Dezembro

Dezembro

0
COMPARTILHE
Donzília Martins

Este tempo cinza convida à lareira acesa, ao calor do lar, ao aconchego do amor, às mensagens escritas com alma e não as previamente feitas que agora se enviam por face, sem arte, sem emoção e sem sentimento e que os jovens constantemente manuseiam.

Faltam os tempos para o amor, para o convívio salutar, para a mão na mão, o olhar carinhoso e de frente, o cuidado, as palavras enfeitadas de sorrisos, um olá a quem passa, um abraço daqueles que aquecem a alma, um Obrigada, uma gratidão.
Este tempo é de festa, de reconhecimento, de dádivas, de pôr na mesa todas as coisas que nos alindam os dias.

Todas as ruas da cidade brilham convidando à luz do espírito natalício.

Porém se as milhentas luzinhas não aquecerem o coração este tempo não fará sentido e não viverá natal.

Há multidões nas ruas que se atropelam, sem um sorriso, sem um desculpe, sem ver o outro. Há mais divertimentos em especial dedicado às crianças, porém falta o melhor de tudo: explicar-lhes o verdadeiro sentido de natal.

Ontem numa reunião em casa de amigos foi proibido “teclar” e nem sequer ver o jogo que aquela hora dava na TV! Lindo!
Fomos ali para conviver, para abraçar, para abrir sorrisos e espalhar gargalhadas, para saborear e iluminar um pouco mais os corações entristecidos com a sujidade dos dias.

Viveu-se ali o verdadeiro espírito de natal! Gostei. Só depois do convívio e de os abraços se darem e as palavras escorreram lavadas de amor, as poesias se leram a embelezar a noite, é que foi permitido ligar-se a TV para saber o resultado. E foi tão belo e salutar este encontro de natal!

Quem é que diz hoje às crianças que toda esta festa de luz e diversão se deve ao nascimento de um Menino Jesus que há dois mil e dezoito anos veio nascer e sofrer para salvar os outros ensinando o verdadeiro amor?

Sendo o salvador do Mundo não encontrou um hotel, nem luzes, nem estalagens porque não havia lugar para eles em parte alguma, como também hoje esse menino não encontra lugar no coração dos homens que se odeiam, que se guerreiam, se matam por cobiça, se digladiam por nadas!

Ele que era bom, que cresceu humilde, obediente e deu lições de vida e sabedoria, sente-se agora traído, esquecido porque as luzes o incendeiam com o consumismo desbaratado que singra por aí.

Que este Natal desperte nos homens de boa vontade o verdadeiro espírito de natal, do amor, da paz, da união, da compreensão para lembrar os que têm menos e por isso não devemos esbanjar.
Trocam-se as prendas! Que prendas? Fazer compreender às crianças que a melhor prenda é o amor dos pais, a união das famílias, o amor partilhado com os que possuem menos e não reclamar…

Natal é amor e amor quase sempre dói. Como a semente lançada à terra precisa de apagamento para renascer, é esse o espírito de natal.

Prouvera que todos os leitores do nosso jornal Yes Paredes, pequenino mas cheio de amor, vos enterneça a alma para a partilha, vos faça dar mais que receber, vos ilumine com as luzes que catrapiscam no nascer em cada grão de alma e que vivais um verdadeiro espírito natalício.

Desejo a todos um santo e feliz Natal.

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA