De Beire para o Mundo, conheça António Barbosa

De Beire para o Mundo, conheça António Barbosa

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Esta semana destacamos António Barbosa, que, com os seus quase 80 anos, impressiona pela vitalidade e paixão pela fotografia e pelo vídeo. Natural de Beire, onde reside, tem dois filhos, 3 netos e um bisneto e considera-se um apaixonado pela vida. De família pobre, com sete irmãos, “todos faladores”, este autodidata descreve um pouco da sua vida, sendo até para nós, comunicação social, uma referência e um exemplo.

Este paredense sobressai também no desporto: “Eu fui sempre virado para o desporto, ciclismo, futebol… Como atleta, nunca fui bom em nada, mas fui sempre um bom amador”, refere, entre sorrisos, explicando que teve um grande feito em França, onde esteve emigrado 18 anos: “Além de ter sido presidente de dois clubes em França, fui capitão da equipa , uma equipa que chegou à terceira divisão francesa.

Tenho um orgulho grande, pois foi uma proeza conseguirmos eliminar a equipa do Nantes de França, que estava na primeira divisão. Tenho recortes de um jornal de 1975: “As cinzas do “Moides” eliminaram os gigantes”, conta o ex-atleta.
Não teve uma vida fácil.

Fez um pouco de tudo, tendo começado na área de construção civil, mas até tarefeiro foi, pois “tinha jeito para várias artes”. No regresso a Portugal, recorda o aparecimento do primeiro café no lugar de S. Luís em Beire: “Quando vim de lá, abri aqui o primeiro café em S. Luís, em 1982.

Não havia aqui nada, foi uma grande festa. Na inauguração, por acaso, esteve cá o Herman José, na altura do “Serafim, Serafim”. À boleia, atuou também na festa de S. Luís. Fui sempre uma pessoa séria que sempre respeitaram”, afirma, com orgulho.

Adepto das tecnologias, criou um canal no Youtube “e as pessoas estão contentes com as minhas publicações”, refere o autor. O canal, com 7 anos, já tem mais de 600 vídeos com a chancela de António Barbosa. Neles, podemos encontrar milhares de horas de história, as festas, as tradições, as atividades, os momentos mais marcantes para a região e, claro, para a sua freguesia: “Gosto muito de falar sempre de Beire, é a minha terra”, diz com emoção.

No arquivo da memória, estão ainda as recordações das grandes festas de Paredes de antigamente. “A nossa fanfarra militar veio desfilar na primeira festa em Paredes, quando fizemos a avenida por aí acima. Eu tinha jeito para as maçanetas, e milhares de pessoas vibravam muito connosco, ainda era solteiro”, recorda.

Com uma lágrima no olho, vai-nos explicando o que sente quando regista as imagens que se perpetuarão no futuro: “A paixão pela imagem vem desde pequeno. A minha filha tem 56 anos e tenho um vídeo dela com apenas 2 anos. Tenho muitos vídeos antigos. São mais de 120 horas, desde família, a terra, França… Fiz muitas cópias. A qualidade não é tão boa mas é o que havia antigamente. Tenho orgulho nesse trabalho.

Gostava que os meus filhos ou os meu netos gostassem mais disto”, desabafa.
Passaram pelas mãos de António várias máquinas e várias tecnologias, desde a sua primeira máquina de filmar em 1965, comprada em França, pois em Portugal não havia, era uma de 8mm, cada cassete gravava apenas 3 minutos, “tinhamos de fazer colagem numa máquina própria, depois surgiu o VHS, e dai até agora que é tudo digital” explica António desabafando que já gastou nas suas paixões, desde o ciclismo ao vídeo, mais de 30 mil contos (150 mil euros).

Autodidata, foi evoluindo e continua a atualizar-se, pois segundo ele não se pode ficar para trás: “Desde que tenho, há oito anos, o meu primeiro portátil, tudo foi uma aprendizagem. Neste momento, estou a mudar o programa de edição de vídeo para poder aproveitar o 4K que a minha câmara tem de qualidade de imagem.

Fui aprendendo sozinho, quase sempre, nada de cursos. Poderia ter tido a ajuda dos meus filhos, mas eles não tinham paciência. Desde 1964 que filmo e gostava de evoluir mais. Agora equipei-me com o último modelo de telemóvel de uma conhecida marca. Safo-me bem com isto. Cada vez mais as coisas evoluem e temos de acompanhar. Se os meus netos me encorajassem, eu ainda iria mais longe”, garante.

Durante a nossa conversa, aproveitou para referir também o ciclismo, paixão que lhe trouxe muitos amigos: “No ciclismo, corri com o Joaquim Agostinho. Vivi sempre o mundo do ciclismo… Até agora os corredores gostam de mim e eu acompanho-os: o Joaquim Gomes, da Volta a Portugal, o Delmino Pereira, o Marco Chagas, sempre gostaram de mim, eles sabem que os valorizo e que os divulgo.

Tenho uma credencial especial neste desporto”.
Outro dos seus mundos é a política. Sempre atento, muitos dos registos que faz guarda-os para si:  “Acompanho também muito a política, mas, muitas vezes, não publico, é pessoal”. Em jeito de brincadeira, adverte: “Se fôssemos a ver, desde 82 até agora, tenho os políticos na minha mão, as asneiras e as mentiras.

Ouvimos tantas coisas e depois no fim sai tudo errado. Custa-me ver que nós os pobres é que somos os desgraçados. Ganhamos pouco, enquanto eles ganham muito, ganham tudo”, diz, com desânimo.

Curiosamente foi pela mão do sobrinho José Carlos Barbosa, atualmente líder do PS Paredes, que descreve como “um regila, um amigo e um bom político”, que chegou ao Facebook, onde conta com cerca de 2000 amigos, sendo milhares os que seguem as suas publicações.

Apesar de no início as pessoas mostrarem alguma resistência à captação de imagens para divulgação na Internet, agora mostram abertura para tal: “Aqui em Beire, no início, ainda me criticaram. Eu ficava triste, mas agora já gostam de mim do meu trabalho”, remata, queixando-se, no entanto, de o seu valor não ser reconhecido no seu concelho. “Outros concelhos valorizam-me mais”, diz. Questionado se gostaria de ver o seu trabalho exposto, sente-se dividido: “Sim e não. Tenho gosto naquilo que faço, mas fico por aqui, sou humilde”.

“Bon vivant”, António Barbosa pretende continuar a passear, pois viajar também é uma forma de ampliar os horizontes e aprender.

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