Racismo, sexismo e especismo

Racismo, sexismo e especismo

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No século XXI, ainda existem estes “ismos”, não somente na etimologia da palavra, mas na ação, com contextos diferentes e enquadramentos legais também, os dois primeiros, citados no título acontecem entre seres da mesma espécie e racionais, as  formas de agir perante as vítimas na justiça pode levar  a coações aquando provado o  desrespeito pelo outro semelhante, mas como seres dotados de razão  temos consciência que a justiça por vezes é branda, a legislação não é perfeita e todos os dias, pessoas vítimas de racismo ou sexismo deixam passar estes atos  por inúmeros fatores tais como: a palavra de um/a contra outro/a,  receio de represálias, inexistência de confiança na justiça,  no caso de atitudes  racistas há multas, no caso do sexismo há muito a fazer,  num país ainda patriarcal  e onde  acórdãos dos tribunais  polémicos do passado recente não ajudam a empoderar as mulheres,  mas em ambos os casos há a linguagem, que permite denunciar. E quem não tem voz? Num país onde há racismo nomeadamente em relação a minorias étnicas, o sexismo é aceite, será cedo para se falar de especismo?

O especismo, a par dos outros ismos, aqui relatados (poderiam ser mais) são uma forma de discriminação contra certos seres por parte de um individuo ou comunidade que nutre por eles uma consideração moral menor, a par da discriminação surge a exploração, porque se o outro é mais fraco, menos capaz, não é racional, não é animado serve nesta conceção, para servir o moralmente superior.

Numa altura, onde os direitos dos animais sencientes fazem agenda política, espera-se, em breve o direito da natureza faz todo sentido percebem porque parece normal discriminá-los? Os animais não humanos, ou uma parte substancial deles são vítimas a cada segundo do egoísmo humano: mortos para consumo, roupas, testes laboratoriais, atividades de entretenimento, lazer etc. Em geral, todas as sociedades discriminam com base na espécie, as banalizações de atrocidades surgem como normais, com base em crenças retiradas da experiência em séculos de história (ocidental) promovendo um antropocentrismo e a ideia que os humanos desenvolvem relações, que não possuem com não humanos.

O termo criado por Richard Ryder, especismo significa um preconceito a favor de nós próprios ao afirmar ser correto matar, porque a espécie “dele é diferente da minha”, uma tese que parte de um argumento de autoridade. O humano surge como um fim em si mesmo e deve agir com base a evitar o sofrimento no outro da sua espécie, segundo a ética desde Kant, mas os restantes animais sensíveis também sofrem. Será esta descriminação infundada? Como todas as exclusões?

Muitas atrocidades foram abolidas, talvez possamos acreditar num futuro, onde matadouros serão locais que nos envergonharão, se formos cada vez mais, esse futuro estará mais próximo!

Elda Fernandes

Braga para Todos

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