Águias de Figueiras na AFP: O concretizar de um sonho antigo

Águias de Figueiras na AFP: O concretizar de um sonho antigo

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Há vários anos que no seio de futebol no concelho de Lousada se fala da filiação do Águias de Figueiras na Associação de Futebol do Porto, um desejo que finalmente vai ser concretizado na temporada 2019/20.
Fundado em 1983, só nos últimos anos o futebol tem estado em grande evidência no clube. Na direção de Eduardo Pinheiro (regressa agora como vice, após quatro anos de ausência no seio diretivo), o clube foi um dos precursores do Campeonato de Futebol Popular em Lousada, que esteve na origem da constituição da AFALousada e venceu mesmo os dois primeiros campeonatos concelhios (2007/08 e 08/09). Nos anos que se seguiram, o Figueiras esteve sempre envolvido na luta pelas diversas competições em que participou e à sua sala de troféus juntou mais dois campeonatos (2015/16 e 18/20) e ainda quatro Supertaças, duas Taça D´Trivela e uma Taça Lousadense (na única vez em que disputou esta taça).
Dessa forma, as provas internas começaram a ficar curtas para a ambição de um clube que sempre revelou grande dinâmica associativa e o grande sonho vai finalmente ser concretizado por uma direção que tomou posse recentemente e é encabeçada pelo jovem Rui Peixoto, que desempenha ainda funções dentro das quatro linhas.

Rui Peixoto

“Este ano tivemos uma época excelente nas provas internas da AFAL, ganhamos os troféus todos e nada melhor do que acabar em beleza e partir para outros objetivos”, disse o líder da nova direção que garantiu que o clube e o plantel têm condições para fazer um brilharete: “Temos boas infraestruturas, estamos a reestruturar o grupo que é jovem, com um média de idade de 23/24 anos, que manteve a base e reforçou-se em alguns setores. O objetivo para esta nova etapa é sempre o mesmo…ganhar, ganhar e ganhar. O Figueiras é um clube que tem uma mentalidade muito forte de vitória e, principalmente, temos muita humildade”.
E, foi essa vontade e espírito que levou a direção a almejar outras conquistas e partir para outros voos, como revelou Rui Peixoto, que apontou o decréscimo do número de filiados na AFALousada como mais um dos motivos para não adiar o sonho, embora tenha deixado palavras de elogio à organização: “A AFALousada começou a ser demasiado curta para as nossas ambições. A qualidade sempre esteve na AFAL, mas o número de clubes era demasiado curto. Há dois anos tínhamos, o Aveleda, o Nespereira, o Cristelos e era um campeonato competitivo. Contudo este ano tivemos apenas sete clubes e era um campeonato muito curto, apesar das outras provas que disputávamos. Mas, a AFAL em termos de concelhio foi muito bom. O Águias é um centro que é cultural e recreativo e não nos pudemos focar só no futebol, mas a verdade é que antes dessas provas o futebol em Figueiras limitava-se a umas ‘maratonazitas’ e uns ‘torneiozitos’ e a chegada da AFAL veio dinamizar o futebol amador e a sua prática, que ajudou a combater o sedentarismo num concelho que muito se fala ser o mais jovem de Portugal”, disse, manifestando o interesse em promover no clube também as camadas jovens, embora confesse ser muito difícil o recrutamento de miúdos devido às muitas associações que existem no concelho.
O Figueiras é um clube que se caracteriza pelo seu bairrismo e, provavelmente, um dos que existe uma maior simbiose e interação dos sócios na vida do clube. Tem a particularidade das suas gentes meter mãos à obra e não ficar somente à espera de subsídios. Há, inclusive a peculiar história da construção da cobertura da bancada em que nove sócios pagaram cada um dos nove postes necessários para a obra, uma ideia que foi lançada por um dos associados à mesa do café e prontamente aceite pelos restantes. Além das bancadas, também os muros foram construídos pelos sócios.
Também por esse motivo, Rui Peixoto justifica a entrada na AFP: “Temos uma boa massa associativa que também merece esta promoção. Mesmo os nossos patrocinadores motivaram-nos a pensar ir mais além”.

António Ribeiro
“Vamos chatear aqueles que querem ser campeões”

António Ribeiro Batista vai para a quinta temporada à frente da equipa do Águias de Figueiras. Apesar dos muitos anos no futebol concelhio, é um técnico com experiência nos distritais, tendo já orientado clubes como o Aparecida, Caíde de Rei e Raimonda, e foi ainda adjunto de Júlio Guerra no Freamunde na 2.ª Divisão Nacional, onde orientou a equipa em dois jogos, após a saída deste.
“Ainda é cedo para falarmos do que quer que seja. Também não é menos verdade de que esta equipa me dá garantias e que pode ir longe, mas só o tempo o dirá. Já conheço a estrutura do clube e a maior parte dos jogadores e os que vieram e ainda vêm, vão trazer aquilo que nos faltava que é o equilíbrio”, disse António Batista que se mostrou confiante numa boa prestação na época de estreia nos distritais: “Muita gente reconhece o nosso trabalho, fruto dos êxitos que tivemos. Será prematuro estarmos a dizer que vamos ser campeões, mas não tenho dúvidas de que esta equipa vai ser para andar lá em cima. Vamos chatear aqueles que querem ser campeões e no fim logo se verá o que vai acontecer. Os dados estão lançados e penso que vamos fazer um bom campeonato. Não quero arriscar a dizer que vamos ser campeões, mas vamos andar lá perto”.
O técnico sente-se também responsável por esta nova etapa do clube, justificando-o com as conquistas recentes e a vontade de querer sempre mais. “Desde que eu cá cheguei esta equipa ficou sempre do 3.º lugar para cima, habituámo-nos a ganhar e criando esse hábito a fasquia também começou a ser colocada mais alto. Depois a ideia foi surgindo, uns incentivando, os jogadores foram também crescendo com essa ambição e agora estamos aí na AFP”, disse António Batista que confessou que as provas do futebol concelhio começaram a perder interesse para os intentos e ambições das gentes de Figueiras: “Eu gostei da AFAL e de toda a sua organização. Se tinha alguns problemas de arbitragem menos boas, se calhar também as vamos ter aqui. Aliás, se a AFAL conseguisse reunir cerca de 13 clubes como já teve, talvez o campeonato ficasse compatível com este ou até melhor”.

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