Aplicação de sanções “é provavelmente a 99.ª melhor opção”

Aplicação de sanções “é provavelmente a 99.ª melhor opção”

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O economista britânico Jonathan Haskel defendeu hoje que a união monetária europeia só vai resultar se houver também uma união orçamental, considerando que a aplicação de sanções “é provavelmente a 99.ª melhor opção” no contexto europeu.

Em entrevista à Lusa, à margem do Fórum Global para a Competitividade da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que começou na quinta-feira e termina hoje, em Lisboa, o professor de economia do Imperial College de Londres afirmou que, “para ter uma união monetária bem-sucedida”, é preciso que as políticas monetárias e orçamentais sejam comuns.

“Em primeiro lugar, é preciso uma união monetária, [ou seja], toda a gente tem de ceder a sua política monetária a uma autoridade monetária central. Em segundo lugar, é preciso uma união orçamental”, disse.

Haskel deu depois o exemplo dos Estados Unidos da América, que considerou ser “uma união monetária bem-sucedida”, por ter “regras orçamentais bastante rígidas impostas [aos Estados] pelo governo federal”.

Questionado sobre se num contexto em que não há política orçamental comum, como é o caso europeu, a aplicação de sanções é viável, Jonathan Haskel foi perentório: “A abordagem de aplicar sanções é provavelmente a 99.ª melhor opção, não está a resultar muito bem”.

Mais uma vez, o exemplo apontado pelo professor da Imperial College Business School, em Londres, foi o norte-americano, onde há uma redistribuição de receitas entre Estados ricos e pobres.

“O sistema federal de impostos é extremamente redistributivo. Ao longo do último meio século, o estado rico do Connecticut tem estado a pagar muitos impostos federais e o Estado pobre do Luisiana nunca pagou impostos federais. As pessoas no Connecticut estão a subsidiar as pessoas do Luisiana e estão a fazer isso há décadas e décadas”, enfatizou.

Para Haskel, “a única forma de as pessoas aceitarem que haja um controlo orçamental centralizado é havendo também redistribuição entre os diferentes países”.

No entanto, o economista britânico disse que, para que haja esta redistribuição, é preciso que haja “vontade política” e que “os Estados ricos estejam dispostos a redistribuir para os Estados pobres”.

E se essa vontade política não existir? “Se não existir… Vamos só dizer que não é possível ter uma união monetária bem-sucedida como nos EUA”, afirmou.

Jonathan Haskel disse mesmo que, “se a Europa não consegue estar de acordo” em relação a ter uma política orçamental comum e uma redistribuição de receitas, “é difícil que a união monetária europeia possa manter-se unida”.

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