A ilusão da mudança

A ilusão da mudança

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Dois anos passaram desde a tomada de posse do presente executivo socialista na Câmara Municipal de Paredes, e da tão badalada mudança, pouca ou nada há a registar.
Compromissos eleitorais como a baixa do IMI para o valor legal mais baixo (0,3%), o apoio de 600 mil euros/ ano aos jovens para criação de pequenas e médias empresas, os apoios à população sénior, garantindo os medicamentos gratuitos para todos os maiores de 65 anos ou o alojamento da comunidade cigana, parecem ter ficado na gaveta ou reservados como trunfo a apresentar no fim do mandato. Assim, sempre dá para ficar com os méritos, passando o ónus para quem vier a seguir.
Perante a pobreza de conteúdo do que nos foi apresentado no pomposamente anunciado “Briefing com a Imprensa: Balanço de 2 anos de mandato”, ficamos a perceber o porquê de começarem a “saltar como pipocas” planos e imagens virtuais em 3 D de projetos, alguns deles de gosto discutível, mas cuja utilidade não questiono. Já a prioridade de alguns destes investimentos me deixa algumas dúvidas. Conforme manifestei em artigos anteriores, as mais prementes necessidades dos paredenses não passam pela construção de auditórios ou fóruns culturais, ou mesmo de uma piscina descoberta, cuja utilização se limita a dois ou três meses por ano.
Para além disso, o Passivo do Município de Paredes baixou. Ótimo, mas então e o ativo? É que se baixou mais do que o passivo…
Criaram novos postos de trabalho durante os dois anos de mandato! Ótimo, mas só 383 com a atual conjuntura de quase pleno emprego?
A tudo isto, sobrepõe-se o óbvio: A meio do seu mandato, não se viu uma única obra de vulto no concelho!
Com o passar do tempo, sente-se que a mensagem retórica de justificar com o desempenho do anterior executivo camarário o não cumprimento dos compromissos que assumiu aquando da sua eleição começa naturalmente a não passar. As pessoas começam a perceber que já é tempo de apresentar trabalho. Assim, para manter a ilusão da mudança nada melhor do que atirar com uns quantos projetos, vistosos e de preferência centralizados na sede do concelho. Depois há que “vendê-los” como se obra feita se tratasse, facto conseguido através de uma boa imprensa e de uma presença eficaz nas redes sociais, sem qualquer pejo ou pudor em utilizar os meios da autarquia e as suas páginas nas redes sociais para promoção do próprio executivo, como se de próprio município se tratasse. Por fim, há que entrar em campanha eleitoral, de forma antecipada, numa tournée de promoção do executivo camarário pelas diferentes freguesias do concelho, a reiterar promessas e a promover a sua imagem. São as chamadas sessões de Presidência Participativa, onde as pessoas têm oportunidade de ouvir e agradecer as promessas eleitorais, aplaudir e elogiar o senhor Presidente da Câmara e enaltecer o seu trabalho, mesmo que não tenha qualquer motivo para isso! Só fazer perguntas incomodas é que não.
Deve ser um novo conceito: participativa “ma non troppo”!

Pedro Ribeiro da Silva

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