A 3.ª subida na curta carreira de João Rodrigues

A 3.ª subida na curta carreira de João Rodrigues

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Terminada uma época desportiva em que a AD Lousada alcançou mais uma subida de divisão (cinco em quatro anos) é altura de fazer um ponto de situação e ficar a conhecer melhor o treinador que levou a equipa “B” a essa conquista.
Para João Rodrigues este foi o primeiro título de campeão, mas na sua curta carreira de treinador dos seniores, que começou em 2015/16, esta foi a terceira subida de divisão que alcançou. Nesse ano assumiu o comando técnico do Ataense tendo levado o clube à 1.ª Divisão AFP e na temporada seguinte mudou-se para o vizinho Gens, conseguindo repetir o feito, agora com a subida à Divisão de Honra. Seguiram-se mais duas épocas no Gens, com destaque para um 4.º lugar.
Natural de Sobrado, assumiu a meio da temporada passada a liderança da equipa “B” do Lousada, efetuando um percurso repleto de êxitos e recebeu o voto de confiança da direção para continuar no projeto.

YES: Que balanço faz da época que terminou com a consagração da equipa como campeões distritais?
JOÃO RODRIGUES: faço um balanço extremamente positivo onde os objetivos coletivos, individuais e pessoais foram amplamente atingidos. Aquando da minha entrada nada fazia crer que iríamos ter o desfecho vitorioso que tivemos, mas fui um felizardo. O grupo de trabalho aceitou-me bem acreditou nas minhas ideias de jogo e deram-me o crédito suficiente para conseguir passar a mensagem. O clube na sua transversalidade também me acolheu bem, fez-me sentir integrado muito rapidamente e isso ajudou muito no sucesso alcançado. Em suma foram um conjunto de vários fatores que me foram completamente favoráveis e permitiu festejar o primeiro título da minha carreira.

YES: Como classifica o seu percurso na ADL, tendo em conta que foram apenas duas derrotas (frente a dois candidatos à subida), desde que assumiu o comando técnico da equipa?
JR: Vai de encontro à resposta anterior, considero o percurso da equipa simplesmente fantástico e genial desde da minha chegada. Tivemos duas derrotas , uma delas na casa do 1.º classificado (Lagares) onde perdemos pela margem mínima e de penálti, no entanto mesmo nesta fase de euforia não podemos esquecer a derrota por 0-2 que tivemos contra o Citânia de Sanfins em nossa casa, onde nesse dia não fomos equipa e recordo que perdemos o 2.º lugar precisamente para o nosso adversário, mas julgo que essa derrota feriu o nosso orgulho e desde esse momento fomos avassaladores e conseguimos ultrapassar toda a concorrência e terminar o campeonato em 2.º lugar. Depois na fase final fomos muito fortes onde conseguimos ter desempenhos fantásticos e uma crença interminável como aqueles 6 minutos de compensação em Lagares, onde aos 90 minutos estávamos a perder 1-0 e aos 92 e 96 fizemos a reviravolta, julgo que o momento chave da nossa conquista esteve nesse jogo.


YES: É claramente positivo esse trajeto. O que esteve na base do sucesso?
JR: Uma União muito grande dentro do grupo de trabalho, que sempre teve qualidade, mas faltava esse compromisso e união.

YES: Mereceu novo voto de confiança da direção para orientar esta equipa. Esse é um reconhecimento do seu trabalho?
JR: Essa pergunta pode ter vários sentidos e interpretações, estou extremamente orgulhoso e satisfeito do trajeto e do trabalho que desempenhei na época 2018/2019, onde independentemente de equipa que estava a treinar, o meu trabalho e a minha imagem como treinador saiu valorizada, a permanência no clube desde de logo é um voto de confiança, porque um clube tão grande e histórico como a Associação Desportiva de Lousada só tem os melhores nos seus quadros, e se fui convidado a orientar a equipa é sinal que fiz bem o meu trabalho e foi do agrado das pessoas que gerem o clube.

YES: Qual a diferença entre treinar uma equipa principal e uma equipa B, tendo em conta que um dos principais objetivos desta última é a de potenciar os jovens formados no clube?
JR: Logicamente que existe diferença entre ser treinador da equipa A e equipa B, no entanto quando trabalhamos de uma forma profissional e com um propósito firme de chegar ao topo, conseguimos trabalhar na potencialização de jovens atletas mas também na exigência, rigor, interpretação do jogo e culto de vitória que tem de estar presente nas minhas equipas, apesar de sermos uma equipa B os objetivos não são diferentes dos da equipa A.

