Duas Igrejas em festa – Espírito Santo é já este fim de...

Duas Igrejas em festa – Espírito Santo é já este fim de semana

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O culto do Espírito Santo, a terceira pessoa da Santíssima Trindade preconizada pela Igreja Católica, remonta ao século XIV, altura em que  os banquetes coletivos, designados de Bodo aos Pobres, punham à disposição dos mais desfavorecidos comida e esmolas.
Mas como surgiram as celebrações? Tudo começou com uma questão política. Em 1320, D. Dinis, marido de Isabel de Aragão, encontrava-se de costas voltadas para o filho, D. Afonso, herdeiro da coroa portuguesa. Ansiando que o marido fizesse as pazes com filho, a rainha D. Isabel de Aragão terá prometido ao Divino Espírito Santo peregrinar o mundo com uma cópia da coroa e uma pomba no seu alto, que é o símbolo do Divino Espírito Santo, arrecadando donativos em benefício da população pobre, caso o esposo fizesse as pazes com D. Afonso, evitando-se, assim, a entrega do trono português a Afonso Sanches, filho bastardo de D. Dinis, como era seu desejo.
As celebrações aconteciam cinquenta dias após a Páscoa, comemorando o dia de Pentecostes, altura em que o Espírito Santo desceu do céu sobre a Virgem Maria e os apóstolos de Cristo, sob a forma de línguas de fogo, segundo conta o Novo Testamento. Realizadas na época das primeiras colheitas no calendário agrícola, são marcadas pela esperança da chegada de uma nova era para o mundo dos homens, com igualdade, prosperidade e abundância para todos.
A festa em honra do Divino Espírito Santo, em Duas Igrejas, Paredes, começa hoje e prolonga-se até segunda-feira, dia 21 de maio. Trata-se de uma festa centenária, este ano dinamizada por uma comissão de festas de doze elementos,  liderada por Agostinho Sousa, que é natural de Vilela e está há três anos na freguesia, tendo tido já uma experiência com a realização de uma festa na freguesia vizinha, Sobrosa. Desafiado pelo padre da paróquia, Agostinho Sousa, convidou elementos para a comissão de festas: “Somos 12 elementos com uma média de idades muito jovem, entre os 10 anos e os 49”, conta.
Sobre as atividades desenvolvidas para angariar fundos, não fugiu muito àquilo que caracteriza o trabalho destas comissões, como explica: “Todos os meses tínhamos um jantar, tínhamos uma banquinha na igreja, onde vendíamos bolos caseiros, nomeadamente ao domingo… Acabou por ser uma iniciativa que criou união entre a Comissão e as pessoas da freguesia. Ultimamente, temos vendido lenha”.
Para Agostinho Sousa, gerir uma comissão de festas não é tarefa fácil, até porque as pessoas têm o seus afazeres diários e a sua vida profissional: “Com este grupo, sendo muito jovem, acabou por ser mais dificil, pois há pessoas na faculdade, ou a começar a vida profissional e não podiam despender do seu tempo”, explica. Apesar das dificuldades, a experiência anterior ajudou bastante na planificação do trabalho a desenvolver.
O líder deste grupo não se queixa da recetividade por parte das pessoas da freguesia, dizendo que mesmo as pessoas com dificuldades financeiras ajudaram.
Mais um dia de festa
Sobre as festividades deste ano, haverá mais um dia de festa, a segunda-feira, o que não significa um orçamento maior em relação aos anos anteriores, como explica Agostinho Sousa: “O que se gastava num dia de festa reduzia-se e dava para ter mais festa”.  O “vazio” de segunda-feira vai ser preenchido com um festival de grupos de bombos, que vão “certamente trazer a festa. Já estão dez grupos confirmados”, assegura, sem levantar muito o véu.
Outra novidade vai ser observada aquando da procissão de velas: “Temos uma parte da freguesia que é de mais longe, próxima de Vandoma. A maneira mais simples e fácil de criar uma boa amizade e colaboração foi trazer de lá a Nossa Senhora. Assim, vão ser quatro procissões que se reúnem aqui. Ficaram todos contentes. Até dizem ‘agora sim, somos de Duas Igrejas’, conta. Vão integrar a procissão seis andores, sendo a “ tradição e que está a ganhar cada vez mais corpo, é realmente muito bonita”, afirma.
O cartaz reuniu o consenso e foi elaborado de acordo com a capacidade financeira, primando pela variedade: “Temos um pouco de tudo, desde fado, música popular, bombos… É, no fundo, um cartaz para todas as idades”. O cabeça de cartaz é o cantor Marcos, que Agostinho Silva pensa ser do agrado de muita gente. Destaca também a Banda de Baltar.

Procissão espanta pela grandiosidade

Marcelino Freitas, de 70 anos, é pároco da  freguesia há dez anos, acumulando mais três freguesias, Cristelo, Sobrosa e Besteiros. Para o religioso, Duas Igrejas “é uma comunidade que tem muitos pés para andar, temos muitas pessoas disponíveis e, no caso da festa, todos procuram ajudar o juiz da festa”. O pároco destaca a força da tradição e o que isso representa em termos da alma do povo: “A festa já é centenária, vê-se pela capela, que é de 1860. É uma devoção muito querida das próprias pessoas, que têm gosto nesta festa”.
Nas festividades, destaca a missa campal e a procissão de velas, “que é enorme”, contando que, “ há uns três anos atrás, o D. António Taipa, o bispo auxiliar, esteve cá e surpreendeu, com as fotos que tirou aqui, o falecido D. Francisco dos Santos, que o questionou: ‘Ui! Isto é onde?’”
O Padre Marcelino Freitas destaca ainda que a comunidade católica faz questão que os filhos sejam educados na catequese: “Este intercâmbio entre a escola, a catequese e a comunidade é muito salutar. Reparamos nesta comissão de festas que o Agostinho tem dois a três adultos, os restantes são muito jovens. Foi um desafio que lhes fiz. Ele está cá há três anos, mas a mulher é daqui e conhece muito bem a comunidade”.
O Pároco considera que as festas estivais são importantes para juntar toda a comunidade, até porque muitos se encontram emigrados e regressam à Terra no Verão: “Temos muitas festas que se realizam no Verão, tais como as  comunhões e profissões de fé, precisamente para juntar as famílias”, explica.
A comissão de festas
Agostinho Sousa, Elizabete Marques, Claudia Nunes, Madalena Barros, Miguel Lopes, Francisco Pereira, José Marques, Conceição Carneiro, Custódio Barros, Joana Barros, Micael Leal, Artur Gomes.

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