Afogados em directo

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Em Abril, desde 1974, homenageamos aqueles que se sacrificaram, ao longo de décadas, para a conquista pelo povo, da democracia, da liberdade de acção e de expressão, tendo como momento de júbilo, o exercício de direito de voto.
Mas para tanto, e para que Portugal não fosse então uma nova Albânia debaixo do jugo soviético, como se alcançava no horizonte negro dos anos de 1974 e 1975, o CDS, não pode deixar de recordar que se o 25 de Abril de 1974 foi o episódio primeiro da conquista da liberdade, o 25 de Novembro de 1975 foi o da sua consolidação.
E a questão da cada vez maior distância entre eleitores e eleitos, que se tem verificado de forma acelerada nos últimos anos, constitui assim uma das grandes preocupações do CDS, que, passando das palavras aos actos, tem sido em Paredes a única força partidária a lutar para a inversão deste moribundo “status quo”.
Foi com este propósito que, no passado dia 22 de Fevereiro de 2019, propôs e foi aprovada pelos demais partidos representados, a transmissão em directo das sessões da assembleia municipal, e dessa forma, dando livre acesso a toda a comunidade de Paredes, aproximando as instituições de poder político dos cidadãos que os elegem, fazendo impender sobre os próprios órgãos políticos um especial ónus de aproximação, tornando-os mais transparentes e democráticos, e permitindo aos cidadãos do município de Paredes o exercício do direito a conhecer e contactar, de forma fácil, se assim o entenderem, os membros das forças políticas eleitas para a assembleia municipal.
E se desde Outubro de 2017 esta questão se via adiada, com a moção, passou a realidade, tendo tido como sessão primeira, a de 27 de Abril de 2019.
E a que assistimos então?
Que a questões que vão desde a saúde pública às contas da autarquia, temos um executivo que ou não responde porque não quer, não esclarece porque não sabe, ou mesmo, e mais grave, não responde porque não é conveniente, e assim a proclamada “mudança com verdade” com que se apresentaram a eleições, passou a falácia de televisão a branco e negro.
Questionado pelo CDS sobre a existência de um levantamento de edifícios públicos identificados como tendo na sua construção de compostos de amianto, ficamos a saber que não existe.
O amianto e os terríveis danos para a saúde de cada um dos que frequentam os espaços públicos não parece merecer preocupação suficiente ao actual executivo, apesar de ser cada vez mais urgente tomar medidas para garantir a proteção à saúde de todos aqueles que frequentam edifícios como centros de saúde, repartições públicas ou escolas.
Acenou então, o edil, que ia construir um edifício novo para complementar o Tribunal hoje existente, mas pareceu esquecer-se que em fevereiro último, todos os que ali trabalham diariamente tiveram que o fazer de máscara, por causa do amianto, exigindo mesmo o seu encerramento.
Como é do conhecimento Público, a única medida verdadeiramente estruturante que o actual executivo camarário fez incluir no orçamento para 2019, foi aceitar a proposta do CDS para a adesão do Município de Paredes à tarifa social da água, na sequência de uma moção apresentada e aprovada na Assembleia Municipal de Junho de 2018.
A adesão dos municípios que não carece de pedido ou requerimento dos interessados, bastando a interconexão e tratamento dos dados pessoais entre os serviços da Segurança Social, da Autoridade Tributária e Aduaneira e do município.
Em Paredes a sua aplicação fará toda a diferença para cerca de 500 famílias em situação de carência económica, constituindo um importante instrumento de combate à pobreza.
Questionado o Senhor Presidente sobre a taxa de execução desta medida, “aos costumes disse nada”, ou seja, não sabe ele, nem nós, se 0, 100 ou 500 estão a beneficiar todos os meses com tal medida.
Na sessão de Fevereiro da Assembleia Municipal, o CDS questionou o executivo, para saber quando é que comunidade poderá conhecer os resultados da auditoria externa e independente às contas do município no período 2013-2017 do qual fazia parte enquanto vereador da oposição, foi prometido pelo atual presidente do executivo municipal, que seria em Abril de 2019.
Se não foi no dia 1 de Abril, também não o foi a 30, 554 dias depois da tomada de posse.
E se a 29 de Abril de 2018, a realização da auditoria “era já a seguir”, ficamos sem saber de que ano, e sem saber o resultado da tão prometida auditoria, promessa essa mil vezes repetida em campanha eleitoral, dadas as suspeitas quanto “às boas contas (?)” do executivo anterior.
Temerá um resultado inconveniente?
Foi uma promessa eleitoral que ainda não foi cumprida, é uma promessa mantida depois da vitória das eleições que se mostra por cumprir, daqui só se pode concluir que o executivo anda assim em campanha permanente, e em que a realidade o desmente a cada dia que passa.
Basta ver que, se no sábado assegurou que todas as inspecções às piscinas e escolas estavam de acordo com o que a lei prevê, e no domingo os Balneários da Escola Secundária de Paredes são encerrados pela existência da bactéria da “legionella”, e que a contaminação foi verificada nos sistemas hidráulicos de um pavilhão, sendo de recordar que o equipamento foi recentemente renovado.
Como diz o bom povo, “em Abril águas mil”, e pelo que se viu neste, tivemos um executivo afogado… em directo!

Jorge Ribeiro da Silva
vice-presidente do CDS Paredes

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