Atos e Afetos no Yes Paredes com Marina Silva

Atos e Afetos no Yes Paredes com Marina Silva

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Marina Silva - Psicóloga
Atos e Afetos é e nova rubrica quinzenal do YES Paredes sobre psicologia. Contaremos com a colaboração da psicóloga Marina Silva, que vai conhecer melhor na curta entrevista que hoje lhe apresentamos.
Natural de Vilela, Marina Silva, de 29 anos, concluiu a licenciatura em Psicologia e, posteriormente, Mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde pelo Instituto Universitário da Maia.

YES: Fale-nos do trabalho académico que tem desenvolvido.

Marina Silva (MS): Foquei a minha investigação científica para a dissertação na Regulação e Socialização das Emoções e recordo-me de, na fase final, ter tido a efetiva consciência do quanto a Psicologia é uma área complexa – com inúmeros campos de atuação que procuram observar os fenómenos, encontrar respostas e abrir outras perguntas.
Atualmente, invisto em formações breves, cursos de curta duração, encontros de psicólogos e simpósios de diversas áreas: clínica, comunitária, escolar e também ao nível das necessidades educativas especiais. Ouvir outros profissionais permite-me expandir a visão sobre o que pode ser feito em Psicologia. E por considerar valiosa a reciclagem profissional nesta profissão, para renovação de competências e conhecimentos, não descarto, de todo, a possibilidade futura de ingresso num doutoramento.

YES: Descreva-nos a sua atividade profissional no presente.

MS: No momento presente, divido a minha prática profissional entre o contacto diário com jovens com deficiência numa Instituição Particular de Solidariedade Social de referência no concelho de Paredes, o EMAÚS – Associação de Apoio ao Deficiente Mental; e entre a consulta privada a crianças, jovens e adultos no meu consultório particular, também localizado em Paredes, no centro da cidade. São dois âmbitos de ação distintos mas que se agregam no domínio clínico e instigam quotidianamente o aperfeiçoamento e a maturidade laboral. O EMAÚS tem como missão apoiar os jovens e as suas famílias através da satisfação das suas necessidades e expectativas, contribuindo para a realização do seu projeto de vida e valorização pessoal, e enquanto Psicóloga nesta instituição sinto o prazer do trabalho multidisciplinar, em grupo, criativo, caloroso e desafiante. Por sua vez, em consultório na esfera da Avaliação e Intervenção Psicológica em problemáticas como depressão, ansiedade, hiperatividade com défice de atenção, comportamentos de oposição/risco e dificuldades de aprendizagem, bem como em atendimentos ao nível da terapia e mediação familiar, orientação escolar e vocacional é-me exigida prontidão na compreensão do sofrimento e do conflito emocional para ser potenciada a melhora clínica. No terreno há três anos, destaco os protocolos de colaboração do consultório com a Rede Local de Intervenção Social – RLIS Paredes – e com a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens em Risco de Paredes.

YES: Por que razão escolheu a Psicologia?

MS: Foi com o tempo e com uma perceção mais madura das escolhas que a Psicologia surgiu como uma opção construída e organizada. Algumas características pessoais e determinados traços personalidade corroboraram esta decisão. Não posso dizer que foi um sonho desenhado na infância mas é, com toda a certeza, o meu projeto do presente e do futuro. Com uma identidade própria, tenciono continuar a ser psicóloga, formadora e palestrante na área da Psicologia.

Marina Silva

YES: Descreva-nos a missão do Psicólogo.

MS: Nem sempre quem sofre sabe do que sofre ou consegue falar sobre o que sofre. O meu trabalho coloca-me constantemente diante do desafio de poder estar em contacto com um outro ser humano. E tenho que o respeitar e cuidar, ao mesmo tempo que assumo uma postura justa, verdadeira e vertical com esse ser humano. As pessoas chegam ao consultório vulneráveis e preocupadas com algum problema mas também com receio de serem julgadas. Na minha consulta, ou em qualquer desempenho profissional meu, não existe espaço para julgamentos, para juízos de valor ou para críticas destrutivas. É criado um espaço terapêutico que faça bem ao indivíduo, no qual ele possa falar e ser ouvido e no qual seja provocadas mudanças. A grande conquista no acompanhamento psicológico é fazer com que esse espaço se torne efetivamente terapêutico, de confiança e de amparo. Para isso, é imprescindível a empatia – uma das competências-chave de um/a Psicólogo/a. Essa empatia permite uma sintonia com o interior da pessoa, gerando identificação e levando ao transbordar das emoções dolorosas. Em sessão, quando reúno estas condições, torna-se possível que os pacientes se tornem mais conscientes de si próprios, das suas forças e limites, dos seus desejos e do seu potencial para concretizá-los. Veem-se, portanto, dotados de estratégias para fazer-acontecer e fortalecidos para viverem e conduzirem a sua vida de forma satisfatória, saudável e feliz.

YES: Quais as maiores dificuldades no exercício da profissão?

MS: A Psicologia, apesar da ser considerada uma das profissões mais relevantes da sociedade atual, procura ainda a sua afirmação. A Ordem dos Psicólogos Portugueses, à qual pertenço na qualidade de membro efetivo, tem contribuído diariamente para a desconstrução dos mitos e das ideias erradas que vão perdurando ao longo dos anos. Sem dúvida que um dos principais obstáculos na profissão é a ligação constante ao ‘louco’ e ao ‘insano’, pelo que deixo também aqui destacado o seguinte: a Psicologia é uma ciência e um/a Psicólogo/a é um/a profissional de saúde.

YES: O que podem os leitores esperar da rubrica Atos e Afetos?

MS: Os leitores do Jornal Yes Paredes podem contar com uma rubrica leve, eclética e abrangente. Com enfoque particular nos atos/comportamentos versus afetos/emoções e sentimentos, conforme sugere o título, serão explorados temas da atualidade e de interesse geral para a população assentes naquilo que a Psicologia representa. Espera-se que sejam textos que provoquem reflexões, sensibilizem e promovam a saúde mental.

YES: O que a levou a participar neste Novo Desafio?

MS: O gosto pela escrita e a paixão pela profissão, conjugados com a imensa vontade em produzir e partilhar conteúdos relacionados com a minha área de trabalho fizeram com que este desafio fosse, naturalmente, aceite. Portanto, mãos à obra!

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