Ambiente e educação ambiental são pilares fundamentais para município

Ambiente e educação ambiental são pilares fundamentais para município

Manuel Nunes, vereador do pelouro do Ambiente da Câmara Municipal de Lousada

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Aproveitando a realização das Jornadas Pedagógicas de Educação Ambiental que decorreram em Lousada, o Yes Notícias ouviu o vereador do Ambiente, Manuel Nunes, sobre alguns dos temas que têm norteado a ação do actual executiva em matéria ambiental.
Além da educação e sensibilização ambiental, temas que estiveram em debate nestas jornadas, o autarca realçou a aposta que o município tem realizado na proteção da biodiversidade e passou em revista alguns dos projetos mais emblemáticos como: PlantarLousada, o BioLousada, o LousadaCharcos, o Bioescola e o BioFest.

 

Yes Notícias: Não sendo a Câmara de Lousada o organizador directo das jornadas pedagógicas de educação ambiental que balanço faz deste seminário?

Manuel Nunes: O balanço é muito positivo, as temáticas, as propostas, as ideias, os projetos discutidos permitem colocar em perspetiva o trabalho realizado por um sem número de agentes e sobretudo discutir o muito que ainda há a fazer para concretizar a ENEA definida até 2020. A partilha é, ainda, um veículo fundamental de disseminação de boas práticas e novas metodologias de trabalho na área da educação ambiental, é por isso fundamental manter estes fóruns e descentraliza-los, como foi o caso este ano com a concretização, em Lousada das XXV Jornadas Nacionais de Educação Ambiental da ASPEA.

YN: Considera que os seus propósitos foram cabalmente preenchidos? Qual o feedback do público?

MN: Os propósitos foram plenamente alcançados, permitindo a veiculação de todo um conjunto de ações e ideias que estão a ser trabalhadas em diversos pontos do país. O feedback dos participantes foi extraordinariamente positivo, realçando o papel do município de Lousada como um exemplo em matérias ambientais na região e no país.

YN: Segundo a Associação Portuguesa de Educação Ambiental (ASPEA), a escolha de Lousada assentou no reconhecimento que o município tem, a nível regional e nacional, no âmbito das suas ousadas e inovadoras iniciativas, quer ao nível ambiental quer ao educativo. Considera que além do elogiado que extravasa desta declaração, considera que Lousada é visto como um exemplo a nível nacional em matéria do ambiente? Um exemplo a ser seguido por cada vez mais actores e municípios?

MN: A parceria entre a Câmara Municipal e a ASPEA decorre, não apenas da partilha de objetivos comuns em matéria de Educação Ambiental, mas também, e sobretudo do facto do município ter vindo a afirmar-se regional e nacionalmente como um laboratório de políticas inovadoras e pioneiras no que ao ambiente e à educação ambiental diz respeito. Tudo isto, sempre com uma forte componente social e de envolvimento massivo da sociedade civil, mas também dos agentes de educação formal e informal.

YN: Desde 2016, a autarquia tem assumido um conjunto de compromissos ambientais no sentido da redução da pegada ecológica e do uso eficiente de recursos, assim como no âmbito da educação e sensibilização ambientais. Defende que esses objetivos têm sido manifestamente cumpridos?

MN: Em áreas tão sensíveis e estruturantes para a nossa existência, enquanto comunidade e território, como são as questões relacionadas com o ambiente, os objetivos nunca estão plenamente concretizados porque os desafios são enormes e a ambição é sempre elevar a qualidade de vida das populações promovendo o uso eficiente dos recursos e a sustentabilidade do território. Ainda assim, em matéria de cumprimento de objetivos ambientais ao nível municipal, as realizações são imensas e os ganhos também, nomeadamente em matéria de conservação da natureza, valorização do território e envolvimento cívico (educação ambiental e literacia científica), diminuição da pegada ecológico (redução das emissões de CO2 e uso eficiente dos recursos hídricos), aumento das taxas de reciclagem (20% entre 2018) e diminuição das deposições em aterro. É também com vista à concretização desses propósitos que está em marcha a criação da Paisagem Protegida do Sousa Superior, uma área dedicada à conservação da natureza, da paisagem e do património cultural que garantirá proteção a cerca de 12% do território municipal, constituindo-se como uma reserva de elevado valor biocultural para as gerações vindouras. No próximo dia 29 de março, pelas 21 horas daremos inicio ao processo participativo para a criação desta área protegida, com um sessão pública de apresentação do projeto à comunidade Lousadense na Biblioteca Municipal de Lousada.

