Associação Florestal do Vale do Sousa assinalou 25.º aniversário

Associação Florestal do Vale do Sousa assinalou 25.º aniversário

Anunciada criação da Casa da Floresta das Serras do Porto, Paiva e Sousa .

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A Associação Florestal do Vale do Sousa completou 25 anos de existência, numa cerimónia que contou com vários associados da associação, o executivo da câmara e foi presidida pelo Secretário de Estado das Pescas e do Desenvolvimento Rural, Miguel João de Freitas e ficou marcada pela apresentação do projecto da Casa da Floresta Serras do Porto, Paiva e Sousa.

O presidente da Associação Florestal do Vale do Sousa, Américo Mendes, recordou evolução histórica da colectividade, apontou dificuldades e novos desafios, defendendo a importância do Governo continuar a apoiar com políticas públicas o associativismo florestal e as associações que zelam pela valorização destes recursos.

O responsável pela Associação Florestal do Vale do Sousa aproveitou a efeméride para apresentar o projecto a Casa da Floresta, projecto coordenado pela Associação Florestal do Vale do Sousa e pela Incentivar Partilha – Associação que irá funcionar em Aguiar de Sousa, numa escola da freguesia, em regime de comodato, cedido pela Câmara de Paredes à instituição.

Segundo o presidente da Associação Florestal do Vale do Sousa, o espaço tem, também, como objectivos promover o uso ordenado dos espaços florestais para fins recreativos, educativos e terapêuticos, visando o benefício para os produtores florestais e ganhos para a população em geral, através da organização do trabalho em parceria com entidades privadas e públicas relacionadas com esses usos.

Falando deste projecto, Américo Mendes realçou que os espaços florestais estão a ser objecto de um uso cada vez mais intensivo para fins recreativos, especialmente numa zona de interface rural / urbano como é o Vale do Sousa, sendo que esses usos ocorrem muitas vezes de uma forma desordenada, sem benefícios, e mesmo com prejuízos para os produtores florestais e para a protecção e valorização dos espaços florestais.

 

“Mobilizando os contributos voluntários de várias entidades e da população que usa ou vive perto dos espaços florestais e organizando o seu trabalho em parceria, é possível combater esses usos desordenados, transformá-los em usos benéficos para os produtores florestais e para o resto da população e fazer isto de forma auto-sustentável”, disse, sustentando que é fundamental proceder à disponibilização, em regime de comodato ou de uso partilhado, por entidades públicas (ex. autarquias) ou outras instalações sub- utilizadas na proximidade de espaços florestais.

Américo Mendes esclareceu, também, que o projecto tem subjacente a mobilização de colaborações voluntárias e remuneradas, qualificadas e com motivações solidárias, para a organização de actividades recreativas, educativas, culturais e terapêuticas em contexto florestal, sendo objectivo da associação proceder a atração para estas actividades de uma procura latente e crescente, com disponibilidade para pagar por esses usos dos espaços florestais.

“Pretendemos fazer reverter os rendimentos assim gerados em benefício de actividades de interesse colectivo dos produtores florestais (ex. protecção da floresta contra incêndios) e do resto da população, especialmente a população local”, avançou.

O presidente da Câmara de Paredes, Alexandre Almeida, relevou a dinâmica e o pioneirismo da associação na promoção do associativismo florestal na região do Vale do Sousa, integrando várias centenas de associados.

“Paredes é um concelho industrializado, tem orgulho na sua industria do mobiliário, mas, também, temos orgulho na mancha florestal do concelho , de cerca de nove mil hectares. A forte ligação da Associação a Paredes resultaram vários protocolos de prestação de serviços”, disse, manifestando que a associação tem tido um papel vital na zona sul do concelho, onde predomina a maior mancha verde do município, em especial na Sobreira onde está localizada a Zona de Intervenção Florestal e que abrange as Serras do Porto.

O chefe do executivo defendeu, também, que a Associação Florestal do Vale do Sousa tem desempenhando um papel relevante na prevenção dos fogos florestais em articulação com os bombeiros do concelho, Baltar e Cete.

Referindo-se à Casa da Floresta, o autarca paredense concordou tratar-se de um projecto de elevado valor acrescentado para o município.

“Este projecto irá ver a floresta de uma forma mais inovadora e didáctica e faz todo o sentido que esteja localizado em Aguiar de Sousa onde existe a maior mancha florestal. Não tenho quaisquer dúvidas que no âmbito da estratégia para o turismo, isto vai ser um investimento determinante que vai ajudar a promover de forma sustentável toda esta área”, retorquiu.

O secretário de Estado das Pescas e do Desenvolvimento Rural defendeu que a floresta tem de ser olhada a um escala que ultrapassa as fronteiras de cada município.

O governante destacou que o Governo tem procurado ajustar as políticas públicas às situações concretas com que se tem deparado, reforçar as equipas de sapadores florestais de mais meios financeiros e melhorar as condições em que operam.

“Se há território onde compreendemos bem a mudança de paisagem é esse território onde estamos e que sofreu mutações significativas nos últimos 25 anos. Temos um território de minifúndio, de risco, onde prevalece uma monocultura”, asseverou, acrescentando que é necessário proteger melhor a floresta e a rede primária de defesa da floresta.

“Temos de ter planos plurianuais para fazer o trabalho de prevenção de defesa da floresta contra incêndios”, afiançou.

Miguel João de Freitas confirmou, também, que não é viável a divisão da propriedade em Portugal, existindo um mínimo abaixo do qual esta deixa de ser rentável, tendo o Governo criado a unidade mínima de cultura à floresta.

No âmbito da defesa da floresta, o governante avançou, também, que é  objetivo do Governo discutir uma nova lei de reestruturação fundiária.

O secretário de Estado esclareceu que o Governo irá implementar novos modelos de gestão colectiva, nomeadamente criação de entidades e unidades de gestão florestal como forma de reduzir custos.

O aniversário dos 25 anos da Associação Florestal do Vale do Sousa incluiu um  programa das atividades inaugurais do projeto da Casa da Floresta das Serras do Porto, Paiva e Sousa que decorreu na Escola Básica N.º 2, em Aguiar de Sousa.

 

 

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