Veganismo e desporto

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E as proteínas? Já começo assim o texto porque é a primeira coisa que uma pessoa ouve quando diz que é vegan e pratica algum desporto. O consumo de carne está tão enraizado na cultura humana que cria-se o conceito como sendo essencial para se ter boa saúde. Segundo um inquérito realizado em 2017 pelo Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física, em Portugal “os contributos médios para o valor energético total diário (VET) são de 20% de proteína” [1] na maior parte da qual de origem animal e em segundo plano estão os cereais derivados e tubérculos, o que coloca a população numa situação de risco de cancro colorretal.

É possível ganhar massa muscular sendo vegan? Obviamente que sim! Há vários atletas no mundo da competição que adotaram uma dieta vegan e nem por isso prejudicaram o seu desempenho/performance, para ilustrar cito o tri-campeão de jiu-jítsu Leon Denis, os fisioculturista Felipe Garcia do Carmo e Robert Cheeke, o tão conhecido surfista Kelly Slater e o Frank Medrano praticante de calistenia. Também há muitas mulheres atletas vegans, com físicos belíssimos. E quando o assunto é atletas veganos a velha história dos suplementos e anabolizantes vem logo à tona. O facto é que dependendo da modalidade por exemplo os fisioculturistas, fazem uso de suplementos plant-based e em alguns casos os anabolizantes podem entrar na dieta suplementar de atletas de alta competição, sejam eles vegans ou não. Diferentemente de quem consome carne e leite os vegans procuram consumir suplementos a base de soja, ervilha, arroz, sementes de cânhamo e spirulina sem falar nos antioxidantes que cumprem um papel muito importante e podem facilmente ser provenientes de frutas. Além dos carboidratos, leguminosas, frutas e proteínas, os cereais/oleaginosas também são fundamentais numa alimentação vegan.

É verdade que alguns alimentos podem conter baixos teores de aminoácidos essenciais mas basta fazer uma alimentação variada e balanceada ao longo do dia que todas essas lacunas são preenchidas.

Para construir músculos, ganhar força ou agilidade não é necessário consumir carne e/ou produtos de origem animal.

Andréa Medeiros

[1] Inquérito Nacional Alimentar e de Atividade Física. IAN-AF 2015-216 [online] https://ian-af.up.pt/sites/default/files/IAN-AF_%20Relato%CC%81rio%20Resultados_v1.5.pdf. (20/04/2018)

 

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