YN: Que balanço faz dos projetos PlantarLousada, o BioLousada, o LousadaCharcos, o Bioescola, o Lixo Sustentável, os Gigantes Verdes, o BioFest?

MN: Todos estes projetos fazem parte de diferentes eixos de atuação da estratégia do município para o ambiente, mas no essencial todos eles têm por base o envolvimento da comunidade. A título de exemplo: foi graças a 4500 voluntários que cederam mais de 12 000 de voluntariado que plantamos 40 000 árvores; foi devido á colaboração de 500 voluntários que construímos uma rede de charcos para a Biodiversidade no concelho e caracterizámos mais de 600 pontos de água; foi devido à mobilização de centenas de professores para o programa BioEscola que se realizam anualmente mais de 300 oficinas envolvendo mais de 7000 alunos de todos os níveis de ensino do concelho; foi, ainda, devido à participação de mais e 5000 munícipes que valorizamos mais 400 toneladas de resíduos recicláveis e aumentamos para 30kg ano o valor da contribuição individual de cada lousadense para as metas de reciclagem municipais; ou que identificamos mais de 7000 árvores de elevado interesse ecológico no município, os nossos Gigantes Verdes.

YN: Qual tem sido a adesão da comunidade local e dos mais diversos atores e agentes que têm participado nestes projetos?

MN: A adesão tem sido massiva e em crescendo, transformando-se num contágio positivo que afeta miúdos e graúdos, escolas instituições privadas, sejam empresas ou coletividades e associações não governamentais. Milhares de pessoas colaboram anualmente, de forma voluntária, nos projetos de ciência cidadã e cidadania participativa. Só desta forma, com uma forte e sustentada base de apoio as políticas ambientais terão futuro e se enraizarão para frutificar em mudanças de paradigma.

YN: Que balanço faz do Fundo Lousada Sustentável?

MN: Apoiamos dezenas de projetos de jovens investigadores e pequenos cientistas locais, desde o 1º ciclo ao ensino superior. É um projeto em expansão e com uma forte componente de educação para a ciência, já que mobiliza os jovens estudantes para a concretização de projetos ambientais e comprometimento cívico na área do ambiente na sua rua, no seu bairro, na sua escola ou à escala concelhia. Todos podem participar e submeter candidaturas.

YN: Encontra-se aberto, oficialmente, desde o passado dia 5 de Dezembro, o Centro de Educação Ambiental Casa das Videiras. Apesar da sua idade precoce, considera que este centro é já uma aposta ganha?

MN: As atividades do Centro de Educação Ambiental levam mensalmente centenas de estudantes (jovens e crianças, mas também adultos) a frequentar aquele espaço integrados em oficinas educativas do programa Bioescola. Paralelamente, a Casa das Videiras tem uma programação que, aos fins de semana, leva aquele espaço as mais diversas atividades relacionadas com as temáticas ambientais e culturais.

YN: É do conhecimento público que outros projetos estão a ser finalizados, existindo um projeto para recuperar os moinhos, a criação de Centro de Interpretação do Rio Mezio relativo ao Moinho da Tapada, em Casais, e na freguesia de Pias. Qual atual ponto da situação?

MN: O espaço envolvente ao Moinho da Tapada, integrado no Centro de Interpretação do Vale do Rio Mezio, está concluído, encontrando-se programada a intervenção de recuperação do moinho para o final do 1º trimestre de 2018. Quanto a Pias, a autarquia procedeu à aquisição de um conjunto notável de moinhos existentes no rio Sousa, na freguesia de Pias, bem como as respetivas envolventes agrícolas e florestais, com o propósito de converter aquele espaço num Parque Molinológico e de Conservação da Natureza. O projeto encontra-se em fase de estudo.

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