A Curva do Rio

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“A curva do rio” do vencedor em 2001 do Prémio Nobel da Literatura V. S. Naipaul é uma obra que nos relata as peripécias de uma viagem através de África, desde o Oceano Índico até ao interior do continente.
Paralelamente, fala-nos de um jovem que parte ao encontro de si mesmo, rumo a um novo país, onde irá tentar enriquecer, numa cidade situada junta à curva de um rio. Para alcançar o desejado sucesso, o jovem irá rejeitar as suas raízes pois acredita que a sua comunidade, tradicionalista, rígida e avessa à mudança corria perigo, perante o novo governo do seu país.
Nas vésperas do primeiro aniversário do seu desaparecimento, lembrei-me dele e da sua obra ao refletir acerca de outra viagem, de outro continente, de outra curva e de outro Rio, este, Presidente do PSD.
Desde o início da sua viagem muito se tem falado, comentado e criticado, com ou sem motivo, interna ou externamente.
Num contexto particularmente difícil para o maior partido da oposição, a sua liderança tem sofrido indubitavelmente por alguns erros estratégicos que tem cometido mas sobretudo por acontecimentos dentro e fora do seu partido que constantemente lhe têm colocado pedras no caminho, sem que ele consiga com elas criar as muralhas do seu castelo.
Sempre disse que a Rui Rio, dificilmente seria “perdoado” o facto de ser do Porto, ou melhor por não ser da Capital. Uma Capital que inclui não só lisboetas como pessoas originárias de todas as regiões do país, cidade do Porto incluída, mas que comungam da mesma visão centralista do país e se sentem ameaçados por alguém como Rui Rio.
Para além disso, episódios de certa forma bizarros, com particular destaque para a inexplicável saída do PSD de um histórico que tinha acabado de se candidatar (e perder) à liderança do partido para fundar outro partido e o desafio completamente extemporâneo de Luís Montenegro, independentemente do valor do militante em questão.
Se acrescentarmos a tudo isto uma comunicação social, seja de esquerda ou de direita, claramente hostil, com comentadores residentes críticos de Rui Rio independentemente da sua cor política, não estava criado o ambiente favorável à pré-anunciada revolução nas listas de deputados à Assembleia da República. Sobretudo da forma como foi feita, ignorando aqueles que realmente sentem o partido e que são as suas bases.
Independentemente disso, o PSD apresenta-se como a única alternativa válida, capaz de evitar um cenário maioria absoluta socialista ou de uma governação conjunta com a extrema esquerda, ainda mais com um líder do nosso distrito.
Concordo com aqueles que defendiam uma lista com uma cobertura mais homogénea da área geográfica do distrito do Porto, mas compreendo o sentido de voto seguido pela Comissão Política Distrital. Compreendo também que alguns líderes de secção gostassem de ver candidatos por si indicados melhor colocados e até aqueles que sentem ter valor para ver o seu nome constar da lista ou estar uns lugares acima.
A seu tempo, todos eles terão oportunidade para no local próprio e no momento próprio expressarem o “que lhes vai na alma” e pedirem contas se for caso disso.
Agora a hora não é de lamentos!
A hora é de cada um dar o seu melhor, em prol do partido, mas acima de tudo em prol dos portugueses e de Portugal!

Pedro Ribeiro da Silva

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