

Lino Ribeiro aproveita esta entrevista para desejar a todos os seus funcionários, clientes, fornecedores, amigos, e a todos os lousadenses, um Santo Natal e um Próspero Ano Novo.