“A Páscoa é a festa principal dos cristãos. À volta dela gira...

“A Páscoa é a festa principal dos cristãos. À volta dela gira o núcleo central da fé”

Entrevista a Vitorino Soares, Pároco de Castelões de Cepeda e Madalena Paredes

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Vitorino Soares, Pároco de Castelões de Cepeda e Madalena Paredes, pároco há 24 anos nesta paróquia, é uma das figuras mais emblemáticas da paróquia e concelho de Paredes. Na Semana Santa, o YES Notícias entrevistou Vitorino Soares, natural da freguesia de Boelhe, em Penafiel, desafiando a descodificar algumas questões sobre a Pàscoa e sentido deste que é, sem dúvida, um dos mais especiais momentos para os católicos e cristãos.

 

Yes Notícias: O que é a Páscoa e o que a distingue de outras festividades na Igreja Católica?
Vitorino Soares: A Festa da Páscoa é a festa principal dos cristãos. À volta dela gira o núcleo central da fé: a morte e a ressurreição de Jesus.

YN: Considera que é dos momentos mais emblemáticos da Igreja e dos mais vividos pelos cristãos, apesar da crescente secularização e coisificação da sociedade?
VS: Em termos de participação a adesão às celebrações da semana santa acaba por ser inferior à celebração habitual da eucaristia dominical. Há que considerar que a tradição ainda é recente, pois vem apenas do concílio Vaticano II, em meados dos anos 60.

YN: A Páscoa ainda é sinónimo de reunião da família? Tem sido entendida como tal ao longo dos tempos?
VS: Em relação com o Natal, esta festa é menos familiar. Não só pela estação primaveril, que abre as portas de casa; como também pelo sentido público da Páscoa que ultrapassa o âmbito familiar e que a Visita Pascal ou Compasso é uma verdadeira imagem.

YN: A Páscoa Cristã sendo uma das datas mais importantes para o cristianismo, representa a ressurreição de Jesus Cristo, o filho de Deus que assume um papel central para os católicos e para os cristãos. A sua mensagem mantém-se atual? Pode ser entendida como uma “passagem” da morte para a ressurreição? Um novo recomeço?
VS: A própria palavra “Páscoa”, significa esse “passo”, essa “passagem” da morte à vida, da tristeza à alegria. Não fomos nós que criamos esse dia, foi Deus, por isso é o Dia do Senhor, que celebramos todos os domingos. Cada domingo é Páscoa semanal.


YN: Considera que esta data é, igualmente, vivida de forma intensa pelos jovens, muitas vezes, diz-se mais distanciados da vivência e da palavra de Jesus Cristo?
VS: Em termos juvenis, esta época é também tempo de férias, muitos aproveitam para sair. Além disso as celebrações da semana santa, são celebrações muito pesadas, em termos de intensidade, o que exige um suporte humano amadurecido, para poderem ser vivenciadas.

YN: Sente que Jesus Cristo continua a ser vivido e sentido de forma intensa pelos mais jovens? Considera que estes se reveem na sua matriz humanista e na sua palavra?
VS: Jesus Cristo continua a ser um modelo e uma referência de vida para muitos jovens. Mas talvez, por ser pouco conhecido, também não apaixone tanto.

YN: A palavra e mensagens de Jesus Cristo mantêm-se atuais?
VS: A palavra de Jesus será sempre atual, porque é palavra de vida. É uma palavra sempre fresca, é Palavra de Deus que interpela em todas as circunstâncias. É fundamental criar condições para que se possa ouvir.

YN: Sente que existe efetivamente um divórcio entre os jovens e a igreja Católica?
VS: O grande divórcio com a Igreja, começa depois do crisma, ou confirmação. É tempo de grande instabilidade, quer escolar, quer profissional, quer vocacional. A aproximação, de alguns, surge aquando do Batismo do primeiro filho, ou a entrada na catequese.

YN: Como encara o culto do hedonismo e o individualismo apanágios da nossa sociedade?
VS: Com naturalidade e serenidade, mas sobretudo como desafio, que leva a que se façam propostas em sentido diferente e que não haja receio de as fazer. É a grande oportunidade da Igreja, para propor um caminho de verdadeira felicidade, que está na abertura e doação aos outros.

YN: Podemos dizer a cultura do consumismo está de alguma forma a formatar as nossas formas de pensar e agir? É uma consequência inevitável e comum às sociedades ditas modernas?
VS: São propostas de vivências imediatas, mas que deixam um vazio e uma insatisfação, que nos levam a concluir que tem que haver outros caminhos.

YN: Considera que existem diferentes formas como este tempo é vivido nas freguesias e da cidade de Paredes? Quais as diferenças, a existirem, mais assinaláveis?
VS: Do que conheço as vivências não são muito diferentes entre as paróquias. A Páscoa na cidade de Paredes é um dia de Festa e de Alegria. O compasso acompanhado com as bandas de música dá um colorido que nos abarca a todos como uma grande família. A alegria de um é a alegria de todos.

YN: Sendo Paredes uma cidade que está, digamos num hinterland, próxima do litoral e paredes-meias com o interior, considera que esta característica faz com que a maioria das pessoas viva ainda de forma diferente este período, ao contrário do que acontece noutras cidades mais cosmopolitas em que muitas famílias nem sequer abrem as portas ao compasso?
VS: Paredes é uma cidade pequena, mas mantém ainda a proximidade entre pessoas, entre famílias, aquilo que humanamente é genuíno.

YN: Sente que os escândalos e as crises que têm afetado a Igreja podem de alguma forma afastar ou contribuir para o pretenso afastamento das pessoas da Igreja?
VS: Não me parece. As coisas hoje são mais públicas e ajudam a limpar as nuvens, que muitas vezes impediam de ver a realidade.

YN: Que mensagem gostaria de deixar à comunidade, em geral, neste período pascoal?
VS: Que a Páscoa seja momento para experimentarmos o Dia que o Senhor fez, o dia da Ressurreição, um dia de Vida, de Alegria, de Paz, que possa inspirar os nossos dias, os outros dias do ano.

YN: O que é que o atual Papa pode trazer de novo à Igreja e aos cristãos?
VS: Uma imagem de uma igreja mais simples, mais pobre, mais próxima de Jesus Cristo, que não esteja comprometida com o poder, nem com o que é mundano.

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