A verdadeira subsidiodependência

A verdadeira subsidiodependência

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Os culpados da, aparente, crescente subsidiodependência somos todos nós. Não é só culpa dos diferentes políticos ou governos. É também, e acima de tudo, nossa culpa.
São os subsídios de refeição, os subsídios de férias, os subsídios de Natal, os subsídios de deslocação, o abono de família, enfim. Toda a panóplia de apoios que, por uma razão ou por outra, recebemos.
E isto não é dizer que não há subsídios que são necessários. Exemplo disso é o subsídio de desemprego.
Porém, todos os outros são meramente um espelho de uma sociedade que se tornou subsídio-dependente em vez de reclamar por condições que a torne livre desta prisão subsidiada.
Ao invés de lutarmos por salários melhores, lutamos por mais subsídios. Exemplo disso, recentemente, é a reivindicação do S.T.O.P, o Sindicato de Todos Os Professores. Face à deslocação de professores das suas áreas de residência, a resposta do sindicato foi pedir um subsídio de deslocação para estes.
Mas porquê, pergunto eu. Porque não se baterem por um salário que permita que esta deslocação não cause impacto no orçamento mensal?
Porque não se bate a sociedade por um salário mínimo que permita fazer as refeições diárias sem que isso se reflicta negativamente nas contas pessoais? Porque não se bate a sociedade por um salário mínimo que permita garantir que os 22 dias de descanso anual não colocam em causa a segurança económica da família? Porque não se bate a sociedade por um salário mínimo que garanta que as despesas educativas, e afins, dos filhos não congelam outras necessidades familiares?
Ao garantir que o salário mínimo nacional assegura que todas as pessoas conseguem aceder à saúde, dar aos seus filhos a melhor educação possível, alimentar-se durante o período de trabalho, gozar do descanso anual e recuperar de qualquer doença sem que isso ponha em causa a sua segurança económica, estamos a garantir que o escalão salarial mais baixo permite, a quem nele se encontra, viver em segurança económica, física e social.
A subsidiodependência existe e os culpados disso somos todos nós que, ao revés de lutarmos uma luta de longo prazo, aceitamos o resultado de curto prazo de mais um subsídio que garanta qualidade mínima de vida. E mesmo assim…

João de Sousa

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