YES: Já afirmou que o Lousada é um clube que está no caminho certo pela aposta que tem feito na sua formação. É também nestes projetos e politicas desportivas que mais se identifica?
JR: Eu procuro ser um treinador que se adapta aos clubes onde está e acima de tudo tento perceber o contexto onde estou inserido. Já treinei clubes que a qualidade da formação não poderia assegurar o futuro imediato da equipa sénior e aí tinha uma equipa mais experiente e com alguns jogadores mais veteranos. Já tive em outro clube que apostei num jogador ainda com idade de Juvenil (17 anos) e era titular nos seniores, no caso em concreto do Lousada se tem jovens de qualidade porque não apostar neles? Eu sou essencialmente um treinador que aposta e procura colocar a jogar os melhores jogadores.

YES: Ainda cedo para falar de objetivos para 2019/20. Contudo, em termos desportivos, esta equipa poderá estar condicionada pelos resultados da equipa principal, isto porque as duas equipas estão nos dois patamares mais elevados da AFP?
JR: Nesta fase não me quero alongar muito no que será a próxima época. Uma das premissas desta equipa, e no meu entender de qualquer equipa B, é ter o nível competitivo o mais aproximado da equipa A. No caso do Lousada temos uma equipa na divisão de Elite e se o clube pretende que a equipa A seja alicerçada em jogadores jovens provenientes da formação, não poderíamos ter uma equipa B a jogar duas divisões abaixo onde o nível competitivo é muito díspar, onde ainda jogam em pelados. Por isso na próxima época vamos ter nível competitivo muito mais alto do que tivemos esta época, principalmente na fase regular, isso vai logo à partida ajudar que as capacidades competitivas de cada jogador seja melhorada. Em termos de objetivos… se estamos no Lousada, se temos as condições de trabalho que temos só temos de ser das melhores equipas da Divisão de Honra.

YES: Já falou com o António Carvalho? Há já indicação de atletas que orientou que poderão ser “reforços” da equipa principal? Está estabelecido um trabalho de proximidade entre as duas equipas técnicas?
JR: Tal como referi ainda é cedo para falar da planificação da próxima época e não pretendo, nesta fase, falar disso. Em relação ao mister António Carvalho posso lhe dizer que conheço o seu trabalho há muitos anos e que o olho como uma referência e tenho muito respeito por todo o trajeto que tem vindo a fazer dentro do futebol português, porque ainda me lembro dos seus tempos de jogador profissional, sinto que é um treinador que fará um grande trabalho na Associação Desportiva de Lousada, e que terá a minha cooperação sempre que assim entender.

YES: Algo mais que queira acrescentar nesta entrevista?
JR: Gostaria de fazer os agradecimentos da praxe. Agradecer ao presidente que me contratou (Sandro Sousa) por ter acreditado no meu trabalho e reconhecer em mim competências para ser treinador deste grande clube. Aos diretores que mais próximo estiveram de mim, que foram incansáveis e me deram as condições para chegar ao sucesso pretendido: O sr. António Alves, o sr. Miguel Silva, Ricardo Alves e Jorge Fernandes. Ao nosso roupeiro e figura carismática Paulinho (Paulo Santos) que tudo fez para nada faltar. Ao departamento médico que fizeram tudo para ter os jogadores em condições de ser utilizados (Tatiana Babo e Sandra Neto).
Agradecer a todos os jogadores do plantel que eles sim foram os verdadeiros heróis e obreiros deste grande feito.
Queria também particularizar os restantes elementos de equipa técnica que tenho a certeza sem eles nada disto era possível. Em particular ao o treinador adjunto João Nunes, por ser uma pessoa que já trabalha comigo há vários anos e tem de ter uma paciência do tamanho do mundo para aguentar a minha exigência e também ao Rúben Araújo (treinador de guarda-redes).
Por último, e como o melhor fica para o fim e porque não é possível ter sucesso sem ter o um grande suporte familiar, enalteço e dedico esta conquista ao meu filho e à minha esposa que sem dúvida são as pessoas que mais sofrem com as minhas ausências por isso nesta altura de glória não podia esquece-los e agradecer toda a paciência e compreensão.

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