À espera na retrete

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Durante muitos anos, ouvia dizer aos Portugueses que decidiram emigrar para França, nos idos anos 70 do século passado, que estavam ansiosos pelo regresso à pátria lusa para gozarem a “retraite”.
Olhando o estado do País real, temo que muitos deles, volvidos estes anos, terão decido não regressar, não obstante o “piscar de olho “ de António Costa a Emmanuel Macron, no esforço de exportar a “geringonça”, quem sabe se no futuro não será a “gerinpança”, sem que, tenha o rótulo que vier a ter, da mesma resulte qualquer crescimento do PIB nacional ou contributo para a nossa felicidade.
E então, qual será o motivo para que esses Portugueses que se espalharam pelo Mundo, não apenas por terras de França, não terão regressado ao país natal para gozar a “retraite”?
Ora, porque vendo de fora, o estado do País real está longe de ser aquele que o ilusionista Costa, com sorriso de gelo, vende aos “quatro – ventos”.
Não lhes será certamente do agrado verem que no País que amam, haja, desde há quatro anos a esta parte doentes internados não em enfermarias, mas em casas de banho ou em cantinas de hospitais.
Quatro anos que não surgem por acaso, porque correspondem, sem tirar nem por, ao exercício de governo (?) da dupla Costa – Centeno, que certamente não ousarão suspirar ao ouvido dos doentes estendidos junto à “retrete” ou acamados como “tabuleiros” nas cantinas, que a austeridade acabou.
Se desse votos, vestiriam o fato de gala, como não dão, assobiam para o lado, seguindo assim os melhores cânones do socialismo, varrendo o assunto para debaixo do tapete rosa choque.
E o estado (comatoso) da Saúde em Portugal vem a propósito das últimas jornadas parlamentares do CDS, realizadas no Porto nos dias 03 e 04 de Junho em que o tema escolhido foi, precisamente, a saúde.
Não se tratou, como é apanágio do Partido, de um número de propaganda pré – eleitoral mas sim, efectuado o diagnóstico prescrever a melhor terapêutica, apresentando medidas concretas para melhorar a vida de todos os Portugueses.
Refiro-me por exemplo, à proposta de serem fixados tempos máximos de espera para que todos os portugueses que precisam, tenham a primeira consulta médica de especialidade em tempo útil, e que, caso o Estado a não garanta nesse prazo, o doente, com a intervenção do seu médico de família, possa escolher ser atendido num hospital do sector social ou privado, e após esse momento, regressar ao SNS mas já com a primeira consulta feita, e com melhores possibilidades de ser direcionado e atendido.
Com esta medida evita-se o diagnóstico “do tarde de mais”, o que significa um tratamento mais célere prestado ao doente, e na melhoria da sua qualidade de vida.
Medida esta que não se traduzem aumento de despesa para o Estado.
Mas das jornadas parlamentares do CDS resultou também que, a anestesia eleitoral das esquerdas perdeu o efeito na madrugada de 26 para 27 de Maio de 2019, e o país “recaiu” na realidade.
E a realidade foi o regresso das cativações no dia 27.
E a realidade foi o saque fiscal de beira de estrada.
E a realidade são as obras de arte do Estado que estão desaparecidas, mas que, e sem se rir, a Ministra nega que o estejam, “apenas não estão localizadas”.
E a realidade é o comportamento de António Costa que, tal como o marido enganado, apenas soube das armas roubadas em Tancos, depois da demissão do ministro.
E a realidade são os preços dos combustíveis, que atingem níveis historicamente altos, mercê do aumento de impostos com que Centeno os abasteceu.
E a realidade é o Governo oferecer o passe social com uma mão, e ao mesmo tempo promove a supressão de transportes públicos, como na linha de Sintra ou de embarcações de travessia do tejo.
A este propósito, e sendo a margem sul do tejo um bastião comunista, o que dirão as esquerdas aos seus cidadãos perante esta realidade?
Talvez que atravessem o rio a nado, para não incomodar o chefe Costa.
E perante este retrato do país real, a resposta que o governo da república tem dado aos que partiram para a diáspora é que não venham gozar a “retraite”, porque o que lhes é oferecido em troca é a…”retrete” à espera de vez.
Dúvidas não restam, que a única voz que se ergue para confrontar o executivo do PS é a do CDS, em permanência, sem descanso, com resiliência, e em que desistir não é opção.

Jorge Ribeiro da Silva
vice-presidente
do CDS Paredes

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